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A constelação de Eridanus

A constelação de Eridanus é uma das maiores do céu noturno, localizada no hemisfério sul celeste , entre longitudes que vão do signo de Peixes até Gêmeos. Ela representa um rio mítico, que “nasce” nos pés de Órion, próximo de Rigel, e que após percorrer um caminho sinuoso, deságua indo em direção ao extremo sul do céu. O nome da constelação é o mesmo que o antigo nome do Rio Pó na Itália, rio que nasce nos alpes e atravessa o norte da Itália desaguando próximo de Veneza.

É uma constelação que não forma asterismo muito claro , e também não tem muitas estrelas brilhantes. As mais destacadas são as que marcam as extremidades, Cursa, a nascente, e Achernar, a foz do rio. A melhor maneira de encontra-la é localizando a costelação de Orion, e olhando na direção sudeste do céu a partir de Rigel, a estrela mais brilhante de Orion.

Mitologia Associada a constelação de Eridanus

A origem da constelação é babilônica, e o nome original era Mulnunki, que significa “Estrela de Eridu”. Eridu por sua vez foi uma das cidades mais antigas do mundo , fundada pela civilização Suméria e era dedicada ao deus das águas Enki-ea, por se localizar numa região pantanosa, no delta do Tigre e Eufrates.

Na Grécia antiga originalmente essa constelação não representava um rio, mas o caminho percorrido por Faeton, o filho do deus Sol Hélios, quando ele pegou emprestada a carruagem solar do seu pai. Faeton perdeu o controle e traçou um caminho errático no céu, e estava colocando todo o mundo em risco de ser consumida pelas chamas do sol, até que ele foi acertado por um trovão enviado por Zeus, que finalmente o matou.

Os Egípcios viam ali o seu rio Nilo , enquanto os Atenienses viam ali um rio que cruzava a cidade, até que o nome da constelação mais tarde passou a designar o Rio Pó na época do Império Romano. É uma constelação que representa os rios de uma maneira geral, elementos geográficos fundamentais na constituição das civilizações ao longo da história.

Anatomia da Constelação de Eridanus

Eridanus é a sexta maior constelação do céu, com 1138 graus quadrados de área. Ela toca em diversas outras constelações ao longo do seu caminho: Orion, Touro, Cetus, Lebre, Pomba, Cinzel, Relógio, Tucano, Fênix e Fornalha. Esse rio nasce próximo do equador celeste e vai em direção ao leste , fazendo uma curva acentuada e se voltando para o oeste, onde faz uma segunda curva e desce em direção ao sul.

Não é uma tarefa fácil identificar essa forma no céu noturno ,mas a referência de Orion ajuda a saber onde a constelação começa. O hemisfério Sul é o melhor local para observação dessa estrela, especialmente a partir de novembro, quando ela ja está inteira no céu logo no começo da noite. Em latitudes superiores a 30° Norte ela será vista parcialmente , e acima dos 60° norte ela é invisível.

Achernar Alpha (α)15°36′ de Peixes
Acamar Theta (θ)23°33′ de Áries
Angetenar Tau (τ2) 02°55′ de Touro
Azha Eta (η)09°02′ de Touro
Zibal Zeta (ζ)14°07′ de Touro
Rana Delta (δ)21°09′ de Touro
Zaurak Gamma (γ)24°09′ de Touro
Beid Omicron (ο129°43′ de Touro
Theemin Upsilon (υ100°10′ de Gêmeos
Keid Omicron (ο)00°28′ de Gêmeos
Sceptrum 5305°32′ de Gêmeos
Cursa Beta (β)15°34′ de Gêmeos

A moderna constelação de Fornax, a Fornalha, fazia parte de Eridanus originalmente.

Estrelas de Eridanus em Peixes e Áries:

Achernar, Alpha (α) Eridani, É uma estrela localizada na foz do Rio Eridanus. Esse título antigamente pertencia a Acamar, porque Achernar não ascende na latitude da Grécia. O nome significa “boca do rio”.

Acamar, Theta (θ) Eridani, é uma estrela localizada próxima ao fim de Eridanus. Para os gregos a constelação terminava ali , porque a estrela Alfa Achernar era invisível daquela latitude. Por isso ela recebia o nome que é dado pra Achernar. Os árabes porém adotaram outra forma para o nome, Acamar, mas o significado é o mesmo: O fim do rio.

Estrelas de Eridanus em Touro:

Angetenar, Tau (τ2) Eridani, é uma estrela localizada no rio Eridanus. Ela fica na região da curva mais acentuada do rio, próxima a constelação de Cetus. O nome dela significa literalmente “a curva do rio”, e vem do árabe.

Azha, Eta (η) Eridani, é uma estrela localizada na constelação de Eridanus. Por se localizar numa região onde ficava um asterismo árabe chamado “ninho de avestruzes”, seu nome significa literalmente isso. Os persas consideravam ela fazendo parte de Cetus e a chamavam de “As tetas da baleia”.

Zibal, Zeta (ζ) Eridani, ela também compunha o asterismo do ninho de avestruz onde hoje temos a curva de Eridanus próxima a Cetus. O nome significa “filhote de avestruz”.

Rana, Delta (δ) Eridani, é uma estrela em Eridanus o Rio. O nome é latim e significa rã; é o Nome científico do gênero das rãs inclusive.

Zaurak, Gamma (γ) Eridani, é uma estrela da constelação de Eridanus. O nome é o termo árabe para barco.

Beid, Omicron (ο1) Eridani,  é uma estrela de Eridanus que fazia parte do ninho de Avestruz árabe. O nome significa Ovo de Avestruz.

Estrelas de Eridanus em Gêmeos:

Theemin, Upsilon (υ1) Eridani, é uma estrela localizada na segunda curva de Eridanus. O nome é uma corruptela da palavra árabe para Avestruz.  

Keid, Omicron (ο) Eridani, é mais uma estrela de Eridanus que fazia parte do asterismo obsoleto do ninho de Avestruz. O nome significa “casacas de ovos”.

Sceptrum, 53 Eridani, é uma estrela a leste da nascente de Eridanus, e o termo latim no nome significa cetro. Esse nome é referência a uma constelação obsoleta, criada no século XVII.

Cursa, Beta (β) Eridani, é a estrela que marca a Nascente do rio Eridanus, um pouco acima de Rigel da constelação de Orion. O nome vem do árabe, e significa “trono”.

Significado Astrológico da Constelação de Eridanus

A constelação de Eridanus tem natureza de Saturno, o que não significa que ela seja maléfica por isso. Na realidade os significados dela são positivos: Ela indica busca por conhecimento ao longo da vida, bom senso, sabedoria, e uma vida marcada por viagens e aprendizado. Existe humildade e a capacidade tanto de ensinar quanto de aprender. Ela indica ainda gosto e envolvimento com coisas ligadas a água, como navegação , e risco de acidentes na água e afogamentos.

Achernar, a estrela Alfa, está associada a fé, ética, compaixão e religiosidade. Indica sucesso em questões religiosas, científicas, acadêmicas ou estudantis em geral. Como a foz do rio, a pessoa está preocupada em compartilhar com o mundo o que ela sabe e se sente feliz quando pode contribuir para o coletivo.

Cursa, a estrela Beta, marcando a nascente do rio indica também sucesso em questões estudantis, acadêmicas, científicas ou religiosas, mas fala principalmente de uma pessoa cuja natureza é intuitiva e criativa. É o local de onde as “águas” do rio brotam.

A constelação de Argo Navis

A constelação de Argo Navis, ou o Navio dos Argonautas, ou simplesmente o Navio, é uma antiga constelação que hoje em dia foi dividida em quatro partes menores. Carina ou Quilha (base do navio), é onde ficam as estrelas mais brilhantes da constelação, inclusive Canopus, a segunda estrela mais brilhante do céu noturno depois de Sírius. Vela ou velame marca o conjunto de velas do navio , e Puppis ou Popa marca a parte de trás do navio. A constelação da Bussola também era incluída em Argo Navis tradicionalmente, apesar de não possuir estrelas de destaque à olho nu.

É uma constelação do hemisfério sul do céu, que seria a maior de todas as constelações se não tivesse sido dividida em 4 na atualidade,com quase 1900 graus quadrados. Uma pequena parte dela é circumpolar na região sul do Brasil. Mas ela é plenamente visível em todo território nacional, especialmente no verão e outono. A estrela alfa , Canopus, representa o estado de Goiás na bandeira do Brasil.

Mitos e origem da constelação de Argo Navis

Essa constelação, na forma de navio, teve origem no Egito antigo. Quando Cão Maior ascende, permanece sempre em direção ao sul celeste naquela região. As constelações que formam Argo Navis não ascendem completamente , mas funcionam como uma base para a figura de Isis vista no cão maior, e era também as vezes vista como o barco de Ossiris. Ela é difícil de observar no hemisfério norte, porque mesmo a parte que ascende fica próxima do horizonte. Quanto mais ao norte , mais difícil (ou impossível) é a visualização.

Os gregos podiam ver ainda menos dessa constelação , mas mesmo assim adotaram a perspectiva egípcia como verdadeira. Canopus por exemplo era invisível na Grécia. Somente em 1752 essa constelação foi inteiramente catalogada e finalmente subdividida em função do tamanho massivo com que ficou. Pra se ter uma noção, em cidades como Londres quase a totalidade desta constelação é invisível, e foram necessárias as navegações a regiões próximas do Equador para que ela pudesse ser melhor conhecida.

Os gregos associaram as estrelas que eles podiam ver com o navio dos Argonautas, grupo de heróis gregos convocado por Jasão na aventura em direção a conquista do Velo de Ouro, descrita na constelação de Áries. Canopus porém, é associada ao capitão do navio de Menelau, rei de Esparta, quando este foi ao resgate de Helena em Troia.

No hemisfério sul porém, essa constelação é uma figura dominante no céu. Partes dela são circumpolares mesmo na região sul do Brasil, e na altura da latitude 60° sul ela é inteiramente circumpolar. Para os índios de etnias das regiões sul, centro oeste e sudeste, as estrelas da constelação de Argo Navis , juntamente com algumas estrelas de centauro formavam a constelação indígena do Veado, que era um anúncio do frio e do inverno que se aproximava, porque se tornava plenamente visível no início do Outono.

Anatomia da Constelação de Argo Navis

Vamos nesta seção subdividir a constelação em suas 4 versões modernas para compreende-las melhor

A constelação de Carina ou Quilha

A constelação de Carina é a que conta com as estrelas de maior destaque das subconstelações. Tem cerca de 494 graus quadrados e simboliza a quilha, ou corpo do navio. É uma constelação visível inteiramente somente em latitudes menores que 20° norte, sendo circumpolar em boa parte do hemisfério sul. Vejamos suas estrelas nomeadas:

Canopus alpha (α)15°15′ de Câncer
Avior epsilon (ε)23°25′ de Virgem
Tureis iota (ι)05°37′ de Libra
Foramen eta (η)22°26′ de Libra
Miaplacidus beta (β)02°15′ de Escorpião

Canopus, alpha (α) Carinae, É uma estrela localizada na quilha do navio. Trata-se da estrela mais brilhante de toda constelação de Argo Navis, e a segunda mais brilhante de todo o céu noturno. Somente Sirius do Cão Maior é mais brilhante, e ambas estão posicionadas a menos de 1 ° de distância em termos de longitude, mas distam em mais de 30° em termos de latitude. Representa o estado de Goiás na bandeira do Brasil.

Canopus é invisível para qualquer um em latitudes acima dos 37° Norte. O local onde essa constelação se localiza é como a espinha dorsal do navio, é a parte de onde se projetam as partes recurvas , sendo o eixo de sustentação e equilíbrio. O nome vem da mitologia , representando o capitão do navio da frota enviada pelo rei Menelaus de Esparta para resgatar Helena em Troia.

Avior, epsilon (ε) Carinae, é uma estrela localizada na quilha do navio. Sua localização é bem ao sul da constelação, e ela é bem brilhante estando entre as mais brilhantes do céu noturno. Como é invisível em latitudes superiores a 30° norte, não se desenvolveu significados relacionados a ela apesar de seu brilho. Esse nome foi dado no século XX em homenagem aos aviadores.

Tureis, iota (ι) Carinae, é uma estrela localizada na quilha de Argo Navis. Tureis vem do Árabe e significa “pequeno escudo”. Outro nome para essa estrela é Scutulum em latim.

Foramen, eta (η) Carinae, é uma estrela localizada na quilha de argo navios. O nome é latim e significa buraco ou concavidade. Esse nome se relaciona a presença de uma nebulosa resultado de uma explosão , ocorrida no século XIX, que de tempos em tempos tende a obscurecer essa estrela, que pode alcançar um brilho elevado que a coloca entre as 10 mais brilhantes do céu noturno. A erupção ocorrida em Foramen foi documentada por astrônomos da época, o que torna a estrela uma grande fonte de interesse para a Astronomia.

Miaplacidus, beta (β) Carinae, é uma estrela localizada na quilha de Argo Navis. O nome é árabe e latino: Mia significando água em árabe, placidus significando calmo, ou seja, águas calmas. Essa estrela é circumpolar em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A constelação de Puppis ou Popa

A constelação de Puppis tem cerca de 673 graus quadrados de área e representa a Popa, ou traseira do navio. Neste caso, trata-se de um navio com popa alta e arredonda como aqueles criados pelos Fenícios na antiguidade e adotados pelos gregos, egípcios, persas e romanos. Esta é visível nas mesmas latitudes que o Cão Maior, mas suas estrelas em geral tem menos destaque do que as da Quilha. Vejamos suas estrelas com nomes tradicionais:

Azmidiske xi (ξ)06°19′ de Leão
Naos zeta (ζ) 18°50′ de Leão

Azmidiske, xi (ξ) Puppis, é uma estrela localizada na popa de Argo Navis. Ela fica na parte da Popa que é enfeitada com uma cabeça entalhada, geralmente de leão ou cavalo, bem no alto. É a que fica mais ao norte nesta constelação. O nome é grego e significa “pequeno escudo”.

