Categoria: constelações

A constelação de Peixes

A constelação de Peixes, oficialmente Constelação de Pisces, é uma constelação zodiacal que se localiza na eclíptica, o caminho do trânsito anual do sol. É o local onde se localiza atualmente o ponto vernal, que se deslocou de Áries para Peixes no início do primeiro milênio após Cristo , e que tende a se deslocar para Aquário nos próximos séculos.

Essa constelação foi concebida na Babilônia , de onde se irradiou para Pérsia, Egito, Grécia e India com esta mesma representação: Um par de Peixes, nadando em direções opostas e unidos por uma corda.

Mitos da Constelação de Peixes

O principal mito associado a esta constelação está relacionado a Guerra dos deuses contra os titãs. Os titãs foram derrotadas e banidos para o submundo ao fim da Titanomaquia, que é como ficou conhecido este conflito. Depois de derrotada, Gaia copulou com o próprio tártaro (o inferno grego) e dessa união nasceu o gigante tifão , a mais terrível e tenebrosa das criaturas, que ela enviou para a superfície para vingar os titãs e destruir os deuses olímpicos.

O primeiro deus a ver o Tifão foi Pã, o deus dos bosques selvagens e do pânico, que se transformou numa cabra aquática para conseguir fugir da criatura. Esse fragmento de mito é um dos que explicam a constelação de Capricórnio. Depois foi a vez de Afrodite e Eros (ou Cupido),que se banhavam em um rio. Eles começaram a fugir nadando e se transformaram em Peixes para conseguir nadar mais velozmente. Por conta do caos da fuga, ataram-se com uma corda para que não terminassem se separando. E assim é explicada essa constelação.

A própria Afrodite pode ser considerada uma titã quando se leva em conta um dos seus mitos de nascimento. Quando Cronus castrou Urano, que copulava Gaia incessantemente , suas últimas gotas de semen caíram sobre o mar, o que explica a espuma formada pelas ondas. Da espuma fecundada nasceu Afrodite, a deusa que personifica o amor e o sexo. Porém, uma outra versão descreve Afrodite como filha de Zeus com Dione , existindo inclusive diferentes denominações para a deusa a depender da Origem: Afrodite Urânia, fruto da castração de Urano, e uma deusa do amor celestial, elevado, como o amor fruto da amizade ou das relações de sangue. E Afrodite Pandemos, o amor comum, do povo, mais associado ao sexo e a luxúria.

Afrodite , junto de Apolo , era uma deusa da beleza. Mas enquanto apolo simbolizava uma beleza física mais associada ao vigor, a saúde e a virilidade dos homens, Afrodite estava ligada a uma beleza mais estética relacionada a roupas , perfumes, maquiagens , flores, decorações e ao corpo feminino. Seu culto é na verdade um sincretismo de outros cultos praticados na Turquia, como o culto de Ishtar e Astarte, que eram deusas da Mesopotâmia que tinham os mesmos atributos e rituais de adoração muito similares. Nesse sentido, Afrodite é a mais antiga, porque essa linha de sucessivas sincretizações remonta à deusa Inanna da Suméria, uma das primeiras civilizações conhecidas.

Apesar de casada com Hefesto, deus que personificava o trabalho nas cidades, das invenções , da metalurgia e do próprio fogo, o coração de Afrodite ardia verdadeiramente por Ares, o impetuoso e viril deus da guerra. Com ele Afrodite teve vários filhos, dentre eles Eros, ou na versão romana, Cupido. Eros é assim a personificação desse amor-tesão, carnal e incontrolável, e seu atributo era um arco com o qual ele disparava setas responsáveis por deixar suas vítimas apaixonadas. Era o filho preferido de Afrodite e seu companheiro inseparável, o que levou a um problema porque ele não crescia. Quando Afrodite começou a lhe dar irmãs, Eros cresceu e se separou da mãe, e terminou se casando com a mortal Psiquê.

O casamento de Eros e Psiquê tinha uma condição muito simples: Ela jamais poderia ver o rosto do marido, mas um dia ela não suportou a curiosidade e o espiou enquanto ele dormia, que acordou e se separou dela. Depois disso Psiquê ficou vagando sozinha pelo mundo até a sua morte. Eros então foi até o tártaro interceder por sua amada e a resgatou, dessa vez a levando para viver com ele no Olimpo, onde ela também se tornou imortal ao consumir a Ambrosia.

 “Iēsous Christos Theou Yios Sōtēr”, que significa “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador” (em grego antigo, Ἰησοῦς Χριστός, Θεοῦ ͑Υιός, Σωτήρ)

Jesus Cristo era simbolizado por um Peixe em algumas representações, e ele é uma figura que pode muito bem ser associada com essa constelação. Inclusive a Era de Peixes, descrita como era Cristã, especialmente se você gostar de ver as coisas sob a ótica eurocêntrica , é explicada em função da mudança do ponto vernal para peixes ainda durante a época do império romano e que iniciaria um período de expansão do cristianismo, que foi marcante porém, somente a partir do período das grandes navegações.

A verdade é que de fato, muitos dos valores mais nobres do cristianismo: piedade, caridade, compaixão, sacrifício e doação, são valores associáveis ao eixo Peixes-Virgem, sobretudo a Peixes enquanto signo. E várias passagens do novo testamento fazem alusão a Peixes e coisas relacionadas: O batismo nas águas do rio Jordão, o momento em que Jesus caminha sobre as águas para testar a fé dos seus discípulos, quando ele os ensina a pescar, quando realiza o milagre da multiplicação de pães e peixes … Sem falar na contraparte de Cristo, sua mãe, a Virgem, que se localiza na constelação oposta.

Entretanto, a Constelação mostra Peixes nadando em direções diferentes. Um deles nada na direção Norte, de maneira vertical indo de encontro ao ventre de Andrômeda, num movimento de ascensão, sendo este associado a Cristo. O outro Peixe em sentido horizontal, na direção leste, na direção da constelação de Aquário. Esse é associado ao “anticristo”.

Anatomia da Constelação de Peixes

Peixes é a 14° constelação em termos de área, com cerca de 889 graus quadrados. É uma constelação que pode ser vista em quase todas as partes do planeta, com exceção da Antártida onde ela nunca ascende, por ser uma constelação localizada atualmente no hemisfério norte do céu. Quase todas as estrelas de Peixes correspondem ao signo de Áries atualmente.

As estrelas de Peixes não são muito brilhantes e não formam asterismos muito claros. As constelações zodiacais vizinhas, Áries e Aquário, também não são tão fáceis de encontrar, então não servem de referência. Se quiser observar Peixes, é mais fácil primeiro encontrar a constelação de Pegasus que forma um asterismo em forma de quadrado muito bem definido. A constelação de Peixes está tanto a oeste quanto a sul dessa constelação, que na realidade envolve boa parte da constelação de Pegasus. Peixes também tem poucas estrelas com nome próprio, e apenas 2 com importância astrológica.

Fumalsamakah Beta (β)18°52′ de Peixes
Al pherg Eta (η)27°06′ de Áries
Torcularis Septentrionalis Omicron (o)28°02′ de Áries
Alrisha Alpha (α)29°40′ de Áries

Fumalsamakah, Beta (β) Piscium, é a estrela localizada no Peixe que se move na direção Leste. O nome é árabe, Fum al Samakah, que significa “boca do peixes”.

Torcularis Septentrionalis, Omicron (o) Piscium é uma estrela localizada na corda ligada ao peixe do norte. Torcularis significa “cheio” em latim, e era usado também pra se referir a Adegas de vinhos.

Al pherg, Eta (η) Piscium, é a estrela mais brilhante da constelação de Peixes, não sendo ela muito brilhante porém, quando comparada a estrelas de outras constelações. Ela está localizada na cauda do Peixe que nada na direção norte. Seu nome babilônico era Kullat Nunu, que significa corda do peixe.

Alrisha, Alpha (α) Piscium, é a estrela alfa de Peixes, localizada no objeto que une as duas cordas dos Peixes da constelação. É ligeiramente menos brilhante que Al pherg, mas ambas são bem difíceis de se observar, a não ser em noites particularmente secas e escuras, sem poluição luminosa. O nome vem do árabe Al Risha, que significa corda.

Significado astrológico da Constelação de Peixes

As estrelas da constelação de Peixes (e não o signo) tem a natureza de Júpiter e Saturno. Significam vitórias as custas de dificuldades e sacrifícios. É uma mistura do terror causado por Tifão (Saturno) e o sucesso da fuga empreendida por Afrodite e Eros. Representa particularmente bem a jornada de Cristo, que é julgado e crucificado antes de ascender até o céu na mitologia Cristã.

Somente Al Pherg e Alrisha tem destaque na tradição astrológica, e ambas estão próximas longitudinalmente, atualmente entre 27° e 29° de Áries. Manilus diz ainda que as pessoas que são marcadas por essas estrelas serão amantes do oceano, e podem ter um talento natural para a navegação.

A constelação de Cetus

Cetus é uma grande constelação do hemisfério sul do céu sendo adjacente as constelações de Peixes e Áries. Aliás, durante um dia do ano (27 de março) o sol, astronomicamente, sai dos limites da constelação de Peixes e faz uma rápida passagem pela constelação de Cetus. Daqui a algumas centenas de anos o ponto vernal , que é o dia do equinócio da primavera, vai coincidir com essa região. Essa curiosidade é interessante pra mostrar a arbitrariedade das constelações, porque são um construto humano, uma forma de organização do céu que é arbitrária.

A constelação de Eridanus faz o limite sul de Cetus. Apesar de grande,Cetus não tem estrelas muito brilhantes, destacando-se somente 4 estrelas. Dessas, 2 de razoável importância pra astrologia: Deneb Kaitos e Menkar.

A palavra Cetus está diretamente relacionada a palavra Cetácea, a ordem de mamíferos a qual pertencem as baleias. Cetus é portanto uma Baleia, e seu nome em outros idiomas faz referência direta a isso.

Mitologia da Constelação de Cetus

A ideia original dos gregos é atribuir esta constelação ao terrível monstro marinho que foi enviado por Posseidon pra destruir a Etiópia, e que exigia em sacrifício a bela Andrômeda pra que o reino fosse poupado. Esse monstro foi destruído pelo herói Perseus, cuja constelação fica paralela a cetus, mas no hemisfério norte, do outro lado da constelação de Áries. Na verdade o casal Perseu e Andrômeda estão lado a lado na região oposta a de Cetus. O monstro foi morto ao olhar a cabeça da medusa, portada por Perseu, o que fez com que ele imediatamente se transformasse em pedra. Por esse e por outros motivos é que a natureza básica dessa constelação a associa ao planeta saturno.

Em outras culturas esse ideal de monstro marinho teve outras acepções. Uma das mais importantes é a divindade mesopotâmica, a deusa oceânica Tiamat, que era representada na forma de um monstro marinho ou dragão. Tiamat seria responsável pela criação de tudo o que existe, sendo uma entidade absoluta, doadora de vida. No livro de Jó a descrição feita sobre o leviatã o faz se assemelhar muito a ideia contida na mitologia grega, do monstro enviado por Posseidon.

Outra lenda aparece na bíblia e se refere a baleia que engole o profeta Jonas. A baleia dessa passagem bíblica é um cachalote, o maior animal carnívoro que existe no mundo, e que na época de Jonas habitava e era comum na região do Mediterrâneo (hoje não mais). A história não é completamente absurda, porque se sabe por exemplo que essas baleias carregam seus filhotes feridos na boca.

O cachalote também é personagem central de uma lenda contemporânea, Moby Dick. Curiosamente, a obra foi lançada em 1851. Neste ano os Planetas Urano e Plutão estavam passando pelo final do signo de Áries e formaram conjunção ao grau correspondente ao da estrela Mira , uma das mais importantes da constelação de Cetus, que ficava nesta época aos 29° de Áries. Saturno por sua vez passava também pelo terceiro decanato de Áries e formava conjunção com Baten Kaitos, outra estrela bem importante desta constelação. Cito esses planetas lentos por se tratar de uma manifestação cultural, de importância coletiva, e que carrega simbolismos paralelos ao das estrelas fixas tocadas pelos geracionais da época.

O leviatã também aparece na bíblia, sobretudo no apocalipse e foi uma imagem recorrente até pouco tempo atrás, associado pelos pescadores a monstros marinhos causadores de acidentes e naufrágios. O leviatã é encarado também como um demônio, um dos príncipes do inferno.

Entre os Vikings e celtas existiam lendas relacionadas a criatura conhecida como Kraken, representada não como uma baleia, mas como um polvo gigantesco. Acredita-se que a lenda do Kraken possa ser verídica a julgar pelo tamanho de algumas espécias de lulas colossais que ja foram encontradas. Essas lulas tem como predador natural justamente o cachalote, e diversos exemplares deste tipo de baleia são encontrados com ferimentos graves advindo das lutas contra esses gigantes. As lulas colossais podem chegar a impressionantes 15 metros.