Naos, zeta (ζ) Puppis, é uma estrela na popa de Argo Navis. Ela fica posicionada no deck onde ficaria o capitão do navio. O nome dessa estrela é a palavra grega para navio.

A constelação de Vela

A constelação de vela representa a vela do navio, responsável por parte de sua propulsão através do vento. Em latitudes superiores a 35° Norte sua visualização é parcial, ficando esta constelação totalmente invisível em latitudes superiores a 49° norte. É parcialmente circumpolar no Uruguai e grande parte da Austrália e Nova Zelândia, e totalmente circumpolar no sul da Argentina e Chile. Suas estrelas com nome tradicional:

Alshuhail Lambda (λ)11°28′ de Virgem
Markeb Kappa (κ)29°11′ de Virgem

Alshuhail, Lambda (λ) Velorum, é uma estrela localizada na vela. O nome é de origem árabe , e significa “a pesada”. Isso se deve ao fato de ela não ascender muito alto na latitude dos países muçulmanos, como se fosse mais pesada simbolicamente.

Markeb, Kappa (κ) Velorum, É uma estrela localizada na vela de Argo Navis. A palavra que da nome a essa estrela e a mesma que origina Markab, de Pegasus, e significa sela, ou assento.

A Constelação de Pyxis ou Bússola náutica

A constelação de Pyxis é uma constelação que antigamente incluía a área de Argo Navis, e que foi transformada numa constelação nova e sem relação com o navio. Trata-se de uma constelação que fica aproximadamente na altura de Cão maior, mais para leste, e que apresenta estrelas de pouco brilho e asterismo pouco claro, sendo de difícil identificação. Ocupa cerca de 220 graus quadrados sendo relativamente pequena. Não apresenta estrelas de destaque.

Significado astrológico da constelação de Argo Navis

Argo Navis é uma constelação ampla em função de sua localização latitudinal, bem alta no hemisfério sul. Isso faz com que suas estrelas caiam em longitudes zodiacais que vão dos signos de Câncer até Escorpião; De uma maneira geral , as estrelas tem natureza de Júpiter e Saturno indicando sucesso em assuntos relacionados a negócios e viagens longas. Uma disposição de espírito aventureira e cautelosa ao mesmo tempo tende a beneficiar a maneira como o indivíduo é tocado por essas estrelas.

Podemos dizer que as estrelas da Quilha inclinam na direção de uma postura mais rígida, mas ao mesmo tempo mais confiável , que transmite credibilidade. Indica sucesso nos negócios e nas viagens , mas ao mesmo tempo riscos de incidentes envolvendo a água , afogamento e naufrágios.

Canopus na Quilha é a estrela mais importante de Argo Navis, e é a segunda estrela mais brilhante do céu noturno. Sua posição longitudinal, próxima a Sirius, reforça os significados benéficos daquela estrela, e adiciona ambição, sede de conhecimento e espírito de aventura. São pessoas sábias, que amadurecem cedo e que dão conselhos úteis aos outros. Pode indicar infelicidade em assuntos domésticos , mas sucesso em tudo o que é mundano. A pessoa tende a ser mais feliz longe de onde nasceu.

Foramen, também na Quilha, sugere riscos maiores de incidentes relacionados a água, principalmente naufrágios. Esses naufrágios podem não ser literais, sendo o naufrágio simbólico de planos ambiciosos da pessoa. Nesse sentido, essa estrela é um aviso para a necessidade de se acautelar com investimentos.

As estrelas da Popa sugerem uma natureza mais resistente e resiliente e uma tendência a um comportamento ostensivo. Esta é a parte enfeitada e mais reforçada do navio. Já as estrelas da Vela indicam uma natureza bastante ambiciosa e estudiosa, e uma vida marcada por viagens e pela companhia de pessoas inteligentes. Indica sucesso em questões educacionais e viagens para locais distantes.

Não existem estrelas de muito destaque nem na popa e nem na vela, e a constelação da bússola não apresenta nem mesmo significado ou estrelas nomeadas , portanto figurou aqui apenas como curiosidade.

A constelação do Cão maior

A constelação do Cão Maior se localiza no hemisfério sul do céu e apresenta a estrela mais brilhante, sem contar o sol, que é visível a partir da terra a olho nu. Trata-se de Sirius, uma estrela binária, 40 vezes maior que o nosso sol e a cerca de 9 anos luz de distância. Sirius é tão brilhante que chega a ser comparável com o brilho de Júpiter ou mesmo Vênus, os planetas visíveis com maior brilho vistos aqui da terra.

A presença de Sirius atraiu os olhares para esta direção do céu desde o alvorecer das civilizações. Os egípcios adotaram a aparição oriental de Sirius como referência para o seu primeiro calendário, e esta constelação representava uma de suas maiores divindades, Isis. A aparição oriental de Sirius marcava o ano novo Egípcio. Esta sempre foi uma estrela muito importante para a astrologia.

Cão Maior também pode ser chamada de Canis Major, e é uma constelação de porte médio, visível facilmente em todo o Brasil durante quase o ano todo. Ela é uma das constelações a figurar na bandeira do Brasil, com 5 estrelas, representando os estados do Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Amapá e Tocantins.

Mitologia associada a constelação de Cão Maior

No Egito antigo , a estrela Sírius era considerada a manifestação da deusa Isis no céu. Nessa forma, ela era conhecida como Isis-sopdet. A constelação de Isis-sopdet incluía as estrelas da constelação de cão maior e boa parte da constelação do Navio Argos. É um dos asterismos mais antigos, e mais duradouros na cultura egípcia, sendo substituído somente na época da ocupação grega e romana pela versão da constelação em forma de cão.

Cão Maior era especificamente a cabeça da deusa Isis, com as estrelas no Navio representando seu corpo. Sirius era como a alma ou espírito da deusa, era uma estrela adorada pelos egípcios, vista como um presságio das cheias do Nilo. Na época do império antigo, a aparição oriental de Sirius acontecia no final da primavera (hoje acontece no meio do verão) e era essa a época associada com as enchentes do Nilo, que fertilizariam o solo novamente para a próxima colheita.

Isis foi uma deusa muito adorada no Egito durante toda a sua história. Seu culto perdurou até o século 5 depois de cristo durante o domínio Bizantino e a imposição do Cristianismo Ortodoxo. Acredita-se que teve grande influência sobre o posterior culto a virgem Maria no cristianismo ortodoxo, onde Maria ascende a uma condição de sacralidade semelhante a do próprio Jesus Cristo.

Ela sempre foi encarada como uma divindade da fertilidade, da maternidade e do Casamento. A lenda mais importante de toda a mitologia egípcia se refere a jornada de Isis para encontrar as partes do corpo de seu marido, Ossiris, e assim restaura-lo. Ela tinha portanto uma importância muito grande também em assuntos relacionados não só à vida, mas também a morte. Sob influência grega e romana, na época de Cleopatra e além, ela assumiu aspectos de Hera, Afrodite, Atena e outras deusas, e seu culto assumiu importância ainda maior para o Egito.

O culto a uma grande divindade feminina, poderosa e independente, estava na base cultural do Egito desde a antiguidade, e isso mudou somente com o advento do Islamismo.

Na Mesopotâmia, a constelação do Cão maior era vista como uma flecha , e a constelação do Navio era vista como um arco. A flecha era apontada na direção de Orion. Os gregos porém, viam ali um dos cães de caça de Ártemis ou do próprio Orion, constelação próxima, e essa é a representação que perdura até hoje.

Os índios Tupinambás chamavam Sirius de “souanran” , que significa “semelhante a um vaga-lume”, em função do seu brilho. A aparição oriental dela era aqui também presságio de chuvas se aproximando, mas ocorria ainda em meio a estação mais seca, no inverno.

Anatomia da Constelação de Cão Maior

Cão Maior é uma constelação relativamente pequena, de 380 graus quadrados, mas que apresenta um asterismo razoavelmente claro e estrelas muito brilhantes, incluindo a mais brilhante do céu noturno, Sirius. Está próxima do Unicórnio, de Órion, da Lebre, da Pomba e da constelação do Navio. Ascende acompanhando a constelação de Gêmeos, que fica mais ao norte.

É visível em todo o Brasil, em especial nos meses de verão, quando logo após o por do sol ela ja fica bem visível no céu noturno. Ela é totalmente invisível em latitudes superiores a 60° norte, e circumpolar (visível o ano inteiro, nunca se pondo) em latitudes abaixo de 40° sul (exemplo: centro e sul da Argentina e Chile e na Nova Zelândia).

Mirzam beta (β)07°28′ de Câncer
Furud zeta (ζ)07°40′ de Câncer
Sirius alpha (α)14°22′ de Câncer
Muliphein gamma (γ)19°53′ de Câncer
Adara epsilon (ε)21°01′ de Câncer
Wezen delta (δ)23°41′ de Câncer
Aludra eta (η)29°49′ de Câncer

Mirzam, beta (β) Canis Majoris, é uma estrela localizada na pata dianteira esquerda do cão maior. O nome vem do árabe al Murzin, e significa “o anunciante”. Está relacionado ao fato de ela ascender primeiro e assim “anunciar” a ascensão de Sirius, a grande rainha da constelação. Simboliza o Amapá na bandeira do Brasil.

Furud, zeta (ζ) Canis Majoris, é uma estrela localizada na pata traseira esquerda do cão maior. O nome é uma corruptela do árabe al kurud, e significa “os macacos”. É uma referência ao conjunto de estrelas menos brilhantes que se localiza ao redor desta.

Sirius, alpha (α) Canis Majoris, é uma estrela localizada na boca do cão maior. Se magnitude for importante, então esta deveria ser considerada a estrela mais importante e influente porque é a mais brilhante do céu noturno. E assim ela foi considerada ao menos no Egito, mas foi menos celebrada a partir da Grécia Antiga. Isso talvez tenha ocorrido em função da localização dela, mais ao hemisfério sul.

O nome Sirius é de origem Grega, tendo aparecido pela primeira vez em Hesíodo. Deriva do termo seirios, que significa brilhante ou flamejante, em referência ao seu brilho. Para os egípcios , essa estrela marcava o disco solar localizado acima da cabeça de Isis, as vezes representado com o desenho de uma estrela também. Pode estar ligada a palavra egípcia para Osiris, “Hesiris”, apesar de personificar Isis. Transformou-se em nome próprio em árabe, “al sira” , de onde pode se originar a versão em português “Alzira”. Simboliza o Mato Grosso na bandeira do Brasil.

Muliphein, gamma (γ) Canis Majoris, é uma estrela localizada no pescoço do cão maior. O nome é uma derivação do termo árabe que indica juizes ou jurados em concursos, aquele que julga. Talvez em alusão aos latidos acusadores dos cães. Simboliza o estado de Rondônia na bandeira do Brasil.

Adara, epsilon (ε) Canis Majoris, é uma estrela localizada na perna direita do cão maior. O nome significa “donzelas”, em reforço a natureza venusiana da constelação. É outra estrela bem brilhante da constelação. Representa o estado Brasileiro de Tocantins.

Wezen, delta (δ) Canis Majoris, é uma estrela localizada na barriga do cão maior. O nome deriva do árabe, al wazn, e significa “o peso”. Simboliza o estado brasileiro do Roraima na bandeira do Brasil.

Aludra, eta (η) Canis Majoris, é uma estrela localizada no rabo do cão maior. O nome vem do árabe, e é uma corruptela de mesma origem que Adara.

Significado Astrológico da Constelação de Cão Maior

Astrologicamente, essa constelação como um todo tem a natureza de Vênus. Isso reforça ainda mais a ligação ancestral dela com a divindade feminina egípcia Isis, e com o fato de o símbolo de Isis, o “ankh” se assemelhar ao glifo de Vênus. A única exceção é Sirius.

Ela tende a produzir comportamentos positivos associados a vênus: empatia, delicadeza, afetuosidade, torna o comportamento da pessoa amável e indica algum nível de carisma, mas não necessariamente popularidade. Está mais associada ao aspecto afetuoso de Vênus e menos ao aspecto estético. Num sentido mais negativo pode indicar uma natureza emocional profunda, dada a reações intensas e dificuldade de perdoar quem lhe magoa. Pode ainda produzir medos irracionais como medo de escuro, de altura ou da água, ainda que a pessoa seja corajosa ao encarar perigos reais. Também é associada a mordidas de cães (Sirius em especial).

Outra conexão dessa constelação é com o calor, mas isso numa concepção mais grega e medieval, pouco ligada a astrologia. Na época dos egípcios antigos (3000 a 1500 ac), essa estrela ficava em touro, marcando o coração da primavera. Mas na época da civilização grega e até a alta idade média, ela esteve em gêmeos, tendo migrado para o signo de Câncer a partir do renascimento. Gêmeos marca a aproximação do solstício de verão, então quando sirius desaparecia com a passagem do sol por ali , ele juntava seu calor ao brilho intenso de Sírius e produzia as ondas de calor de verão, conhecidas como dias de cão, nos meses de junho, julho e agosto. Ou assim se acreditava e se explicava o fenômeno das ondas insuportáveis do auge do verão.

Adara é uma estrela importante que significa características muito venusianas. Indica alguém bem-quisto, atraente, bem relacionado com as pessoas, feliz nos assuntos familiares, casamento e amizades. O nome é semelhante ao termo hebraico para adornado, enfeitado, embelezado, adulado (Adar).

Mirzan, Wesen, e Aludra todas tem os mesmos significados de Adara, mas se manifestam de maneira menos intensa, pois tem menos brilho.

Sirius

Sirius tem a natureza divergente das outras estrelas desta constelação. Ela acaba sendo relacionada a Marte e Júpiter, em função de seu brilho intenso, sua associação com fogo e calor e sua localização na boca do cão. Ao invés da representação “delicada e medrosa” das demais estrelas, ela indica poder, riqueza, fama e uma personalidade marcante. Costuma prenunciar sucesso e reconhecimento no trabalho e nos negócios quando ligada ao sol, ao meio do céu ou ascendente. Se estiver ligada a lua ou o ascendente, indica pessoas muito influentes e conhecidas.

Ela indica uma personalidade ardorosa , apaixonada, intensa e veemente, mas ao mesmo tempo fácil de se ofender, ressentida e vingativa. Como um cão, sua resposta automática tanto a um ataque, quanto a um movimento que não consegue compreender ou tolerar é “morder”. Marte em Câncer se beneficia bastante de estar próximo dessa estrela, fazendo a pessoa mais ativa e corajosa. Ela atualmente fica ao redor de 14° de Câncer, mas a maioria das pessoas nascidas no século XX tem ela em 13° de Câncer.

A associação com mordidas de cão não deve ser assumida em seu sentido literal. A boca do cão ladra e morde quando irritada, mas também lambe quando quer demonstrar carinho. É uma estrela que indica uma natureza passional, menos ligada ao que se entende como passionalidade no elemento água, e mais ligada ao fogo: Respostas impulsivas, sinceras e intensas. Atualmente marca um ponto em verdadeira ebulição dentro do signo de Câncer, quase no centro do signo.

A constelação de cão menor

A constelação de cão menor se originou de um asterismo antigo formado apenas por 2 estrelas , com origem na Mesopotâmia. É uma constelação bem pequena , mas contem a oitava estrela mais brilhante de todo o céu noturno. Tem apenas 183 graus quadrados de área, e está próxima das constelações de Gêmeos , câncer, Hidra e Unicórnio.

A constelação do Unicórnio , também conhecida como Monoceros , apresenta uma área bem mais extensa. A constelação de Cão Menor aparece como que cavalgando o unicórnio. Ela foi criada somente no século XVII, mas a área que ela ocupa tinha uma constelação persa chamada “Neper”. Ela não apresenta estrelas muito brilhantes e ocupa uma área de 482 graus quadrados. Está próxima de cão menor e maior, orion, gêmeos , lebre, pupa (argo navis) e hidra.

Mitos associados a constelação de Cão Menor

Na Grécia antiga está constelação recebia o nome de sua estrela alfa, Procyon. Essa palavra significa “o cão depois” indicando que esta constelação nasce logo depois da constelação de Cão Maior. Além disso , Procyon é também o nome do gênero dos Guaxinins, animais de pequeno porte semelhantes a uma mistura de gambá com cachorro. O termo romano era mais explícito , e chamava essa constelação de “antecanis”. Mais tarde essa constelação foi chamada também de “Felis”, que significa gato.

Em termos mitológicos , essa constelação é quase sempre vista em paralelo com a constelação de Cão maior e Orion.

Egito antigo

No Egito , cão maior era associado a Isis, e outra constelação próxima, Órion, era associada a Osiris. Anubis que era filho somente de Osiris, foi adotado como filho de Isis quando esta se casou com Osiris. Anubis era assim associado a constelação do Cão menor (incluindo outras estrelas de constelações próximas). Então na realidade quando vemos as constelações de Órion, Cão maior e Cão Menor ascendendo , estamos na realidade assistindo à ascenção de uma das famílias mais poderosas e cultuadas e de todos os tempos.

Anubis era um deus relacionado aos funerais, a cerimônia de mumificação e tinha o papel de preparar os mortos para o além-vida. Hermes é uma sincretização grega tanto de Toth (associado a constelação de Sagitário) quanto de Anubis (na região do cão menor, mas também bem próximo de gêmeos). Nesse sentido Anubis era um mensageiro, e estava relacionado a essa transição entre vida e morte. O fato desta ser uma das divindades mais conhecidas do antigo Egito hoje em dia se deve mais ao fato de que a maioria dos monumentos que restam hoje em dia da civilização egípcia são monumentos mortuários.

Além de tudo, Anubis apresenta uma forma antropomórfica, com corpo de homem e cabeça de chacal. Com o chacal sendo um animal muito apropriado para figurar na constelação do cão menor, porque ele se parece com um cachorro, mas ainda é menor do que um lobo por exemplo.

Grécia

Esta constelação representa um dos cães de Órion, o grande caçador; Entretanto, esses cães também são associados a Ártemis, a deusa da caça. Ártemis era a melhor caçadora que já existiu, e naturalmente foi a dona dos melhores cães de caça que ja existiram e que figuram nas constelações de Cão maior e Menor.

Entretanto, outro mito associa esta constelação a Virgem e Bootes. Icarius de Atenas adorava ao deus do vinho, Dionísio, e foi ensinado por ele a fabricar o vinho. Um dia Icarius ofereceu vinho a alguns pastores, que ficaram bêbados e decidiram lhe matar porque pensaram que ele havia tentado lhes envenenar. A filha de Icarius , Erigone, foi procurar seu pai acompanhada de sua cadela, Maera. Com ajuda de sua cadela, ela encontrou o corpo do pai morto e se suicidou em tristeza.

Dionísio ficou enfurecido com a cidade de Atenas e enviou contra ela um pestilência que causava insanidade em todas as mulheres virgens ou não casadas, levando todas elas ao suicídio. A praga perdurou enquanto Atenas não criasse rituais em homenagem a Icarius, e Dionísio colocou Icarius no céu como a constelação de Bootes, Erigone como a constelação de Virgem e a cadela Maera como a constelação de Canis Minor.

Monoceros, o Unicórnio

Apesar dessa constelação não aparecer nos livros tradicionais, que normalmente figuram somente as constelações listadas por Ptolomeu e Manilus, é interessante citar a criatura simbolizada nessa constelação e explicar sua origem.

Unicórnios eram abundantes nas representações artísticas da Europa Medieval e Renascentista. São um símbolo de pureza, porque são retratados como cavalos indomáveis e agressivos. Entretanto, o toque de uma donzela virgem os acalmava , e eles poderiam inclusive dormir no colo de uma donzela que os tocasse e acarinhasse.

Acredita-se que a lenda dos Unicórnios se originou a partir da descoberta de fósseis de parentes antigos dos rinocerontes no continente europeu, em especial do eslamotherium. O chifre dos narvais também era vendido como prova da existência de unicórnios.

Anatomia das Constelações de Cão Menor e Monoceros

Cão Menor é uma constelação de pequeno porte , que costuma ser melhor observada no verão e outono brasileiro. É visível em todo território nacional, ficando próxima do equador celeste. É facilmente identificável pelo brilho de sua estrela alfa, Procyon. Trata-se de uma estrela brilhante que fica ao sul da constelação de Gêmeos.

Gomeisa Beta (β) Canis Minoris22°29′ de Câncer
Procyon Alpha (α) Canis Minoris26°00′ de Câncer
Lucida Alpha (α) Monocerotis29°21′ de Câncer

Monoceros é uma constelação um pouco maior, mas que não forma asterismo. Algumas de suas estrelas são facilmente visíveis, mas a maioria delas é mais difícil de identificar. Uma característica dessa constelação é que ela ocupa uma posição equatorial no céu, se estendendo ao longo da via láctea.

Gomeisa, Beta (β) Canis Minoris, é uma estrela localizada na coleira do cão menor. O nome vem do árabe e significa “a que chora” ou “a de olhos lacrimejantes”. Isso ajuda a entender a conexão dessa constelação com água e afogamentos.

Procyon, Alpha (α) Canis Minoris é uma estrela localizada no corpo do cão menor. É a mais brilhante da constelação, e uma das mais brilhantes no céu, e se localiza numa região cercada de outras estrelas muito brilhantes das constelações de touro, Órion, Cão Maior e Leão. O nome é de origem grega , e significa “o cão que vem depois”, em alusão ao fato dela ascender depois de Cão maior.

Lucida, Alpha (α) Monocerotis, se localiza na calda do Unicórnio. Significa brilhante em latim. Entretanto, esse não é um nome oficial, apenas apareceu em algumas representações renascentistas.

Significado Astrológico da constelações de Cão Menor

Cão Menor é considerada uma constelação de natureza neutra. Ela indica amor aos animais , risco de mordedura de cães e é associada a água e afogamentos. Isso pode estar relacionado ao fato de ela estar como que na beira da via-láctea, com a via-láctea frequentemente sendo associada a um rio. Monocerus, como dito anteriormente, se localiza na região por onde passa a via-láctea naquela área.

Monoceros não apresenta significado conhecido , e como não apresenta estrelas muito brilhantes também, figura neste artigo apenas como mera curiosidade.

Dentre as estrelas de Cão Menor Gomeisa não parece ser muito afortunada, significando afogamento , naufrágios e outros incidentes envolvendo a água. Procyon porém, é considerada muito afortunada. É uma estrela ligada a sucesso, criatividade e fertilidade. Entretanto, ela conserva o sentido geral da constelação, alertando também para riscos envolvendo a água.

A constelação de Gêmeos

A constelação de Gêmeos (ou Gemini) é uma das constelações do zodíaco localizada na porção Norte do planisfério celeste, por onde passa a linha da eclíptica (o caminho anual percorrido pelo Sol) . Esta constelação atualmente marca o solstício de Verão no hemisfério Norte e o solstício de Inverno no hemisfério sul, correspondendo na realidade, em grande parte, com o signo de Câncer nos dias atuais.

Ela é facilmente reconhecível por ter um asterismo identificável, estrelas suficientemente brilhantes, e por ser vizinha de constelações ainda mais marcantes. Gêmeos fica próxima de Touro, Auriga, Órion, Cão Maior e Cão Menor, uma região particularmente importante do céu que conta com algumas das estrelas mais brilhantes.

Mitos associados a Constelação de Gêmeos

Egito, Mesopotâmia e Índia.

Na Mesopotâmia, mais precisamente entre os Assírios, existia uma dupla de divindades conhecida como Lugal-irra e Muslamta-ea que eram gêmeos e associados a portas, portões, caminhos , estradas e passagens. Eles guardava as portas do submundo , e eram responsáveis por cortar a ligação dos mortos com seus corpos para que eles pudesse entrar no submundo. Essa é a origem da representação dos Gêmeos para esta constelação , que depois foi assimilada na Grécia e na Índia.

Os egípcios em tempos antigos enxergava duas cabras nesta constelação. Eram associadas ao Deus Khnum, que tinha uma cabeça de cabra e foi uma das divindades antigas do rio Nilo, relacionado as suas cheias, adorado principalmente em Elefantina (atualmente Assuã). Com a influência Assíria e depois greco-romana, os egípcios modificaram sua representação da constelação e passaram a adotar os gêmeos divinos de outras culturas.

Na Índia existe uma dupla de Gêmeos que também é associada a essa constelação. A diferença é que os gêmeos indianos são de sexos diferentes. Um deles se chama Yama e a outra se chama Yami. A palavra yama significa gêmeo em sânscrito. Yama na mitologia hindu foi o primeiro homem a morrer, e em virtude do seu “pioneirismo”, tornou-se regente dos mortos.

O principal paralelo que encontramos entre Yama e Yami e a mitologia grega está no mito de Hades e Perséfone. Dessa forma, Os gêmeos, numa perspectiva hindu seriam os equivalentes ao que conhecemos por Hades e Perséfone, com a diferença de que além de Yama e Yami formarem o primeiro casal de todos, eles eram também irmãos gêmeos.

Mitologia Greco-Romana

Os gêmeos quase sempre são retratados como irmãos e jovens guerreiros. Na mitologia Greco-Romana a constelação de Gemini corresponde aos gêmeos Póllux e Castor, que por sua vez dão o nome para as principais estrelas da constelação. Também é relacionada a Hércules e Apolo, que não são gêmeos, mas são meio irmãos e talvez os dois filhos preferidos de Zeus. Apolo por sua vez tem uma irmã gêmea, Ártemis deusa da lua e da caça que frequentemente é associada ao signo oposto a Gêmeos, Sagitário.

Polux e Castor

Castor e Polux na mitologia grega são irmãos gêmeos filhos da mortal Leda, porém de país diferentes. Polux era filho de Zeus (sendo assim imortal) e Castor era filho de Tíndaro (Rei de Esparta), sendo assim um mortal. Inseparáveis, os dois irmãos eram chamados as vezes de Dióscorus (filhos de Zeus, apesar de somente um deles o ser de fato), as vezes de Castores. Etimologicamente seus nomes estão relacionados diretamente ao animal Castor da natureza, conhecido pela sua engenhosidade (é aquele animal que constrói represas com gravetos).