O escritor de ficção H. P. Lovecraft traz uma lenda contemporânea muito interessante e que pode ser associada diretamente a temática desta constelação: Cthulhu, uma criatura marinha gigantesca, monstruosa, horrenda e causadora do mais profundo horror e desespero , manifestação da maldade , do ódio e da corrupção mais hedionda que possa ser concebida. Na realidade, Cthulhu seria uma entidade alienígena que vivia nas profundezas oceânicas da terra, adormecida antes mesmo de haver vida no planeta. A ideia do despertar de Cthulhu seria a ideia do despertar do mal, do fim e da destruição, e no universo criado por Lovecraft havia inclusive um culto empenhado em trazer a criatura a vida. Um filme recente foi muito inspirado nesta história, O monstro de Cloverfield, de 2008.

Índios amazônicos projetam nessa constelação um jaguar, que é associado ao deus das tempestades, furacões e calamidades naturais de uma maneira geral.

Anatomia da Constelação de Cetus

Cetus é a 4° maior constelação do céu, localizada no hemisfério sul, e ocupando uma área de mais de 1000 graus quadrados. Ela se localiza numa região do céu que é chamada de mar, porque é repleta de constelações cujas representações são criaturas marinhas ou relacionadas a água: Peixes, aquário, capricórnio, cetus, eridanus, Peixe austral, cisne, etc.

Veja abaixo uma lista com as estrelas de Cetus que são nomeadas:

Deneb Kaitos Beta (β)02°52′ de Áries
Baten Kaitos Zeta (ζ)22°14′ de Áries
Mira Omicron (ο) Ceti01°46′ de Touro
Kaffaljidhma Gamma (γ)09°43′ de Touro
Menkar Alpha (α)14°36′ de Touro
Posição das estrelas calculadas para 01/01/2021

Deneb Kaitos, Beta (β) Ceti, é uma estrela localizada na cauda do monstro marinho. O nome da estrela vem do árabe, Al Dhanab al Kaitos al Janubiyy, que significa a parte sul da cauda da baleia. Não é uma estrela muito brilhante, mas é a que mais se destaca na constelação, sendo hoje mais brilhante do que a alfa.

Baten Kaitos, Zeta (ζ) Ceti, é uma estrela amarela localizada na barriga de Cetus. O nome vem do árabe Al Batn al Kaitos, que significa a barriga da baleia.

Mira, Omicron (ο) Ceti, é uma estrela dupla e oscilante, cujo brilho varia ao longo do ano na madida em que seu sistema binários se movimenta. Especialmente quando observada no telescópio, exibi cores fortes que lembra joias. O nome vem do latim mirus, que significa maravilhoso. Fica localizada no pescoço de Cetus.

Kaffaljidhma, Gamma (γ) Ceti, é uma estrela localizada no olho esquerdo de Cetus. O nome é árabe, Al Kaff al Jidhmah, e na realidade serve para se referir ao conjunto de estrelas que se localiza na Cabeça de Cetus. Significa “a mão curta”.

Menkar, Alpha (α) Ceti, é uma estrela laranja localizada na boca aberta de Cetus. Também chamada de Minhar, vem do árabe Al Minhar, e significa nariz. É a estrela mais importante e mais conhecida devido a sua posição ser a mais norte da constelação. No dia 21 de dezembro, solstício de verão do sul e inverno no norte, ela aparece culminando logo após o por do sol.

Significado Astrológico de Cetus

De modo geral, Cetus é uma constelação maléfica, que simboliza medos irracionais e dificuldades. Sua natureza é semelhante a Saturno e assim se manifestam todas as suas estrelas. Cetus é quase como uma lição , pra apendermos que por maior que pareçam os problemas, não é uma atitude temerosa e a paralisia que vai nos ajudar a vence-los. As pessoas que nascem sob os auspícios dessa constelação são dotadas de disciplina e cautela, talvez em excesso, e podem precisar enfrentar sentimentos melancólicos e uma tendência a paralisar diante das dificuldades.

Deneb kaitos tem natureza saturnina, está relacionada a autodestruição em diversos níveis e a melancolia. As pessoas afetadas por essa estrela podem se mostrar mais cautelosas e temerosas em relação a vida, podendo apresentar diversas formas de inibições, a depender do planeta que faz o contato.

Baten Kaitos é outra estrela não muito positiva, numa aparente alusão a história de Jonas que foi engolido e transportado pela baleia a sua revelia, essa estrela pode sugerir mudanças na vida que estão completamente fora do controle do nativo, especialmente mudanças geográficas. Também tem natureza de saturno indicando cautela e algumas inibições, mas não tanto quanto a estrela anterior.

Mira tem a natureza de Jupiter e saturno indicando perseverança, cautela e capacidade de solucionar grandes problemas com esforço e industriosidade. A pessoa tende a ser severa e rigorosa e pode ser autoritária. Por outro lado, pode indicar melancolia e grandes decepções e fracassos na vida em outro extremo. Hitler tinha o sol em conjunção com essa estrela.

Menkar é a boca do monstro. De natureza saturnina, indica perigo de atrair inimigos por motivos pequenos, limitações e impedimentos associados ao planeta que toca a estrela e preocupações ligadas a vivência daqueles temas. Essa é a estrela mais importante e mais brilhante da constelação, a estrela alfa. Ela pode sugerir temores, medos exagerados e um excesso de cautela que limita a pessoa .

A constelação de Andrômeda

Andrômeda é uma constelação localizada próxima ao equador celeste, no hemisfério norte do céu, paralela as constelações zodiacais de Peixes e Áries; Do lado oposto na parte sul está a constelação de Cetus. Mais ao norte de Andrômeda estão também as constelações de Cepheu e Cassiopéia, seus pais. ao lado de Andrômeda está a constelação de Perseus, seu herói e amado.

Todas essas constelações juntas fazem parte do mesmo esquema mitológico e estão intimamente relacionadas com as constelações de Peixes, Áries e Touro. Andrômeda particularmente é uma constelação que tem uma natureza muito semelhante a de Peixes, mas isso indo muito mais para o lado da exaltação de Vênus neste signo: é uma constelação venusiana por excelência. É a clássica representação da donzela indefesa que é salva pelo príncipe (Perseu) de uma fera terrível (Cetus).

Os mitos da constelação de Andrômeda

Andrômeda era filha do Rei da Etiópia, Cefeu, e de Cassiopéia. Cassiopéia era uma mulher descrita como fútil e vaidosa, e certa vez afirmou que era mais bela do que todas as Nereidas (divindades protegidas por Posseidon) , o que causou a ira do Deus das águas. Como punição, Posseidon decidiu enviar uma besta marinha gigantesca com a missão de destruir o reino da Etiópia. A condição para a não destruição da Etiópia era que Cefeu e Cassiopéia entregassem sua filha em sacrifício para Posseidon, que seria devorada pelo monstro.