Leda era a rainha de Esparta, esposa de Tíndaro. Era uma mulher muito bela e íntegra, e por isso chamou atenção de Zeus, que se metamorfoseou em um Cisne para conquista-la. Zeus apareceu pra Leda na forma de Cisne quando ela se banhava em um lago. Encantada com a beleza do animal, ela o colocou no seu colo. Foi o suficiente pra que Zeus conseguisse fecunda-la. Existe uma constelação no céu (Cygnus, o Cisne) que representa Zeus metamorfoseado, simbolizando este evento peculiar.

Desse intercurso, nasceram 4 criança colocadas em 2 ovos que continham cada um deles um casal de irmãos: Pollux e Helena (filhos de Zeus) e Clitemnestra e Castor (Filhos de Tíndaro). Os filhos de Zeus foram adotados por Tíndaro e foram todos criados juntos e eram muito unidos. E a constelação de Gemini, representando especificamente Pollux e Castor por que eles eram figuras populares, considerados protetores dos navegantes.

Os Dióscorus eram como padroeiros de uma das cidades mais expressivas da cultura grega clássica, Esparta. Eram adorados ainda em diversas outras regiões da Grécia, em especial no Peloponeso. Pollux e Castor eram guerreiros muito valentes e um dos seus maiores feitos foi a expulsão dos piratas da costa da Grécia, onde lutavam completamente desarmados. Por esse motivo eram tidos como protetores dos navegadores.

Fizeram parte também da comitiva dos Argonautas na busca pelo velo de ouro. Como Castor era mortal, quando este morreu Pollux implorou por sua vida a Zeus solicitando que ele também lhe concedesse a imortalidade. Dessa forma Zeus teria os colocado no céu na constelação conhecida como Gemini.

Hércules e Apolo ou Hermes e Apolo

Hércules foi filho de Zeus com a mortal Acmena e é associado a Polux, o gêmeos imortal. Hércules foi um semideus e como tal, possuía poderes extraordinários como sua incrível força. Mas ele era mortal, e conquistou a imortalidade por conta de suas façanhas. É o herói que mais acumula mitos na Mitologia grega, e muitas constelações se relacionam com ele direta ou indiretamente como Câncer, Leão, Centauro e a própria constelação de Hércules.

Já Apolo é filho de Zeus com a deusa da maternidade Leto, e tem uma irmã gêmea, Ártemis. Ele costuma ser associado a estrela Castor. A ilha de Delos foi o local de nascimento de Apolo, e ele também presidia sobre o oráculo de Delfos. Delfos e Delos eram os dois principais locais de peregrinação na Grécia antiga, com complexos de templos dedicados a diversos deuses, mas sobretudo a Apolo e Ártemis. Eles eram assim venerados principalmente porque governavam sobre a saúde, Apolo dos homens, e Ártemis das mulheres.

Outra representação Grega enxergava nessa constelação os deuses Hermes e Apolo. Neste caso, Hermes seria Polux, e Apolo seria Castor. Esses dois deuses estão muito relacionados ao sentido do signo de Gêmeos em si. Hermes por ser o deus associado ao planeta que rege este signo, e Apolo por ser tido já como o guardião deste signo entre os romanos.

Anatomia da Constelação de Gêmeos

A constelação de Gêmeos é relativamente fácil de se localizar e a época em que fica mais visível no céu é a partir do mês de janeiro quando se ergue no horizonte logo após o por do sol. Continua ótima de se observar pelo menos até abri. Ela desaparece por volta do mês de Julho e passa a ser vista ascendendo antes do nascer do sol a partir do mês de agosto. Em Outubro ela ascendente por volta de meia-noite sendo possível observar essa constelação durante a madrugada.

Tem 514 graus quadrados de Área, sendo uma constelação de tamanho mediano e apresentando estrelas de brilho importante. Vejamos as estrelas com nome próprio que fazem parte desta constelação:

Propus eta (η)03°43′ de Câncer
Tejat Posterior mu (μ)05°35′ de Câncer
Alhena gamma (γ)09°23′ de Câncer
Mebsuta epsilon (ε)10°13′ de Câncer
Alzir xi (ξ)11°30′ de Câncer
Mekbuda zeta (ζ)15°16′ de Câncer
Wasat delta (δ)18°48′ de Câncer
Castor alpha (α)20°31′ de Câncer
Pollux beta (β)23°30′ de Câncer
Longitude calculada para 01/01/2021

Propus, eta (η) Geminorum, também chamada de Tejat prior, é uma estrela localizada no pé esquerdo de Castor, o gêmeos que fica à esquerda. Propus significa “pé à frente”.

Tejat Posterior, mu (μ) Geminorum, é uma estrela localizada na canela esquerda de Castor, bem próxima a Propus. Aparece com outros nomes como Dirah e Nuhatai. A palavra Tejat não tem um significado conhecido, mas vem do árabe.

Alhena, gamma (γ) Geminorum, é uma estrela localizada no pé Esquerdo de Polux, o gêmeos que fica à direita. O nome é uma corruptela de um termo árabe, Al maisan, que significa “aquele que marcha orgulhoso”.

Mebsuta, epsilon (ε) Geminorum, é uma estrela localizada no joelho direito de Castor. A palavra vem do árabe al Mabsuta, e significa “o estendido”.

Alzir, xi (ξ) Geminorum, é uma estrela localizada no pé direito de Pólux. O nome é árabe, al azir, e significa “o botão”

Mekbuda, zeta (ζ) Geminorum, é uma estrela localizada na Perna direita de Pólux. O nome é árabe , al Makbudah, e significa “pata contraída”. Esse nome estranho deriva do fato de que em tempos mais antigos, os árabes tinham uma constelação gigantesca chamada “Asad” que era um Leão que englobava estrelas das constelações de Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Auriga e Bootes, dentre outras. O nome da estrela Mebsuta parece vir disso também.

Wasat, delta (δ) Geminorum, é uma estrela localizada no braço direito de Castor. O nome da estrela é árabe, al wasat, e significa “o meio”. Isso se relaciona tanto ao fato dessa estrela ficar no meio da constelação quanto ao fato dela passar muito próxima da eclíptica. Foi passando próximo dessa estrela que o planeta Plutão foi descoberto em 18 de fevereiro de 1930, no auge da grande depressão.

Castor, alpha (α) Geminorum, é uma estrela localizada na cabeça do gêmeo da esquerda. É conhecida também como Apollon, nome dado pelos gregos, e Rasalgeuze de maneira mais incomum. Castor era o gêmeo mortal, e que foi imortalizado na constelação, e Apolo era um dos principais deuses da Grécia antiga, então o significado dessa estrela perpassa a mitologia dessas duas figuras.

Pollux, beta (β) Geminorum, é uma estrela localizada na cabeça do gêmeo da direita. Era chamada de Heraklees pelos gregos , e recebeu ainda outros nomes como Pugil, em referência ao fato de Pólux ser pugilista. Hércules , apesar de ser um mortal, conquistou a imortalidade em função de suas façanhas e era muito mais cultuado do que alguns deuses olímpicos como o próprio Ares por exemplo. Pólux era o gêmeo filho de Zeus e portanto imortal, mas escolheu passar a eternidade ao lado do seu irmão na forma de constelação.

Significado Astrológico da constelação de Gêmeos

Essa constelação tem significado positivo de uma maneira geral. Ela simboliza o equilíbrio entre mente e corpo. Um dos gêmeos simboliza a força física (Polux) e o outro a habilidade e a inspiração artística (Castor). Um é o herói grego conhecido pela sua força descomunal (hércules) e o outro é o deus da beleza, das artes e da medicina, e fonte do oráculo mais respeitado de toda a Grécia.

Evidentemente os nativos não serão necessariamente deuses em termos de força ou habilidades, mas as estrelas dessa constelação prometem sucesso nos esportes, em assuntos militares, assim como em questões estudantis e artísticas também. São pessoas versáteis e talentosas de uma maneira geral. Vale lembrar que essas estrelas ocupam atualmente longitudes zodiacais que correspondem ao signo de Câncer.

Pelo menos 5 estrelas são muito importantes: Propus, Alhena, Wasat e obviamente Castor e Pollux.

Propus é o pé de Castor localizada mais ao norte na constelação. Indica proeminência, grande capacidade de discernimento e habilidade pra se expressar de diversas maneiras.

Alhena é uma estrela que significa habilidades físicas e artísticas. A pessoa pode ser uma boa dançarina e ser muito inspirada em outras expressões artísticas.

Wasat , no meio da constelação, se localiza em um ponto da constelação de Gêmeos em que os braços dos dois gêmeos se unem. Ela seria um indicativo de preguiça e de habilidades que existem mas são desperdiçadas.Tendem a ser pessoas particularmente gregárias , com muitos amigos.

Castor é a estrela alfa da constelação de Gêmeos e está localizada na região onde fica a cabeça de um dos gêmeos, Castor (ou Apolo). É uma estrela que prenuncia muitas viagens, habilidades diversas e inteligência em múltiplas áreas. Tem natureza de Mercúrio e Júpiter e pode significar o risco de ferimentos em um dos braços. A pessoa pode ter um talento natural para música, poesia, teatro ou literatura de uma maneira geral.

Pollux é a estrela Beta da constelação de Gêmeos e está localizada na região que corresponde a cabeça de Pollux (Hermes, ou ainda Hércules). Sua natureza marciana casa com a analogia feita com Hércules. Indica um comportamento agressivo, força física, resistência, mãos habilidosas o que seria indício de habilidade para artes marciais e esportes em geral. Podem ser pessoas literalmente fortes como Hércules, podendo ter sucesso em esportes como fisiculturismo. Pode indicar sucesso com questões militares e facilidade em lutas marciais. A pessoa poderia estar muito sujeita às provocações, se encolerizando com facilidade, e direcionar essa agressividade para os esportes seria a saída mais inteligente.

A constelação de Aquário

A constelação de Aquário, ou Aquarius, fica localizada no hemisfério sul celestial , próxima da eclíptica , e é uma das constelações zodiacais. Em algum momento entre o século XX e o século XXII, o ponto vernal vai migrar para esta constelação, dando início a chamada “Era de Aquário”. Fica próxima de Peixes, Pegasus, Cetus, Peixe Austral e Capricórnio,pra citar os vizinhos mais importantes.

É importante lembrar porém, que a criação das era com base na precessão dos equinócios, é algo relativamente novo. Foi proposto por teosofistas e rosacrucianos no final do século XIX, sem base nenhuma na astrologia tradicional. O maior problemas dessas eras é que elas esbarram na arbitrariedade da definição da área de cada constelação. É por isso que existem tantos cálculos diferentes , varia de acordo com o planisfério celeste que se adota como base, além de diferentes métodos de cálculo.

Mitos associados a constelação de Aquário

Aquário é uma constelação muito antiga. No Egito era associada a divindade andrógina Hapi que era uma das personificações do rio Nilo. Na Mesopotâmia, ao deus Ea da Babilônia , o deus das águas, e era associada as enchentes dos rios Tigre e Eufrates, que eram frequentemente muito destrutivas. Na Grécia antiga, estava relacionada a dois personagens: Ganimedes, o príncipe troiano raptado por Zeus para viver no Olimpo, e Deucalião, o sobrevivente do grande dilúvio que foi enviado pelos deuses para a destruição da terra. Para os árabes tinha um significado muito afortunado porque apontava a época em que chovia nos desertos da Arábia.

Egito

No antigo Egito essa constelação está relacionada ao próprio rio Nilo, fonte da vida e também da destruição para aquele povo, cujos ciclos de vida estavam ligados as enchentes daquele rio. O Nilo era personificado por uma divindade, Hapi, que era um homem com características femininas: Tinha seios e uma barriga pronunciada, ao mesmo tempo em que usava uma barba cerimonial em suas representações.

Era um símbolo da fertilidade do próprio Nilo e a adoração a esse deus era importante porque era a ele a quem se pedia por uma colheita favorável e fartura de peixes. Os egípcios associavam secas ou enxentes destrutivas a uma adoração insuficiente a Hapi. Na época do Egito antigo (ao redor de 2000 AC) o solstício de inverno ocorria com o sol nessa constelação, e ela era uma das que ficava mais ao sul, sendo associada a nascente do próprio Nilo que fica em direção ao sul de Mênfis e Assuã, principais centros culto.

Mesopotâmia

Na Mesopotâmia , essa constelação era associada ao deus das Águas, Enqui. Essa divindade Sumeriana governava a água doce e estava relacionado aos rios e chuvas , e portanto tinha um link evidente com noções de fertilidade. Era a água que fertilizava os solos mas era também a água que causava as por vezes violentas cheias dos rios Tigres e Eufrates, que deformavam a geografia da região e arrasavam vilarejos inteiros.

Mais tarde esse deus ficou conhecido como Ea pelos Acadianos e posteriormente babilônicos, e é representado na constelação de Aquário como o Aguardeiro que fertiliza e que também destrói.

Grécia

Uma das representações desta constelação é Ganimedes. Ganimedes era o mais belo dentre os mortais, um jovem príncipe Troiano que chamou a atenção de Zeus pela beleza. Zeus era famoso por não poupar nem mulheres e nem homens de sua infinita disposição para a cópula. Algumas versões do mito falam que Zeus envia uma águia para raptar Ganimedes, outras versões falam que o próprio Zeus se transformou em águia.

O fato é que Zeus raptou o jovem Ganimedes e o levou para viver no Olimpo, onde ele passou a eternidade servindo o vinho para os deuses. Em agradecimento ao serviço prestado aos deuses, Ganimedes teve a honra de ser eternizado na forma da constelação de Aquário. A águia que o raptou está na constelação da Águia, que fica relativamente próxima.