Para salvar o reino, Cefeu não teve alternativa a não ser entregar sua filha. Assim Andrômeda foi levada para um rochedo na costa do antigo reino da Etiópia (que também englobava parte da Arábia em tempos antigos). Quando estava para ser devorada pelo monstro, Andrômeda é salva por Perseu que acabara de derrotar a Medusa e ainda portava a cabeça daquele monstro. Usando do poder diabólico da cabeça da Medusa, Perseu fez com que a Besta marinha olhasse nos olhos da Medusa, petrificando a fera. Assim Perseu quebrou as correntes que mantinham Andrômeda presa ao rochedo e a tomou como esposa, salvando, dessa forma, o reino da Etiópia da destruição. Andrômeda e Perseu criaram a linhagem que daria origem ao povo Persa, de acordo com a mitologia.

Anatomia da constelação de Andrômeda

Na direção da constelação de Andrômeda pode-se observar o objeto mais distante observável a olho nu no céu, a Galáxia de Andrômeda, nossa vizinha. Andrômeda não é tão difícil de se localizar , uma vez que se saiba pra onde olhar. Ela fica na região mais ao norte do céu, próxima de Peixes. Localizando-se a constelação de Pégasus (que forma um quadrado), Andrômeda forma uma espécie de linha reta prolongando-se a partir deste quadrado.

A melhor época pra se observar Andrômeda é a partir de Outubro quando ela fica visível logo após o por do sol. Suas principais estrelas estão neste prolongamento. Se o local onde se vai realizar a observação for razoavelmente livre de poluição luminosa, é possível se avistar a Galáxia de Andrômeda na direção desta constelação. Uma luneta ou binóculo ajudaria no processo de observação. Na região sul do Brasil (e qualquer local mais ao sul), a observação de andrômeda é comprometida pela proximidade dela com a borda norte no céu. Na medida em que se vai para o norte a constelação fica mais fácil de ser observada.

A maioria das estrelas de andrômeda são pouco visíveis. Mesmo tendo uma das maiores áreas de todas as 88 constelações modernas, ela apresenta poucas estrelas de destaque. Entretanto, além da galáxia de Andrômeda, outras galáxias (mais dependentes de telescópios) podem ser encontradas na área da constelação de Andrômeda. Veja abaixo uma lista com as estrelas de Andrômeda que são nomeadas:

Alpheratz Alpha (α)14°35′ de Áries
Vertex M3128°08′ de Áries
Mirach Beta (β)00°41′ de Touro
Adhil Xi (ξ)08°09′ de Touro
Almach14°31′ de Touro
Posição das estrelas calculadas para 01/01/2021

Alpheratz, Alpha (α) Andromedae, é uma estrela binária localizada na cabeça de Andrômeda. É uma estrela dupla e a mais brilhante da constelação. Ela fazia parte da constelação de Pegasus antigamente, tanto que seu nome , que vem do árabe Al Surrat al Farras, significa umbigo ou barriga do cavalo.

Vertex, na verdade a famosa Galáxia de Andrômeda , ou M31, sua designação astronômica, é uma galáxia localizada no ventre de Andrômeda. O nome vertex é uma designação tradicional usada hoje em dia apenas na astrologia. Era conhecida antigamente como a pequena nuvem ou a rainha das nebulosas.

Mirach, Beta (β) Andromedae, é uma estrela amarela localizada na cintura de Andrômeda. Já foi chamada de Ventrale (em latim) em representações antigas em função de sua posição ventral , próxima de onde seria a vagina de andrômeda. Quando Alpheratz era incluída na constelação de Pegasus, esta era a estrela mais brilhante de Andrômeda.

Adhil, Xi (ξ) Andromedae, É uma estrela localizada onde seria a barra do vestido de Andrômeda, na altura de suas panturrilhas. Seu nome vem do árabe Al Dhail, que significa a barra de um vestido

Almach

Significado Astrológico da constelação de Andrômeda

Andrômeda está diretamente relacionada a constelação de Peixes e também ao signo oposto, Virgem, e é uma representação clássica da Vênus nos moldes do eixo Peixes-Virgem: Entregue ao sacrifício, acorrentada a um rochedo, totalmente indefesa a espera do príncipe encantado. Não à toa, as estrelas desta constelação tem todas a natureza Venusiana, indicando beleza, capacidade de atração, carisma e dons artísticos. Essas estrelas representam o desejo, a volúpia e a forte possibilidade de o nativo não conseguir conter seus ímpetos sexuais, seja homem, seja mulher. É também indício de grande potencial de atração, especialmente se uma das estrelas principais estiver em algum elemento significador da aparência física. Também costuma atrair conforto material, especialmente se a estrela Alfa ou Beta estiverem relacionadas.

Alpheraz é a estrela Alfa e está localizada aos 14° de Áries nos dias de hoje. No céu, é a estrela que está mais próxima do quadrado de Pégasus. Essa estrela também tem outro nome, Sirrah. Esta localizada nos cabelos de Andrômeda, é significadora de grande beleza, carisma e popularidade.Alguns autores incluíam essa estrela na constelação de Pégasus mas a maioria a posiciona em Andrômeda.

A Galáxia de Andrômeda, também conhecida como Vertex (M31 NGC224) está localizada muito próxima da estrela Beta de Andrômeda, atualmente aos 28° de Áries. Na figura, a galáxia fica localizada próxima a região do ventre-vagina de Andrômeda. É encarada astrologicamente como um aglomerado estelar, e é interpretada da mesma forma, podendo simbolizar problemas de visão e algo como um véu a encobrir e confundir os assuntos relacionados aos planetas/ângulos tocados. Era chamada também de pequena Nuvem porque é esse o aspecto que tem quando observada a olho nu numa noite de céu limpo e tempo seco.

Mirach é a estrela Beta, e está localizada atualmente aos 00° de Touro. É quase tão brilhante quanto Alpheraz e os significados são bem parecidos, com a diferença de que essa é considerada um pouco mais benéfica, indicando fertilidade , sorte no casamento e sendo auspiciosa no quesito vida familiar.