Outro mito grego associado a esta constelação é o mito de Deucalião. Deucalião era filho de Prometeu , que ouviu sobre o descontentamento dos deuses com a raça dos mortais e do plano deles para a sua destruição. Zeus queria convocar uma tempestade tão grande que inundaria completamente o mundo, não permitindo nenhum sobrevivente. Prometeu, um inveterado transgressor, que já havia roubado o fogo dos deuses e o dado de presente para a humanidade, correu para alertar o seu filho.

Sabendo do que aconteceria, Deucalião construiu uma arca e assim sobreviveu ao dilúvio. Ele e sua esposa foram os responsáveis pela repovoação do planeta. O paralelo com a mitologia hebraica e Arca de Noé é notório, e haviam lendas sobre dilúvios apocalípticos em várias outras culturas. Zeus , não sabendo que Deucalião tinha um informante, ficou admirado com a a proeza dele em sobreviver aquela danação, e o transforma na constelação de Aquário.

China

Na astronomia Chinesa, o que era visto nesta constelação era uma das maiores constelações dos chineses , formada por quase todas as estrelas da constelação de Aquário: Yu-lin-kiun , o exército do Imperador Yu-Lin. Como as estrelas dessa região são pouco brilhantes, mas numerosas, os antigos associavam ela a um exército. Os chineses se imaginavam donos do exército mais numeroso da face da terra, e a julgar pelo fato de sempre terem ostentado a maior população desde a antiguidade, provavelmente não estavam muito distantes da realidade nesta crença.

Anatomia da constelação de Aquário

Aquário é décima maior constelação do céu, com 980 graus quadrados de área. É uma constelação completamente invisível para as áreas do polo norte da terra. Ela começa a ficar observável a partir do outono do hemisfério sul, ascendendo antes do sol. A melhor época para observação é a partir de agosto quando ela começa a ascender logo após o por do sol, ficando bem visível de agosto até janeiro. Em dezembro essa constelação se encontra no zênite assim que o sol se põe.

Aquário é uma constelação de pouco destaque em função do baixo brilho de suas estrelas e pela ausência de um asterismos de fácil identificação. O melhor ponto de referência que podemos encontrar é a constelação de Pegasus com seu quadrado característico. Se encontrar Pegasus, significa que a constelação de Aquário já está completamente visível, posicionada um pouco mais a frente, já que a estrelas de Aquário ascendem antes de Pegasus. Outra constelação que ajuda a identificar Aquário é Capricórnio que forma um asterismo em formato aproximado de triângulo, e que sempre ascende antes de Aquário.

Uma curiosidade é que existe uma chuva de meteoros periódica na constelação de Aquário que é resquício da última passagem do cometa Halley em 1986. Vejamos as principais estrelas de Aquário:

Albali epsilon (ε)12°00′ de Aquário
Sadalsuud beta  (β)23°41′ de Aquário
Ancha theta (θ)03°33′ de Peixes
Sadalmelik alpha (α)04°01′ de Peixes
Sadalbachia gamma (γ)07°00′ de Peixes
Skat delta (δ)09°09′ de Peixes
Situla kappa (κ)09°42′ de Peixes
Hydor lambda (λ)11°52′ de Peixes

Albali, epsilon (ε) Aquarii, é uma estrela localizada na mão esquerda do Aguadeiro. Ela fica bem próxima a constelação de Capricórnio. O nome vem do árabe, Al Sa’d al Bula’, e deriva dessa proximidade com Capricórnio: O Asterismo triangular de Capricórnio era visto como uma boca aberta que engolia essa e outras estrelas ao redor da mão esquerda do aguadeiro. Significa literalmente “A sorte do engolidor”

Sadalsuud, beta  (β) Aquarii, localizada no ombro esquerdo do Aguadeiro, essa é a estrela mais brilhante da constelação. O nome é árabe, Al Sa’d al Su’ud, “A sorte das sortes” e essas referências a sorte são uma constante nas estrelas de Aquário e também de outras constelações próximas. Esse local era visto como afortunado porque demarcava os raros momentos de chuva no deserto árabe ao final do inverno e início da primavera. Outros nomes pra ela são Kakkab Namax na babilônia, “a estrela do futuro poderoso” e Fortuna Fortunarum no latim.

Ancha, theta (θ) Aquarii, é uma estrela localizada no quadril do Aguadeiro, e significa literalmente “quadril”.

Sadalmelik, alpha (α) Aquarii, é uma estrela localizada no ombro direito do Aguadeiro, aquele que suporta o vaso com água. O nome vem do árabe , Al Sa’d al Malik ,e significa “a sorte do rei”. Apesar de ser a estrela alfa da constelação, não é a mais brilhante. O equador celeste passa a 1° de distância dela.

Sadalbachia, gamma (γ) Aquarii, é uma estrela localizada na mão direita, que segura o vaso com água do Aguadeiro. O nome é árabe Al Sa’d al Ahbiyah, significando “a sorte das coisas escondidas”.

Skat, delta (δ) Aquarii, é uma estrela localizada na canela direita do Aguadeiro . O nome significa “perna”. Era associada ao herói sobrevivente do dilúvio mítico dos babilônicos.

Situla, kappa (κ) Aquarii, é uma estrela localizada no vaso cuja água o Aguadeiro derruba. O nome significa balde, e vem do latim.

Hydor, lambda (λ) Aquarii, é uma estrela localizada na água derrubada pelo Aguadeiro. O nome é grego e significa literalmente “água”.

Significado Astrológico das estrelas da Constelação de Aquário

A maioria das estrelas é atribuída a natureza de Saturno e Mercúrio, e é uma constelação com uma reputação positiva. Poucas estrelas porém devem ser consideradas, porque a maioria delas possui um brilho pouco expressivo. Essa constelação indica pessoas que tem sucesso nos seus relacionamentos, tanto íntimos quanto os mais informais. Também está relacionada a engenhosidade e inteligência.

Sadalsuud, por ser a mais bilhante, é evidentemente a mais importante estrela da constelação. Note porém, que ela é a mais brilhante num contexto de estrelas muito tímidas. De maneira geral, é uma estrela de magnitude alta (o que implica em brilho baixo). Ainda assim é visível a olho nu. Ela significa civilidade, boa educação, boa aparência, sorte nas questões sociais e no casamento, mas dificilmente alguém que se destaca ou que é reconhecido, sendo destinado a uma vida tranquila. É reputada como uma estrela ruim para reis ou reinos. Fica ao redor de 23° de Aquário atualmente.

Sadalmelik, é a estrela alfa e a segunda mais brilhante da constelação de Aquário. Note que ela ocupa quase a mesma longitude de uma outra estrela excepcionalmente afortunada, Fomalhaut , ambas localizadas atualmente em 04° de Peixes. Sadalmelik expressa os significados positivos de Aquário, indicando civilidade e boas relações sociais, mas Fomalhaut tende a intensificar os benefícios , prometendo sucesso material e uma boa reputação, além de sabedoria e inteligência.

A constelação de Pegasus

Também chamada de Hippos pelos gregos, a constelação de Pegasus é associada ao cavalo alado da mitologia grega, filho de Medusa e Posseidon. É uma constelação localizada no hemisfério norte do céu, próxima a Andrômeda, Aquário, Peixes, Cavalo Menor, Delphinos, Lacerta e vulpecula.

Sua principal característica é um asterismo bem definido que acaba se destacando pelo fato de a maioria das constelações ao redor de Pegasus serem formadas por estrelas pouco brilhantes. Esse asterismo é formado pelas 3 principais estrelas de Pegasus e mais a Alfa de Andrômeda, que já apareceu no passado integrando Pegasus. Esse asterismo tem o formato de um quadrado e é muito útil para localizar as constelações de Andrômeda, Peixes e Aquário.

Neste artigo também abordaremos a constelação de Cavalo menor, ou Equuleus, que é uma pequena constelação adjacente a Pegasus, que não tem estrelas muito brilhantes sendo bem difícil de se encontrar a olho nu.

Mitos sobre a Constelação de Pegasus

De acordo com um dos mitos sobre a Medusa e que relatam o nascimento de Pegasus, ele é o fruto do estupro cometido por Posseidon contra Medusa. Ela ainda era humana quando isso aconteceu, e foi punida pela deusa Atena pela transgressão de entrar no templo da deusa não sendo mais uma virgem. Quando Perseu decapitou Medusa, do sangue derramado em contato com o solo emergiu Pegasus, já adulto.

Uma das características mais emblemáticas de Pegasus , além de suas asas, era o fato de que todo o solo que ele tocava se fertilizava. A região onde Pegasus nasceu era inóspita, mas assim que ele tocou aquele solo, a região transformou-se num bosque primaveril. Isso talvez se deva ao fato de que a primeira aparição matutina de Pegasus ocorria durante os primeiros dias da primavera no hemisfério norte.

Pegasus foi eventualmente domado pelo herói da cidade de Corinto, Belerofonte, com ajuda de Atena e Posseidon, seu pai. Na verdade, Belerofonte e Pegasus eram irmãos de acordo com algumas versões do mito de nascimento de Pegasus. Cavalgando Pegasus, Belerofonte conseguiu matar a monstruosidade conhecida como Quimera, transformando-se em herói.

Com o tempo e depois de várias outras proezas, Belerofonte começou a se tornar arrogante, e teve a ideia de voar com Pegasus até o monte Olimpo. Ofendido com a hubris do heróis, Zeus envia uma vespa para picar Pegasus e assim derrubar Belorofonte. A deusa Atena porém considerou que a morte não era punição suficiente para o transgressor, fazendo com que o chão fique macio e amortecendo o impacto, que não mata, mas o aleija. Belerofonte terminou seus dias mendigo e aleijado, procurando por Pegasus.

Zeus guardou Pegasus em seu estábulo e lhe conferiu a responsabilidade de carregar os seus raios. Finalmente ele foi transformado em constelação como forma de agradecimento de Zeus pelo seu serviço.

Mitos sobre a constelação de cavalo menor

A constelação do Cavalo menor costuma ser associada ao cavalo mitológico Celeris, filho ou irmão de Pegasus. Este cavalo foi dado de presente pelo deus Mercúrio ao Herói Castor, um dos Dióscoros. Ele também é referido como o cavalo oferecido por Posseidon a cidade de Atenas durante a disputa pela soberania sobre a cidade, que foi vencida pela deusa Atena.

Anatomia de Pegasus e Cavalo Menor

Pegasus é a sétima maior constelação do céu, com 1121 graus quadrados de área. Apresenta um asterismos em forma de quadrado , o que a torna fácil de se localizar. Ela é visível em todo o território brasileiro, se localizando na parte mais ao norte do céu. O Melhor momento pra observa-la é quando o signo de Peixes ocupa o meio do céu. Isso ocorre em dezembro assim que o sol se põe. A melhor época para observação é a primavera do hemisfério sul, outono do hemisfério norte. Em setembro ela ascende após o por do sol, e se torna mais visível na medida em que se aproxima a meia-noite.

A constelação de Equuleus, ou Cavalo menor, é a segunda menor constelação do céu, e tem estrelas pouco brilhantes. Ela está sempre à frente de Pegasus.

Abaixo as estrelas que são nomeadas nas constelações de Equuleus e Pegasus:

Kitalpha Alpha (α) Equulei23°24′ de Aquário
Enif Epsilon (ε) Pegasi02°10′ de Peixes
Biham theta (θ) Pegasi07°07′ de Peixes
Jih kappa (κ) Pegasi 09°13′ de Peixes
Homam zeta (ζ) Pegasi16°26′ de Peixes
Sadalpheretz lambda (λ) Pegasi23°21′ de Peixes
Markab alpha (α) Pegasi23°46′ de Peixes
Sadalbari mu (μ) Pegasi24°40′ de Peixes
Matar eta (η) Pegasi26°00′ de Peixes
Scheat beta (β) Pegasi29°39′ de Peixes
Kerb tau (τ) Pegasi01°20′ de Áries
Algenib gamma (γ) Pegasi09°26′ de Áries
Posição calculada para 01/01/2021

Kitalpha, Alpha (α) Equulei, É a principal estrela da constelação do Cavalo menor. Não se trata de uma estrela muito brilhante, mas é a mais brilhante daquela constelação. O nome vem do árabe Al Kitah al Faras, e significa “parte do cavalo”.

Enif, Epsilon (ε) Pegasi, é uma estrela localizada no focinho de Pegasus. O nome vem do árabe, Al Anf , que significa “o nariz”.

Biham, theta (θ) Pegasi,é uma estrela localizada na cabeça de Pegasus . O nome tem origem persa e signfica afortunada (dentre os cavalos).

Jih, kappa (κ) Pegasi,é uma estrela localizada ao norte da constelação de Pegasus, marcando um dos seus cascos.

Homam, zeta (ζ) Pegasi, é uma estrela localizada no pescoço de Pegasus. O nome vem do árabe Sa’d al Humam, e significa a afortunada estrela do herói, talvez porque era no pescoço que Belorofonte se agarrava enquanto montava Pegasus, que não aceitava rédeas.

Sadalpheretz, lambda (λ) Pegasi, é uma estrela localizada no peito de Pegasus, bem próxima de Sadalbari. Significa “sorte do cavalo”.

Markab, alpha (α) Pegasi, é uma estrela localizada no lombo de Pegasus, onde ficaria a sela de montaria. A palavra Markab é árabe e significa sela. Essa é a estrela mais brilhante da constelação.

Sadalbari, mu (μ) Pegasi, é uma estrela localizada no peito de Pegasus. O nome vem do árabe Sa’d al Bari, “a boa sorte do extraordinário”.

Matar, eta (η) Pegasi, é uma estrela localizada no joelho direito de Pegasus. O nome vem do árabe , Al Sad al Matar, e significa “a chuva afortunada”.

Scheat, beta (β) Pegasi, é uma estrela localizada na perna direita de Pegasus, no que seria o “ombro” do cavalo. É a segunda estrela mais brilhante da constelação, e se localiza na parte do corpo dos cavalos que é a sua maior força e ao mesmo tempo ponto fraco. Outro nome para esta estrela é Menkib. Scheat é um nome derivado do árabe, Al Sā’id, e significa Ombro.

Kerb, tau (τ) Pegasi, é uma estrela localizada no abdomen de Pegasus.

Algenib, gamma (γ) Pegasi, é uma estrela localizada na ponta das asas de Pegasus. O nome pode derivar de Al Janah, “a asa”. Integra o asterismos quadrilátero de Pegasus assim como Markab e Scheat.

Significado astrológico de Pegasus e Equuleus

A primeira coisas que precisamos observar sobre Pegasus, é que no planisfério celeste, ela aparece de ponta-cabeça. Isso é uma alusão ao fato de que belerofonte é derrubado da constelação. Pegasus é fruto da união entre Medusa, que personifica a absoluta frieza e racionalidade de Atena , e Posseidon que representa as emoções arrebatadas e caóticas simbolizadas pelo mar e as tempestades.

As estrelas de Pegasus simbolizam ambição e engenhosidade para lidar com desafios, temeridade, ousadia e ao mesmo tempo arrogância e humilhações decorrentes dela. A vida de quem tem essas estrelas em evidência pode ser comparada a uma montanha russa com vitórias legendárias seguidas de quedas brutais, e com motivações estúpidas e vergonhosas.

Belerofonte e Pegasus são um dos casos mais emblemáticos da mitologia para ilustrar o conceito grego de Húbris, que é a infração cometida por alguém que ignora os limites entre quem se é e até onde se pode ir, e termina cometendo um excesso. Quem comete húbris o faz ao ir em direção a algo que não está em seu destino ou que não é de sua alçada, e termina sendo punido pelos deuses pela arrogância. A pessoa é forçada, geralmente por uma humilhação, a retroceder para dentro de seus limites. Geralmente ela não perde nada que ela de fato possuía, mas sim aquilo que não era de sua alçada.

É o que acontece com Belerofonte, que não entendia que ele em si mesmo não possuía poder algum: O poder quem possuía o tempo todo era Pegasus. Ao atingir o cúmulo da arrogância, que é um mortal ousar ascender até o Olimpo sem ser convidado pelos deuses, ele foi punido exemplarmente, e Pegasus foi viver no Olimpo.

Estrelas mais importantes de Pegasus e seus efeitos

As estrelas mais importantes em Pegasus são Markab, Scheat e Algenib: alfa, beta e gamma Pegasi. São as três estrelas de Pegasus que integram o asterismo em quadrado, com a outra sendo a alfa de Andrômeda.

Markab expressa de maneira típica os significados de Pegasus: Grande ambição e capacidade de lidar com crises terríveis, e ao mesmo tempo uma arrogância que pode levar a queda da pessoa. Essa queda porém não precisa ser definitiva, e deve ser encarada pela pessoa como uma oportunidade de aprender sobre humildade.

Scheat é aparentemente a de natureza mais maléfica: A impetuosidade da pessoa pode colocar ela em risco não apenas de humilhações, mas de situações que ameaçam sua vida. Podem haver comportamentos de auto-sabotagem pronunciados. É uma estrela associada ao suicídio ou a comportamentos que dilapidam a saúde da pessoa e a expõe a riscos desnecessários.

Algenib é a que tende a produzir os autos e baixos mais expressivos. Afinal, ela marca justamente as asas de Pegasus. Indica sucesso nos esportes ou em carreiras marciais , e ao mesmo tempo a possibilidade da pessoa ser resumida em alguns momentos a depender da generosidade de amigos e familiares, para ascender novamente logo depois.

A constelação de Auriga

A constelação de Auriga (ou Cocheiro) fica localizada no hemisfério norte do céu, localizada numa região próxima das constelações de Touro e Gêmeos. Faz limite ainda com Perseu, Lince e Camelopardalis. É o local onde se localiza o anti-centro da Galáxia, a 180° de distância do centro localizado na Constelação de Sagitário. A imagem tradicional da constelação é a de um homem , um cocheiro, que tem uma cabra no colo, associada a Almathea, além dos dois filhotes que ela teve de deixar de lado para amamentar a zeus. Teve outras representações em culturas vizinhas a grega: Os Assírios viam ali uma carruagem, e os babilônicos viam uma cimitarra.

Seu asterismo apresenta um padrão característico em forma de Pentágono, o que a torna uma constelação fácil de se localizar especialmente no hemisfério norte. É uma constelação circumpolar , o que a torna visível o ano inteiro em praticamente todas as latitudes no hemisfério norte. Ela é visível no Brasil, mas se localiza na borda norte do céu, podendo ser vista princialmente no verão. Aqui no hemisfério sul o fato de ela aparecer próxima do horizonte norte pode fazer sua observação mais difícil por interferência da poluição luminosa. É totalmente invisível no polo sul.

Mitos da Constelação de Auriga

Na mitologia grega, essa constelação representa Erictônio de Atenas, um rei mítico da cidade de Atenas. Filho de Hefesto e Atena , ou de Hefesto e indiretamente Gaia, mas tendo sido criado por Atena. O deus Hefesto após ser rejeitado em seu desejo por Afrodite que acabara de o trair com Ares, se apaixona pela deusa Atena, e tenta lhe estuprar. Mas a deusa procura defender sua castidade e Hefesto tem seu desejo mais uma vez frustrado. Não conseguindo penetra-la, finalmente ejacula sobre o corpo da deusa. Ela procura se limpar rapidamente, enojada, e o semen de Hefesto ao tocar o chão (gaia) da origem a uma criança, Erictônio.

Atena fica maravilhada com aquilo e recolhe a criança. Em algumas fontes, a própria deusa cria erictônio lhe ensinando todas as artes e ofícios que são seus atributos. Erictônio teria inventado a carruagem que era puxada por quatro cavalos, imitando a carruagem do próprio Hélios. Ele daria origem a dinastia de reis da cidade de Atenas e teria dado origem ao culto de Atena na cidade.

Essa constelação também era associada ao próprio deus Hefesto , que era o inventor do Olimpo, e que teria inventado a carruagem como meio de transporte para si. Hefesto é também o deus do fogo , o que poderia justificar sua presença nessa constelação , porque ela começa a aparecer antes do nascer do sol no hemisfério norte justamente durante os meses mais quentes do ano. Ela também as vezes é vista como o herói Belerofonte, que teria sido colocado no céu após sua queda do monte Olimpo. Entretanto , isso é incompatível com a maioria das versões do mito de Belerofonte, onde ele era condenado a sobreviver como um indigente por punição pela sua arrogância.

Uma visão mais macabra dessa constelação vê nela o irmão de Medeia, que foi esquartejado por ela no mito dos Argonautas. Quando Jasão e os argonautas fugiram da Cólquida com o Velocínio de ouro, Medeia decide levar junto seu irmão, sabendo que o rei Eetes viria no encalço deles. Ela esquarteja o próprio irmão e vai jogando os pedaços do corpo no mar para atrasar seu pai que parava no caminho para ir recolhendo os membros. As estrelas da constelação de Auriga representariam cada uma das partes do corpo esquartejado do irmão de Medeia.

Na China, curiosamente era visto na região desta constelação também um cocheiro mas com sua carruagem , eram as carruagens do imperador. Para índios brasileiros o asterismo dessa constelação, somado a touro e outras estrelas próximas formavam um jacaré.

Anatomia da Constelação de Auriga

Auriga tem 657 graus quadrados o que faz dela uma constelação razoavelmente grande. Entretanto, seu asterismo principal em forma de Pentágono ocupa uma área bem menor do que isso. Na área dessa constelação existem muitas galáxias que costumam ser alvo de observação de astrônomos amadores especialmente no hemisfério norte, onde a observação é privilegiada, mas a maioria delas não pode ser notada a olho nu.

Ela não é difícil de ser localizada. Em janeiro ela costuma estar bem visível aqui no Brasil especialmente próximo da meia noite. Aqui no hemisfério sul sua visualização é melhor quando a constelação de Touro culmina, o que equivale aos momentos em que o signo de gêmeos se encontra no meio do céu. Inclusive, a estrela Beta tauri (el Nath) por se localizar nos limites desta constelação, as vezes é incluída na constelação de Auriga com a designação de gamma aurigae. Vejamos as estrelas desta constelação que recebem denominação própria:

Hasseleh Iota (i)16°55′ de Gêmeos
Hoedus 1 Zeta (ζ)18°55′ de Gêmeos
Hoedus 11 Eta (η)19°44′ de Gêmeos
Capella Alpha (α)22°08′ de Gêmeos
Menkalinan Beta (β)00°12′ de Câncer
Prajapati Delta (δ)00°12′ de Câncer
Mahasin Theta (θ)00°14′ de Câncer
Longitude das estrelas para 01/01/2021

Hasseleh, Iota (i) Aurigae, é uma estrela localizada no pé esquerdo do Cocheiro. Em árabe o nome é Al Ka’b dhi’l ‘Inan, que significa “A canela do que conduz a carruagem”. Beta Tauri (El Nath) as vezes aparecia com uma designação semelhante a essa de Hasseleh, marcando o pé direito do cocheiro e formando a base do pentágono do asterismo.

Hoedus 1, Zeta (ζ) Aurigae, é um estrela no centro do asterismo de Auriga marcando a localização de uma das criança. Na verdade essas “crianças são os filhotes de Almatea que ela teve que deixar de lado para dar de mamar a Zeus. É importante ressaltar porém, que essa representação das crianças é inconsistente ao longo da história.

Hoedus 11, Eta (η) Aurigae,é uma estrela no centro do asterismo de Auriga, marcando a localização do outro filhote. Essas duas estrelas, Hoedus 1 e 11 , são chamadas coletivamente de Haedi, termo árabe que significa crianças.

Capella, Alpha (α) Aurigae, É a estrela mais brilhante da constelação de Auriga e uma das mais brilhantes dentre todas as estrelas (a sexta). Ela marca a cabeça da cabra Amalthea, com o termo Capella vindo do latim, e significando cabra. Fica na esquerda do asterismo em pentágono. Amalthea já foi um nome antigo desta estrela.

Menkalinan, beta (β) Aurigae, é uma estrela localizada no ombro esquerdo do Cocheiro. O nome tem origem árabe, Al Mankib dhi’l ‘Inan, “O ombro do cocheiro.

Prajapati, Delta (δ) Aurigae, é uma estrela localizada na cabeça do cocheiro. Não tem designação tradicional na astronomia árabe ou grega, com esse nome derivando da astronomia indiana. Significa em sânscrito “senhor de todas as coisas criadas”.

Mahasin, Theta (θ) Aurigae, é uma estrela que se localiza na mão do cocheiro que segura as rédeas da carruagem. O nome vem do árabe e significa “pulso”. Está no lado direito do pentágono.

Significado astrológico da constelação de auriga

Auriga tem uma má reputação na tradição. Sua estrela alfa capella, que é sua estrela mais importante, porém, não parece ser tão ruim. Melkalinan também tem algum destaque. De modo geral , os que são influenciados por essa constelação são cautelosos mas mesmo assim muito curiosos, o que os leva a aprender constantemente. A curiosidade é o que termina os expondo ao perigo, onde eles podem descobrir informações que os comprometem e os prejudicam, e podem sofrer de ansiedade. A natureza da constelação é predominantemente Mercuriana com uma influência de Marte.

Essa parte da curiosidade problemática no significado da constelação pode estar relacionada a um elemento macabro em sua mitologia. Durante o tempo em que Atena cuidou de Erictônio, enquanto ele era bebê, ela o manteve dentro de uma jarra com ordens para os seus sacerdotes para que nunca olhassem ali dentro. Duas das sacerdotisas de Atena porém , não suportaram a curiosidade e espionaram a jarra. O que elas viram ali dentro lhes causou tamanho terror que elas enlouqueceram e se atiraram do alto da Acrópole. Alguns dizem que uma serpente ficava enrolada ao corpo do bebe , lhe amamentando, relacionando Atena a serpentes (como no mito da Medusa).

Capella pode aparecer com proeminência no mapa de jornalistas, professores e pesquisadores. São pessoas de espírito curioso e inquieto , impacientes por novidades e que por isso realizam descobertas que podem ser importantes para o seu meio social. Especialmente se ela aparecer em conjunção com Ascendente, Meio-do-céu ou mercúrio. Em conjunção com a lua , pode significar uma curiosidade que deixa o nativo muito ansioso. Devemos lembrar que um dos atributos seja de Erictônio, seja de Hefesto, era sua engenhosidade. E assim tendem a ser os marcados por esta estrela durante o nascimento.

Melkalinan é uma estrela inespecificamente maléfica, de natureza marciana e mercuriana. Entretanto ela não aparece como muito importante. Ela acaba tendo o sentido geral da constelação.