Almach fica localizada na região do pé esquerdo de Andrômeda aos 14° de Touro nos dias de hoje. É a região que fica mais próxima de Perseus, sendo na região que passa por essa estrela, a constelação do triângulo e a constelação de Perseus que ocorre a chuva de meteoros das Perséiades. Por esse motivo os Chineses consideravam essa como uma região especialmente afortunada do céu, porque entendiam as estrelas cadentes como bons augúrios. Essa região era conhecida entre os chineses como “o grande general dos céus” e significava eminência, representando uma das mansões lunares da astrologia sideral chinesa. Na astrologia ocidental, Almach tem os significados básicos de andrômeda simbolizando carisma, atração física e sorte moderada nos assuntos venusianos, com possibilidade de aventuras extra-conjugais. das estrelas de Andrômeda, o forte desta não é exatamente na sorte matrimonial ou no carisma, mas no hedonismo e na capacidade de se extrair prazer da vida.

A constelação de Órion

A constelação de Órion é uma das mais belas e fáceis de se localizar no céu, e é uma das mais tradicionais e também cultuadas ao longo da história. É composto por um trapézio formado por 4 estrelas: Betelgeuse (Alfa), Rigel(Beta), Bellatrix (Gamma) e Saiph (Kappa). No centro deste trapézio se encontra o famoso cinturão de Órion, um asterismo em forma de linha conhecido também como as três Marias: Mintaka, Alnilam e Alnitak. Ainda na região desta constelação encontramos uma das poucas nebulosas que são visíveis a olho nu, a Nebulosa de Órion.

A importância dessa constelação para navegação, especialmente nos meses que vão de setembro a março, quando ela é mais visível no céu, foi incalculável. Isso porque é uma constelação próxima do equador celeste, e por isso é visível em quase todo o globo terrestre, com exceção de ambos os polos. Pode ser vista da latitude 85° norte até 75° sul. Essa proximidade em relação aos polos a torna uma constelação de referência, porque mesmo em noites iluminadas (com lua) ou com visibilidade parcial, seu asterismo característico ainda pode facilmente ser identificado. A primeira estrela do cinturão de Orion , Mintaka, é conhecida por marcar a posição exata do leste e do oeste nos pontos onde ela nasce no horizonte, com 1 grau de precisão.

Os Mitos da Constelação de Órion

Órion teve importância em todas as culturas que desenvolveram algum nível de astronomia, devido ao seu asterismo tão definido e ao fato de suas estrelas serem tão brilhantes.

Egito

Os antigos egípcios associavam esta constelação com o deus Osíris, que era uma das divindades mais cultuada por aquele povo, muito associado com a simbologia básica do eixo Touro-Escorpião: Ele presidia a vida, a força vital presente na terra que dá vida as plantas e era também o grande juiz que ficava na sala das duas verdades decidindo quem merecia ir para o paraíso gozar da prosperidade eterna.

Existe ainda uma teoria , sem comprovação, de que a construção das pirâmides de Gizé foi posicionada geograficamente de forma a espelhar o cinturão de Órion, com o tamanho de cada pirâmide equivalendo a magnitude de brilho das estrelas desse asterismo, conhecido no Brasil também como “as três Marias”.

O fato é que o cinturão de Órion personificava uma das principais divindades para os Egípcios, o próprio Osíris, com a estrela Sirius representando sua esposa Íris. Sirius é a estrela alfa do cão maior.

Grécia

Já os gregos associavam essa constelação a vários diferentes mitos ou versões de um mesmo mito diferentes. Órion foi venerado como herói especialmente na Região da Beócia, nos arredores das cidades de Tebas e Platéia. Ele tinha a mesma importância para essa região que os Dióscorus tinham para Esparta, ou que Perseu e Agamenon tinham na Argólida, sendo idolatrados como herói, com festivais sendo celebrados em sua homenagem. Hesíodo atribui sua filiação ao deus dos mares e das águas, Posseidon, e a uma das filhas do rei mítico Minos de Creta. Por conta disso, Órion era capaz de caminhar sobre as águas. Essa atribuição provavelmente se relaciona a posição de Órion quando ele nasce no leste, observado a partir do hemisfério norte: é como se estivesse caminhando pelo mar.

Histórias sobre os seus feitos heroicos eram múltiplas, sendo contados principalmente pelas tradições orais e poetas da Beócia. Vamos nos focar aqui nos mitos que explicam sua origem como constelação, que é o que nos importa aqui, e mesmo quando nos concentramos somente nisso, percebemos que as versões de sua história são múltiplas.

Numa delas, Órion é retratado como um gigante e um vilão, que estava levando os animais de uma determinada região a extinção. Gaia então enviou um escorpião gigante que emergiu das profundezas da terra para picar o caçador e pôr um fim a matança que ele estava promovendo. Ártemis , a deusa da caça , admirava Órion e se apaixonou por ele, e quando percebeu o Escorpião que o perseguia , tentou ela mesma dar um fim a criatura , mas acabou errando o seu disparo e atingindo Órion por engano. Em prantos ela leva seu corpo moribundo até Zeus, que o transforma em constelação.

Em outra versão, Órion é um herói e caçador habilidoso que na realidade está livrando uma região de feras terríveis. Ele se apaixona por Ártemis e o sentimento da deusa por ele é recíproco, o que desperta o ciume do deus Apolo, que era irmão gêmeos de Ártemis. Para proteger a virgindade de sua irmã, ele envia o Escorpião gigante que passa a persegui-lo. Ártemis termina por atingir o seu amado sem querer com uma de suas flechar mortais, dirigida para o Escorpião, e nesse caso, ela mesma o transforma em Constelação, com Apolo transformando o Escorpião em outra constelação, localizada em oposição a localização de Órion. Dessa forma, quando Órion está nascendo, o Escorpião está se ponto e vice-versa. Os cães de caça de Órion foram colocados pela deusa Ártemis ao seu lado para lhe fazer companhia, na forma das constelações de Cão maior e Cão Menor. Existem versões que dizem que na verdade Apolo mata Órion não somente pelos ciumes em relação a irmã, mas devido a beleza extraordinária dele. Órion é relatado como o homem mais bonito que ja existiu por fontes Beócias.

Em outra versão completamente diferente, Órion se apaixona por Ártemis e tenta violentar ela enquanto ela se banhava nua com as ninfas em um lago. Como punição, a deusa invoca um Escorpião gigante para persegui-lo eternamente, e transforma ele e o Escorpião em constelações.

Existe ainda uma intersecção entre o mito de Órion e o mito das Plêiades (aglomerado localizado na constelação vizinha, de Touro) contada na Beócia. Nesse mito, Órion se Apaixona por Pleione, a mãe das plêiades, e passa a persegui-la durante 7 anos. Num dado momento , Zeus decide interferir e transforma tanto Órion quanto as Plêiades em constelações, e até hoje Órion pode ser visto perseguindo as Plêiades. Outra versão diz que, como as Plêiades faziam parte do culto de Ártemis, a própria deusa teria enviado o Escorpião, que nesse caso o picaria no calcanhar, com Órion sendo colocado no céu junto do Escorpião como punição.

Brasil

Os índios tupi-guaranis viam as constelações de Touro e Órion como uma só , e chamavam ela de Homem-Velho (Tuya’i). Era um homem velho, que tinha uma perna só , tendo a outra cortada. As Plêiades eram vistas como um cocar de penas em sua cabeça, e Beteugeuse marcava o local onde sua perna havia sido amputada. Na mão direita ele é representado segurando uma bengala.

A história da constelação é uma tragédia tupi-guarani. Esse homem velho, quando ainda tinha suas duas pernas intactas, decidiu um dia se casar com uma índia que era mais jovem que ele. Mas ele tinha um irmão mais jovem e bonito, e sua esposa se apaixonou pelo irmão. Para ficar com o irmão do homem velho, a india cortou sua perna fora com a intenção de mata-lo. Antes de morrer porém, ele foi transformado em constelações pelos deuses que ficaram comovidos com sua história.

Essa constelação era um sinal positivo no céu, porque marcava o verão, estação de calor e chuvas.

China

Na astronomia Chinesa, a região ocupada por Órion abarcava diversos asterismos que incluíam alguma estrela de Órion ou outras dentro de sua Área. Afinal os Chineses tinham 6 vezes mais constelações do que os gregos antigos!

Os principais asterismos que incluem Órion eram o Estandarte das 3 estrelas, que inicialmente incluía apenas o cinturão de órion, mas que depois passou a incluir outras, e o bico da Tartaruga, sendo este um dos asterismos principais de todo o quadrante do Tigre Branco , marcando o inverno para os Chineses.

Povos Mesoamericanos

Os astecas viam nas constelações do cinturão de Órion uma broca de fogo que era associada a uma das divindades do fogo asteca, Xiuhtecuhtli, que testemunhou o nascimento do próprio sol. A cerimônia do fogo novo era um ritual celebrado a cada 52 anos pelos astecas quando fechava um ciclo do calendário e se iniciava um outro, e era marcada por esta constelação.

Para evitar o apocalipse nesse momento de transição de calendário, os astecas realizavam um ritual onde todo o fogo de suas cidades era apagado , e um homem era levado até o topo de uma montanha para ser sacrificado. No momento em que o cinturão de Órion ascendia no horizonte , uma broca perfurava o peito da vítima, seu coração era removido e usado para ascender uma chama, que depois partia em procissão e era utilizada para ascender outras chamas ao redor das cidades e vilarejos.

Era portanto um ritual de purificação do próprio fogo , e a constelação de Órion era vista como esse instrumento ritual e era associada com o próprio festival em si. Esse ritual não se trata de uma exclusividade asteca, tendo sido praticado por culturas da califórnia, América central e cordilheira dos andes também, com algumas modificações.

Anatomia da constelação de Orion

Orion é composto por um asterismo central de 3 estrelas em linha que formam seu cinturão e mais outras estrelas que formam os braços e pernas da figura. Sua localização é muito fácil, e o mês em que Orion passa mais tempo visível no céu é o mês de dezembro, quando Órion culmina à meia-noite. Tudo o que você tem que fazer é procurar pelas três marias, e saber quando olhar.

Em Outubro, Órion nasce por volta de 21-22:00 aqui no Brasil, já sendo plenamente observável durante a madrugada. A partir de fevereiro, Órion já se encontra alta no céu logo após o por do sol. A partir do outono ela começa a permanecer visível por cada vez menos tempo , até o ponto em que ela fica totalmente invisível , geralmente em junho, reaparecendo a partir de julho quando começa a nascer no fim da madrugada antes do amanhecer.

Abaixo temos a lista com as estrelas de Órion que são nomeadas. Note que a constelação inclui um número bem maior de estrelas, mas que não são tão brilhantes quanto aquelas do asterismo principal.

Tabit Pi3 (π3)12°13′ de Gêmeos
Rigel Beta (β)17°07′ de Gêmeos
Bellatrix Gamma (γ)21°14′ de Gêmeos
Mintaka Delta (δ)22°41′ de Gêmeos
Hatsya Iota (ι) 23°17′ de Gêmeos
Ensis M4223°16′ de Gêmeos
Alnilan Epsilon (ε)23°45′ de Gêmeos
Meissa Lambda (λ)24°00′ de Gêmeos
Alnitak Zeta (ζ)24°58′ de Gêmeos
Saiph Kappa (κ)26°41′ de Gêmeos
Betelgeuse Alpha (α)29°02′ de Gêmeos
A posição das estrelas é dada para 01/01/2021. Tenha em mente que as estrelas se movem numa média de 1° a cada 70 anos.

Tabit, Pi3 (π3) Orionis, é a estrela localizada mais a norte nessa constelação. Ela integra um grupo de outras estrelas não nomeadas na região da Constelação onde aparece uma pele de leão, e significa suportar, aguentar firme (uma provação ou dificuldade). Os persas nomeavam coletivamente a esse agrupamento, o chamando de al taj, “a coroa”.

Rigel, Beta (β) Orionis, é uma estrela dupla, beta da constelação, localizada no pé direito de Órion. Ao mesmo tempo que os pés de Órion lhe concediam o poder de caminhar pelas águas, foi também ali onde ele foi picado pelo escorpião enviado seja por gaia, Ártemis ou Apolo. A palavra Rigel vem do Árabe Rijl Jauzah al Yusra, significando literalmente pé ou perna esquerda de Órion. Jauzah é o termo árabe usado pra nomear a constelação de Órion. É na verdade a estrela mais brilhante da constelação, e a sétima estrela mais brilhante dentre todas.

Bellatrix, Gamma (γ) Orionis, é uma estrela amarelada localizada no ombro esquerdo de Órion. A palavra significa “guerreira”. Em Árabe recebe o nome de Al najid , o conquistador. Marca o braço de Órion que carrega uma pele de leão, que pode ser lida como um troféu e símbolo de suas vitórias como caçador. É também chamada de estrela amazona.

Mintaka, Delta (δ) Orionis, é a estrela que se localiza mais a oeste no cinturão de Órion. O nome vem do árabe, Al Mintakah, e significa o cinto, nome que as vezes era atribuído a todo o conjunto. Do cinturão, é sempre a primeira a nascer no horizonte leste, e teve importância gigantesca para a navegação, devido a sua posição , a menos de 23′ de arco do equador celeste atualmente, marcando um ponto de referência muito importante para localização especialmente durante a época das grandes navegações.

Hatsya, Iota (ι) Orionis, é uma estrela localizada na espada embainhada na cintura de Órion, a mais brilhante daquela região. Em árabe, seu nome é Na’ir al Saif, significando literalmente “a brilhante na espada”.