A constelação de Touro

A constelação de Touro (ou Taurus), a que deu origem ao nome do signo de Touro é uma das mais importantes desde tempos imemoriais. É também uma das mais fáceis de se localizar, por conta da presença de 2 aglomerados estelares que tornam a região dessa constelação especialmente estrelada. Além disso, a estrela Aldebaran (Alfa desta constelação) é bem fácil de se identificar no céu, por ser bem brilhante e ter uma tonalidade alaranjada. Por conta disso era conhecida entre os gregos como Tocha.

Caso queira saber rapidamente onde está o touro, basta procurar pelas três marias (cinturão de Órion) , e olhar em linha reta em direção a esquerda (do ponto de vista do hemisfério sul) e procurar por uma estrela laranja bem brilhante. A própria forma da constelação de Touro é inconfundível, pois tem o formato aproximado de um Y. Na verdade Os dois chifres do touro correspondem as linhas paralelas superiores deste Y, O aglomerado das Híades corresponde a cabeça do touro (estando Aldebaran localizado onde estaria um dos olhos do Touro) com as Plêiades estando localizadas na região do corpo deste touro.

Mitos Relacionados a Constelação de Touro

Na antiguidade o Touro era um símbolo de abundância e fartura, especialmente porque sua fêmea, a vaca , dava o leite, além da carne em abundância e do couro. Junto das cabras, porcos, ovelhas e cervos, o Touro e sua versão castrada, o boi, eram muito usados em sacrifícios aos deuses. Entre os romanos , egípcios e gregos, o Touro era sempre sacrificado em homenagem a divindade principal. Zeus no caso dos Gregos, Júpiter no caso dos Romanos, Ossíris no caso dos egípcios.

Os templos de Zeus por exemplo, tinham altares com montanhas de cinzas que restavam destes sacrifícios. Era na realidade uma grande festa comunitária, porque comodamente, os deuses tinham preferência somente pelas partes do animal que não são consumidas por humanos (como ossos, tendões e camadas mais grossas de gordura). Esses rituais de sacrifício eram na realidade uma boa oportunidade pra se comer refeições ricas em proteína.

Mitologia Grega

O Touro referido nesta constelação pode ser o próprio Zeus, Deus dos deuses, disfarçado neste animal pra seduzir a bela Europa, filha de Cadimo, um rei Fenício da cidade de Tiro (que hoje fica no Líbano). Zeus transformou-se em touro principalmente pra que sua esposa, Hera, não percebesse mais esta sua aventura romântica. Zeus levou Europa, ainda transformado em Touro, até a ilha de creta pelo mar. Um dos principais atributos de Zeus é a fertilidade, ele foi o grande pai do Olimpo tendo incontáveis amantes de todos os sexos e procedências e tendo gerado muitos filhos. Em Creta, Zeus e Europa tiveram 3 filhos, dentre eles Minos, o que teria sido o primeiro dos reis de Creta.

O reinado de Minos estava sob disputas e para sair vitorioso de suas contendas, Minos decidiu fazer um acordo com o Deus Posseidon, pedindo que este fizesse um Touro emergir do oceano, que seria sacrificado em sua honra pra assim o deus ajuda-lo com suas disputas políticas. Posseidon aceitou o acordo e enviou para Minos o Touro mais belo, mais forte, mais robusto e mais manso que ja existiu. Encantado pela criatura, Minos decidiu trair a confiança de Posseidon, tentando engana-lo ao colocar o Touro presenteado escondido em seu estábulo e sacrificando um outro em seu lugar. Como punição, Posseidon fez com que o Touro enlouquecesse, tornando-se incontrolável. Afrodite também quis punir a desonestidade de Minos fazendo com que sua esposa, Pasífae, ficasse perdidamente apaixonada pelo touro.

Para que ninguém soubesse de seu desejo secreto pelo animal, Pasífae recebeu ajuda de um famoso inventor ateniense, Dédalo(pai de Ícaro), que estava naquela altura exilado em Creta devido ao seu envolvimento em um assassinato em Atenas. Dédalo ajudou Pasífae em sua “história de amor” com o Touro criando para ela uma máquina que possibilitaria a cópula entre ela e o Touro de Minos, em segredo. Era uma vaca de madeira onde ela se esconderia pra receber seu amado. Pasífae engravidou do Touro e o filho viria a se tornar a criatura conhecida como Minotauro. Ela cuidou dele durante a infância mas com o tempo ele cresceu revelando-se uma fera terrível, incontrolável e canibal. Minos mandou que Dédalo construísse então um labirinto onde este monstro seria mantido cativo, até ser morto pelo herói Teseu com ajuda da filha do próprio Minos e irmã do Minotauro, Ariadne.

Mitos bíblicos

Outro Mito importante relacionado ao Touro vem dos Hebreus. Durante a passagem do êxodo dos israelenses que saíam de anos de escravidão no Egito retornando para a Judeia sob liderança de Moisés, em dado momento o povo firmou um acampamento no meio do deserto de Sinai, enquanto Moisés se retirou durante vários dias para conversar com Deus, que lhe entregava as tábuas dos 10 mandamentos e lhe passava as instruções pra construção do templo de sua adoração.

Como Moisés demorava, sem ele o povo construiu um Bezerro feito de Ouro ao qual adoravam em meio a danças, orgias e bebedeiras. O bezerro de ouro é uma figura icônica e faz referência ao culto ao prazer e a matéria e também ao antigo culto ao deus Moloch, que levou a destruição das cidades de Sodoma e Gomorrah pela fúria divina. Este bezerro pode ser também influenciado pelo culto egípcio ao touro Ápis.

Levante e Mesopotâmia (Fenícia, Babilônia, Assíria…)

Moloch, Marduk e Baal eram divindades adoradas na região da mesopotâmia e Levante por diferentes povos, tidos como deuses supremos de diferentes civilizações. Zeus , Júpiter e Osiris podem ser considerados sincretizações desses deuses. Moloch era adorado pelos caldeus e sua representação é exatamente igual às representações artísticas do Minotauro: tinha corpo de homem e cabeça de Touro, com longos chifres. Vem dele a associação que os judeus e cristão fizeram entre chifres e demônios, que perdura até hoje. Alega-se que o culto a Moloch envolvia o sacrifício de bebês recém nascidos, o que pode ser ou não verdade, porque a prática de propaganda difamatória de guerra não é uma coisa exatamente nova.

Eram construídas grandes estátuas de Moloch em seus altares que apresentavam uma cavidade onde supostamente os bebês ou outros tipos de sacrifício eram colocados. Dentro da estátua funcionava uma fornalha e os recém nascidos eram colocados vivos para serem queimados ali. Cronos (o saturno romano) foi sincretizado pelos gregos a partir da figura de Moloch, o devorador de crianças, mas teve um mito muito mais elaborado e uma aparência mais humanizada.

Egito

O Touro Ápis dos egípcios é uma personificação da própria Terra. Era uma deidade relacionada a agricultura e o trabalho. Era adorado principalmente na cidade de Mênfis. Era tanto uma encarnação do Deus Ptah (patrono de Mênfis) quanto do grande deus Ossiris. Sendo assim a constelação de Touro era fortemente associada a esse deus e também a sua esposa, Isis. Etimologicamente, a palavre Touro em suas origens tem parentesco com a palavra terra. Terra é a palavra latina para Géia, ou Gaia, a deusa terra, mãe de toda criação, sendo o próprio planeta. A constelação de Touro pode ter relação portanto com esta deusa tão fundamental.

A deusa Hator, divindade da fertilidade tinha cabeça de vaca. Era esposa de Rá, um deus supremo de um período mais arcaico do Egito, que mais tarde transformou-se em Amon-Rá. Hator as vezes era representada com forma humana, mas usando chifres de vaca como adereço e um disco solar para simbolizar sua ligação com Rá. Ela era encarada como a mãe simbólica dos deuses e dos Faraós.

Índia

Na Índia, entre os que praticam o hinduísmo, as vacas são reverenciadas e protegidas até hoje. Encontrar vacas vagando sozinhas pelas ruas de uma grande cidade é impensável na maior parte do mundo, mas era uma cena comum em diversas culturas da antiguidade e é algo comum até hoje na Índia. Elas estão sob proteção de Krishna, e são o veículo de montaria do próprio Shiva.

Atacar uma vaca é considerado crime na Índia até hoje, com alguns estados aplicando pena de prisão perpétua em quem mata um desses animais. Vários casos de linchamento fatais são cometidos contra quem é acusado de ferir, mesmo que acidentalmente uma vaca. Muçulmanos sendo as maiores vítimas. Mas essa proteção toda tem uma explicação material muito simples. As vacas sempre foram muito valorizadas em função do leite que elas fornecem, que é um alimento fundamental da dieta indiana. Elas valiam tanto quanto ouro antigamente, então essa associação religiosa tinha uma clara conexão com questões econômicas e de sobrevivência também.

Simbolismo Moderno

Dado tudo o que vimos sobre a adoração dos Touros, não é a toa que em frente a bolsa de nova York nos dias de hoje encontramos a escultura de um touro. O Touro é o simbolo da segurança material pelo seu simbolismo de fertilidade. Está também relacionado a entrega aos prazeres carnais. E é também o símbolo do otimismo na bolsa de valores, símbolos dos investimentos crescentes e de uma economia fértil. Seu “culto” nos dias de hoje só perde para o culto direto as notas de dólar, que são “regidas” por ele.

Anatomia da Constelação de Touro

A constelação de Touro apresenta dois aglomerados estelares: As Plêiades e as Híades.

Plêiades

As plêiades são chamadas também de “setestrelo”, é um aglomerado composto por 7 estrelas, das quais somente 6 são visíveis a olho nu. Se localizam na região do corpo do Touro. Elas são filhas do titã Atlas, exatamente aquele que segura a abóboda celeste em suas costas, com Pleione, filha de um outro titã, Oceano. Veja abaixo a lista com todas elas.

Electra 1729°42′ de Touro
Celaeno 1629°43′ de Touro
Taygeta 1929°51′ de Touro
Maia 2029°58′ de Touro
Merope 2329°59′ de Touro
Asterope 2100°01′ de Gêmeos
Alcyone Eta (η)00°17′ de Gêmeos
Atlas 2700°38′ de Gêmeos
Pleione 2800°40′ de Gêmeos

As plêiades são 7, mas a olho nu só se consegue identificar 6 estrelas no aglomerado. A justificativa mitológica reside no fato de que Mérope teria se casado com um mortal, por isso estava no setestrelo, mas não podia brilhar. Séculos mais tarde, Galileu apontou o telescópio para a direção das plêiades e constatou a existência de 7 estrelas, e não 6. Além das Pleiades, um pouco fora do Aglomerado estão duas estrelas, uma correspondendo a Atlas e outra a Pleione. Vamos conhecer cada uma delas.

Electra, 17 Tauri, diferente da personagem Electra de uma tragédia grega que leva o mesmo nome, é uma das plêiades , que teve com Zeus 2 filhos , e apesar de ser visível a olho nu, é considerada a Plêiade perdida. Ela teria mergulhado em profunda tristeza após a destruição do reino de um dos seus filhos, e se exilou no Polo Norte.

Celaeno 16 Tauri, Com Posseidon ela teve vários filhos, incluindo Tritão. Com Prometeu ela teve Deucalião de acordo com alguns autores.

Taygeta, 19 Tauri, teve com Zeus um filho, Lacedaemon, que é o rei mítico fundador de Esparta. Ela da nome a uma cadeia de montanhas na Lacônia conhecida como Taygetus.

Maia, 20 Tauri, é a mais velha das Plêiades. Com Zeus foi a mãe de Hermes, o mensageiro dos deuses, guardião das encruzilhadas e protetor dos mensageiros, comunicadores, comerciantes e ladrões.

Merope, 23 Tauri, é a Plêiade que não pode ser vista a olho nu. Isso é justificado na mitologia pelo fato dela ter se casado com um mortal, Sísifo, perdendo ela mesma a imortalidade. Porém uma simples luneta revela a existência cintilante de Merope.

Asterope, 21 Tauri, teve com Ares um filho chamado Oenomaus, que se tornou rei fundador de Pisa (onde ficava Olympia, onde eram realizados os jogos olímpicos em homenagem a Zeus e Hera), localidade que mais tarde integraria a região de Elis.

Alcyone, Eta (η) Tauri, é a Plêiade mais importante do ponto de vista astrológico em função de sua magnitude. Ela teve diversos filhos com Posseidon, deus das águas. É comum que se considere somente a longitude de Alcyone para marcar a posição das Plêiades.

Atlas, 27 Tauri, é uma estrela bem próxima as plêiades que representa seu pai, o titã Atlas , condenado a suportar a abóboda celeste em suas costas pela eternidade, associado a cadeia de montanhas Atlas, localizada no Norte da África.

Pleione, 28 Tauri,é uma estrela bem próxima as plêiades que representa a mãe delas, Pleione, uma oceânide, filha do Oceano e casada com o Titã Atlas.

Híades

As Híades São outro Aglomerado aberto, este localizado na região da cabeça do Touro. Na mitologia, as Híades são filhas de Atlas com uma ninfa. Serviam ao deus Dionísio, e eram perseguidas por Hera por sua beleza. Foram homenageadas por Zeus e transformadas em constelação em agradecimento aos cuidados que estas prestaram ao deus Dionísio. Híades significa chuva.

Aldebaran fica na mesma direção das Híades mas não é considerada como fazendo parte do aglomerado. As híades fazem parte do asterismo principal da constelação de Touro, compondo um v oblíquo que é projetado em y com outras estrelas da constelação. Veja abaixo as estrelas nomeadas que compõe as híades, incluindo Aldebaran:

Prima Hyadum Gamma (γ) 06°05′ de Gêmeos
Hyadum II Delta (δ)07°06′ de Gêmeos
Chamukuy Theta (θ)08°14′ de Gêmeos
Ain Epsilon (ε)08°45′ de Gêmeos
Aldebaran Alpha (α)10°04′ de Gêmeos

Prima Hyadum, Gamma (γ) Tauri, é a Principal estrela a compor o aglomerado das Híades. Significa Primeira Híade.

Hyadum II, Delta (δ) Tauri, é uma estrela que compõe as híades, com o nome significando simplesmente segunda Híade.

Chamukuy, Theta (θ) Tauri, é um par de estrelas que integra o aglomerado das Híades. Cada estrela tem designações numéricas. O nome é de origem Maia, e significa pequeno pássaro.

Ain, Epsilon (ε) Tauri,é uma estrela que compõe as híades, localizada na região do olho esquerdo do Touro. É chamada também de oculus Boreus (diferenciando da estrela oculus, da constelação de Capricórnio).

Aldebaran, Alpha (α) Tauri, é a principal estrela da constelação de Touro, uma das mais importantes para astronomia e astrologia, uma das estrelas reais dos Persas. Alguns astrônomos incluíram essa estrela junto às Híades, mas oficialmente é considerada não fazendo parte do aglomerado. Ela se localiza no rosto do Touro também, na região do olho direito. O nome vem do árabe, Al Dabaran, e significa o seguidor. Ela costumava ser a designação árabe para as Híades, mas hoje se tornou apenas designação desta estrela. Na Grécia antiga era chamada de Omma Boos, e em latim, Oculus Tauri.

Os Chifres e Corpo do Touro

Como dito, as Híades formam um v, e essas estrelas que serão listadas abaixo, prolongam todos os vértices formando um y e completando o famoso asterismo da constelação de Touro. Elas estão nas extremidades leste e oeste da constelação:

Al Hecka  Zeta (ζ)25°04′ de Gêmeos
El Nath Beta (β)22°52′ de Gêmeos
Ventri Tauri Omicron (ο)21°27′ de Touro
Sadral Tauri Lambda (λ)00°55′ de Touro

Al Hecka,  Zeta (ζ) Tauri, é uma estrela localizada na constelação de Touro, localizada no chifre que fica mais ao sul.

El Nath, Beta (β) Tauri, é uma estrela localizada na constelação de Touro, localizada no chifre que fica mais ao norte.

Ventri Tauri, Omicron (ο) Tauri, É um sistema composto de 4 estrelas elipsantes, com Magnitude variável, localizada na barriga do touro.

Sadral Tauri, Lambda (λ) Tauri, É uma estrela que outrora fez parte das híades, e que agora marca o peito do Touro.

Significado Astrológico da Constelação de Touro

Todas as estrelas das Plêiades e todas as estrelas da Híades são associadas por diversas culturas com chuvas, e a ideia básica que acompanha a chuva é a fertilidade. A palavra Híade vem do grego e corresponde ao termo usado pra chuva naquela língua. A associação genérica que se faz a constelação de Touro está relacionada a fertilidade e a intensa sexualidade, por ser a constelação que marca tradicionalmente o coração da Primavera, quando se celebrava o festival de Beltane. Especificamente a região desses aglomerados é apontada como indicador de uma sensualidade e uma sexualidade muito intensa. Alguns autores apontam como indício inclusive de comportamentos promíscuos, infidelidade no casamento e bissexualidade ou homossexualidade. Isso se deve ao elemento da fertilidade presente no simbolismo do Touro, animal forte, potente e que não pode ser contido.

Essas estrelas podem indicar por exemplo popularidade, e podem despertar o sentimento de posse em amigos ou atrair pessoas dominadoras. De modo geral, a literatura não descreve as plêiades e as Híades com muita generosidade, associando elas com desgraças e vergonha. Isso pode estar relacionado ao fato de que antigamente imperava uma visão mais moralista ou cristã em relação ao sexo, e como essas estrelas falam fundamentalmente da luxúria, talvez venha daí esse significado.

Nos dias de hoje não precisamos encarar o aparecimento de um desses aglomerados em evidência em um mapa como indicador de qualquer tragédia, mas elas podem ser indício de um comportamento mais promíscuo, luxurioso ou errôneo em seus relacionamentos afetivos, podendo levar a escândalos ou mesmo a problemas mais sérios.

Outra interpretação importante está relacionada ao elemento de confusão e de névoa que paira nessa região do zodíaco, como é comum a todos os aglomerados estelares. Assim elas podem sugerir problemas de visão, dificuldade de enxergar os fatos reais, ou tendência a esconder coisas ou mesmo inventar mentiras para os outros. A natureza atribuída a elas é de Vênus com Saturno, juntando prazer com o elemento da “desgraça” ou “vergonha” quando exagerado. Basicamente todo o primeiro decanato de gêmeos está na zona de influência das Plêiades ou Híades.

Ventri e Sadral tauri são estrelas marcando o corpo do touro, a parte do animal que serve como alimento , e tem um sentido benéfico de uma maneira geral, apesar de não serem notadas pela tradição como significadoras de nada em particular.

Aldebaran é uma estrela régia, significando sucesso, vitória sobre os inimigos, fertilidade, abundância e fartura.Tem algo de violento ou autoritário associado a ela, indicando líderes e pessoas de destaque em suas comunidades. Na atualidade, indica pessoas que se destacam nos esportes, na carreira militar ou como bombeiros e policiais por exemplo. São pessoas que aliam inteligência com integridade, sendo populares e queridas. As oposições com essa estrela implicam conjunção a uma estrela igualmente poderosa, Antares, e estão entre as mais intensas e violentas.

Por fim, sobre as estrelas localizadas nos chifres (El Nath e Al hecka), elas tem uma natureza mais marciana, o que seria de se esperar, já que essas são as armas do animal touro. Mesmo sendo marcianas elas são benéficas, indicam uma pessoa impetuosa, cheia de vigor e iniciativa, de temperamento ativo, talvez precipitado e agressivo ou excessivamente mordaz.

A constelação de Aries

A constelação de Áries não formava uma constelação própria na antiguidade , muito por conta do fato de suas estrelas serem pouco brilhantes. Ela acabava incorporando outras constelações, até que a constelação do carneiro surgiu no Império neo-babilônico. Foi adotada pelos gregos antigos, se tornando uma constelação do zodíaco. Deu nome ao primeiro signo do zodíaco porque o ponto vernal se localizava nessa constelação durante a antiguidade.

Ela ocupa uma área de aproximadamente 450 graus quadrados, mas se estende por uma longitude reduzida. É uma constelação difícil de se encontrar , e fica mais fácil saber pra onde olhar quando touro já ascendeu , porque aí ela estará a oeste, especialmente se vc traçar uma linha reta imaginária a partir das Plêiades em direção ao oeste no céu. Ela está próxima das constelações de Perseu, Touro, Peixes, Cetus e o Triângulo do Norte.

Pode ser observada com clareza entre meados de junho até fevereiro. O melhor momento pra observação é a partir de novembro quando ela já aparece no céu logo após o pôr do sol. As constelações próximas estão todas relacionadas ao mito de Perseu e Andrômeda.

Mitos da constelação de Áries

No Egito, essa constelação se misturava a constelação vizinha de Perseu e representava o deus Amon-rá, deus sol e pai de todos os deuses , que tinha cabeça de carneiro, e as vezes, cabeça de ganso. Em tempos muito antigos, os egipcios viam um Ganso nesta constelação, e por volta de 2000 AC começaram a identificar ela com um carneiro.

Para os gregos, Aries era o carneiro cujo pelego era feito de ouro e que foi o grande objetivo das aventuras de Jasão, herói da mitologia grega. Acaba sendo associada a coragem e bravura, pois pra chegar ao velo de ouro Jasão teria que passar por um terrível dragão.

Esse carneiro foi um presente de Hermes para a ninfa Nefele. O filho dela, Frixo, foi condenado por um Oráculo a ser sacrificado por conta de uma colheita ruim. Ela então ordenou que seu carneiro mágico, que podia voar, levasse seus dois filhos até um local seguro . No caminho a irmã de Fixo, Hele caiu do carneiro e morreu, enquanto Frixo conseguiu chegar vivo até o distante país da Cólquida , onde foi recebido pelo rei do país. Em agradecimento , Frixo sacrificou o carneiro para os deuses e deu o velo de ouro para o rei Eetes, que entregou a mão de sua filha em casamento para Frixo.

Mais tarde Jasão convocaria os Argonautas com a missão de recuperar o velo de Ouro. O navio dos Argonautas figura na constelação Argo Navis, e vários dos heróis que acompanharam Jasão também figuram em outras constelações, como Hércules, os Dióscorus de Gêmeos, Orfeu da constelação do Cisne, Orion , além de uma comitiva que chegava a 50 heróis no total. Para obter o velo de ouro, Jasão precisou se sujeitar a trabalhos impossíveis ordenados pelo rei Eetes, e recebeu ajuda da feiticeira Medeia que era filha de Eetes, tendo que finalmente enfrentar um dragão que guardava o troféu.

Em resumo, atos heróicos, sacrifícios e um troféu estão entre os principais símbolos desta constelação do ponto de vista grego. Pode também simbolizar o cordeiro sacrificado por Abraão e que iniciou a tradição judaica antiga de sacrifício de cordeiros para expiação de pecados. Fato é que os carneiros e ovelhas eram importantes na alimentação da antiguidade e era comumente oferecidos em sacrifício. Como os deuses estranhamente preferiam apenas os Ossos e gordura dos animais, os fiéis é quem comiam a carne ao final. Era uma tradição generalizada, e perdura até hoje por exemplo em alguns festivais islâmicos.

Anatomia da Constelação de Áries

As principais estrelas da constelação de Áries formam uma linha próxima da borda norte da constelação, com a área central e mais ao sul sendo mais vazia de objetos com relevância, sobretudo para a astrologia. Nessa área com menos estrelas de destaque, várias constelações menores ja foram propostas mas terminaram não sendo adotadas. Oficialmente somente Áries persiste naquela área.

Na época dos gregos, o equinócio de primavera ocorria com o sol passando por esta constelação. Atualmente, essa constelação corresponde a longitude zodiacal que vai de 29° de Áries a 20° de Touro. Abaixo vemos abaixo as estrelas dessa constelação que são nomeadas.

Mesarthim Gamma (γ)03°28′ de Touro
Sheratan Beta (β)04°15′ de Touro
Hamal Alpha (α)07°57′ de Touro
Bharani 41 18°29′ de Touro
Botein Delta (δ)21°08′ de Touro
Posição das Estrelas calculadas para 01/01/2021

Mesarthim, Gamma (γ) Arietis, também conhecida como primeira estrela de Áries em função do ponto vernal ter coincidido exatamente com essa estrela por volta da época das consquistas de Alexandre o Grande. É uma estrela de brilho fraco, localizada na cabeça do carneiro. O nome é de origem hebraica, significando “Ministro”.

Sheratan, Beta (β) Arietis, é uma estrela localizada no chifre do carneiro. O ponto vernal se localizava sobre essa estrela na época de Hiparco, século 2 antes de cristo. O nome da constelação é árabe, Al Sharatain e significa “o sinal”.

Hamal, Alpha (α) Arietis, é uma estrela localizada na testa do carneiro. O nome vem do árabe, Al Ras al Hamal, que significa, “a cabeça da ovelha”. Outro nome antigo para essa estrela era simplesmente Arietis, palavra que atualmente designa todas as estrelas da constelação no sistema moderno de nomenclatura astronômica.

Bharani, 41 Arietis, chegou a integrar a agora obsoleta constelação de Musca Borealis. Outra constelação também obsoleta tinha essa estrela como alfa, a constelação da flor-de-lis. Se localiza atualmente no corpo do carneiro. Bharani é o nome do segundo nakshatra ou mansão lunar Hindu que tem essa como estrela principal.

Botein, Delta (δ) Arietis, é uma estrela localizada na perna traseira do carneiro. O nome vem do árabe Al Butain, que significa “a barriga”.

Significado Astrológico das estrelas de Áries

As estrelas mais importantes para a tradição e também as mais brilhantes se localizam na região da cabeça do carneiro. Hamal, a estrela alfa, é a testa do carneiro, a grande arma desse tipo de animal quando se sente ameaçado e quando está em disputas por fêmeas ou território. Sheratan , a estrela beta, esta localizada na região que corresponde a um dos chifres. Ptolomeu associava as estrelas da cabeça com a combinação marte/saturno, sendo consideradas maléficas, violentas, etc. As estrelas do corpo ( com o pelego sendo feito de ouro de acordo com a mitologia) tinham natureza de vênus/saturno.

Sheratan, a estrela Beta, é um dos chifres, tem o significado básico da teimosia e da obstinação manifestas num sentido negativo. Hamal é a testa do carneiro, é a estrela alfa da constelação sendo a mais importante. Indica impulsividade, obstinação, teimosia, imprudência, temeridade e pode ser indício de acidentes devido a falta de flexibilidade. É sinal de brusquidão, pode indicar força física, e levar alguns dos nativos aos esportes violentos ou a carreiras militares. Podem se expor desnecessariamente a riscos.

Bharani é a estrela que da nome ao segundo nakshatra hindu, associado a deusa Kali, significa intensidade e extremos de comportamento.

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