Ensis é uma nebulosa localizada na bainha da espada de Órion. Seu nome astronômico é M42, e é conhecida como a grande nebulosa de Órion.

Alnilan, Epsilon (ε) Orionis, é a estrela central do cinturão de Órion. O nome deriva do árabe Al Nathan, que significa linha de pérolas , nome que também era usado coletivamente para as demais estrelas do cinturão.

Meissa, Lambda (λ) Orionis, é uma estrela dupla localizada na cabeça de Órion. Ela aparece formando um pequeno triângulo com outras duas estrelas presentes na região que não são nomeadas. O nome árabe era Ras al Jauzah, literalmente a cabeça de Órion.

Alnitak, Zeta (ζ) Orionis, É a estrela que fica mais a leste no cinturão de Órion, sendo a última a ascender do cinturão no horizonte leste. É uma estrela tripla, e é a mais brilhante do cinturão também , sendo a quarta mais brilhante da constelação. O nome vem do árabe Al nitak, a cintura.

Saiph, Kappa (κ) Orionis, é uma estrela localizada na perna direita de Orion. O nome vem do árabe Saif al Jabbar, significando “a espada do gigante”.

Betelgeuse, Alpha (α) Orionis, é uma super gigante laranja-avermelhada, 890 vezes maior que o nosso sol. Ela costumava ser ainda mais brilhante a algumas dezenas de anos atrás, mas vem perdendo progressivamente seu brilho nos últimos tempos, com alguns cientistas afirmando que ela talvez esteja a ponto de explodir e se transformar em uma Super Nova, coisa que pode acontecer a qualquer momento. Agora ela é a segunda estrela mais brilhante em Órion, depois de Rigel, mas ainda é a nona estrela mais brilhante dentre todas. O Nome é uma corruptela do original em árabe, Ib ţ al Jauzah , a axila de Órion.

Significado astrológico de Órion

Assim o significado básico de Órion é o de um grande guerreiro/caçador. O sentido bélico também se observa no significado que se atribui a suas principais estrelas, que geralmente concedem liderança e honrarias militares. Órion está próximo das constelações de Touro e Gêmeos, na região do equador celeste, sendo visível tanto no hemisfério sul quanto no hemisfério norte. Na época dos gregos e dos romanos, metade da constelação de Órion ficava posicionada na região paralela a passagem do Sol pelo signo de Touro, e a outra metade era paralela ao signo de Gêmeos, numa região de aproximadamente 20° de longitude zodiacal. Atualmente Orion fica entre o segundo e o terceiro decanato do signo de Gêmeos (10° a 29° de Gêmeos); Veja a localização zodiacal de suas principais estrelas:

Rigel, apesar de ser a Beta da constelação de Orion é a estrela mais brilhante da constelação e se localiza atualmente aos 17° de Gêmeos. Rigel é a sétima estrela mais brilhante em todo o céu visível a partir da terra. Fica localizada no pé esquerdo de Órion e significa rapidez, agilidade, esperteza, sorte e boa fortuna. Órion era capaz de caminhar sobre as águas, então essa é a parte mais “mágica” da constelação. É indicadora de criatividade, dons musicais e artísticos de modo geral. A peculiar característica de Rigel ter um brilho bastante variável, as vezes brilhando menos do que Betelgeuse, as vezes brilhando muito mais do que esta, pode sugerir um elemento forte de “altos e baixos” na vida dos nativos que são afetados por ela.

Bellatrix é conhecida também como a dama guerreira ou a estrela amazona. A própria palavra Bellatrix, que vêm do latim, significa literalmente guerreira. Aqui ela pode muito bem personificar o espírito audacioso de Ártemis , que era a deusa portadora do Arco e Flecha. Ártemis é conhecida pela sua independência e era a deusa maior das Amazonas e uma deusa maior em Esparta, cidade estado grega famosa pelo nível de emancipação e influência política de suas mulheres na antiguidade. Fica localizada aos 21° de Gêmeos e fica no braço esquerda de Órion, o que aparece segurando um pelego de leão. Significa honrarias militares, popularidade e um pouco de sorte. No mapa de mulheres sugere atrevimento, audácia, coragem, a personificação da “mulher guerreira”.

O cinturão de Órion, formado por Mintaka(22° de gêmeos), Alnilam(23° de Gêmeos) e Alnitak (24° de gêmeos) indica indivíduos audaciosos , de espírito independente e rebelde, que não se guiam nem por religião e nem pela palavra dos pais, mas pelo que manda seu coração . Por conta disso, tendem a conquistar coisas além do que seria esperado para eles, mas ao mesmo tempo se expõem a riscos e criam inimigos devido a sua insubmissão.

Saiph fica na perna direita de Órion , aos 26° de Gêmeos , e não tem significado especial além do geral da constelação que é a autoconfiança e o espírito audacioso.

Betelgeuse era tida como a estrela mais brilhante de Orion (sendo considerada até hoje como a alfa desta constelação) mas foi desbancada por Rigel porque passou a perder brilho nos últimos tempos. Fica localizada aos 29° de Gêmeos, na região do ombro direito de Órion, do braço que segura uma espada. No século XX porém, ela ficava em 28° de Gêmeos. Significa agressividade, coragem, força, honrarias e vitórias militares, sucesso e amizade com pessoas poderosas, além de criatividade e dons artísticos. Era também associada a explosões, incêndios e mortes causadas por raios, tendo portanto um simbolismo bem uraniano se pensarmos num contexto moderno.

A constelação de Perseu

Perseu ou Perseus é uma constelação que fica na região norte do céu, não muito distante do equador celeste (a linha imaginária por onde ocorre o trânsito do sol). Está próxima das constelações de Áries e Touro. Na região desta constelação ocorre a chuva de meteoros conhecida como “Perséiades”, fenômeno em que se pode observar diversas estrelas cadentes e que é observado a mais de 2000 anos.

Perseu era filho do próprio Zeus com a mortal Danae, ele a visitou na forma de uma chuva de ouro, engravidando-a nessa forma de Perseu. As Perséiades seriam portanto uma referência a este feito do Deus dos deuses. Na Europa cristã este fenômeno é conhecido como “As lágrimas de São Lourenço”. O fenômeno é visível anualmente a partir de meados de Julho, registrando-se a maior atividade entre os dias 8 e 14 de Agosto, ocorrendo o seu pico por volta do dia 12.

Durante o pico, a taxa de estrelas cadentes pode ultrapassar as 60 por hora. Podem ser observadas ao longo de todo o plano celeste, mas devido à trajetória da órbita do cometa são observáveis principalmente no hemisfério norte e na direção Norte do céu. Pra esse fenômeno ser visualizado no Brasil, é necessária uma região de pouca poluição luminosa e com poucas obstruções na região norte. Quanto mais ao Norte do Brasil, mais provável de se conseguir visualizar alguma coisa.

Não se trata de uma constelação fácil de se localizar, porque ela não forma um asterismo muito claro, especialmente depois da reconfiguração das constelações feita na era moderna, onde a área de abrangência dessa constelação aumentou. Mas o fato de ela estar próxima das constelações de Áries e Touro ajuda a encontra-la, especialmente tomando Touro como referência, ela estará mais a norte dessa constelação.

Mitologia da Constelação de Perseu

Além do herói Perseu , essa constelação também apresenta uma figura mitológica cuja importância excede a do próprio Perseu, que é a Medusa , marcada pela estrela Algol, de grande importância astrológica. Vamos conhecer a orgiem das duas figuras e depois entender a maneira como elas se encontram, e o legado que cada uma delas teve depois, a luz da mitologia grega.

Perseu

Perseu era filho da mortal Dânae com Zeus , deus dos deuses. O pai de Dânae era o rei da Argólida, o coração da Grécia na era Micênica . Ele reinava a partir da cidade de Argos e mais tarde o próprio Perseu viria a fundar Micenas , mais ou menos a meio caminho entre Argos e Corinto. Esse rei não tinha filhos homens, e ao interrogar um oráculo, descobre que sua filha Dânae teria um filho que viria a mata-lo quando adulto. Diante desse presságio, o rei manda aprisionar a própria filha numa câmara subterrânea feita de bronze.

Zeus já havia notado a beleza de Dânae antes, e estava apaixonado por ela, mas evitava encontra-la a luz do dia porque sua esposa Hera era extremamente ciumenta e o vigiava constantemente. Ao saber que ela havia sido aprisionada pelo seu pai, o Zeus transforma-se numa chuva de ouro , e assim consegue penetrar no cativeiro de Dânae, revelando a ela sua verdadeira forma e finalmente a seduzindo. Dânae termina grávida de Perseu.

Ao descobrir que a filha havia engravidado de Zeus, o rei sem ter coragem de matar a ela ou ao filho que ela esperava com medo de ofender ao deus dos deuses, decide por banir a filha do reino da Argólida, colocando ela e o filho em um cesto de palha e lançando os dois à deriva no mar Egeu. É nesse ponto que o mito de Perseu se assemelha ao do Moisés bíblico.

Os dois terminam chegando as praias da ilha de Sérifos, no meio do mar Egeu, e são salvos por um pescador, Dyctes, que era irmão do rei de Sérifos, Polydectes. Dyctes criou Perseu até a vida adulta, e quando ja estava adulto, o rei Polydectes se apaixonou por Dânae, fato contra o qual Perseu se opôs. Ressentido da atitude de Perseu, polydectes trama um plano maligno , onde ele passa a exigir presentes de seus súditos, sabendo que Perseu seria incapaz de lhe dar o que ele pedia. Perseu então se vê obrigado a se oferecer em serviço ao rei, que lhe pede uma tarefa que ele imaginava que acabaria com a vida de Perseu: Trazer a cabeça da górgona Medusa.

Medusa

De acordo com uma versão antiga , Medusa e suas outras duas irmãs eram conhecidas como Górgonas, e eram filhas de Cetus que aparece em outra constelação. Eram divindades ctônicas, monstruosas e imortais, com exceção da medusa. Tinham o corpo monstruoso, e os cabelos em forma de serpente.

Em outra versão mais recente, ela é uma donzela ateniense que trabalhava no templo da deusa Palas Atena, muito bela e vaidosa, que se orgulhava dos seus lindos cabelos e que se considerava tão ou mais bonita do que a própria Atena. Ela era de fato, muito bonita, ao ponto de ter chamado a atenção do deus dos mares, Posseidon, que a estuprou.

As sacerdotisas do templo de Atena porém, deveriam se manter virgens, e Medusa voltou aos seus afazeres do templo como se nada tivesse acontecido, o que despertou a fúria de Atena. Como punição, Atena transformou seus cabelos em serpentes, e tornou seu rosto tão aterrorizante que quem quer que a visse se transformaria em estátua.

Ela foi banida da civilização e foi viver no deserto do Saara. Inclusive as víboras que infestam essa região do sul da Líbia são atribuídas a Medusa. O covil da Medusa era descrito como um local repleto de estátuas de homens convertidos pela maldição da deusa Atena, onde a entrada de mulheres era proibida para poupa-las.

Perseu e a Medusa

Perseu então tinha a missão de decapitar Medusa e levar sua cabeça como prova. Tarefa impossível, mas Perseu recebeu auxílio da deusa Atena, de Hermes e do próprio Hades, que lhe presentearam com artefatos mágicos : sandálias aladas, um elmo da invisibilidade e um escudo que lhe permitia ele mesmo ver o reflexo da medusa sem precisar olhar diretamente pra ela.

E assim ele o fez. Ao decapitar a Medusa , o sangue dela ao entrar em contato com o chão deu origem ao Cavalo alado Pegasus, que era o filho de Medusa com o próprio Posseidon. Ao tocar o solo após seu nascimento , o chão desértico tornou-se magicamente fértil como se uma suave primavera tivesse substituído a aridez do deserto naquela região, e assim se explicavam os Oásis na mitologia grega. Pegasus depois foi transformado em constelação.

No caminho de volta, Perseu passou pela Etiópia, e soube do monstro que iria destruir o país e da princesa entregue em sacrifício para aplacar a fúria de Posseidon. O monstro era Cetus, pai da Medusa em uma das versões do mito de origem dela , que Perseu derrotou simplesmente mostrando o rosto da medusa para a fera que se transformou em pedra. Assim Perseu salvou a princesa Andrômeda e se casou com ela. Sua prole daria origem depois aos imperadores da Pérsia.

O mito de Perseu continua com seu retorno para Sérifos, onde ele mata Polydectes livrando sua mãe . Posteriormente , ele funda a cidade de Micenas, próximo a Argos , que seria o epicentro da civlização Micênica, que daria origem posteriormente a Grécia clássica.

Seu avô Acrísio que governava Argos, ao descobrir sobre Perseu e seus feitos, se exilou na cidade Larissa, na região da tessália, ao norte de Atenas e Delfos. Um belo dia, jogos esportivos estavam sendo praticados na cidade em celebração de um funeral de uma pessoa importante. Acrísio foi assistir aos jogos, e um dos participantes como competidor era o próprio Perseu, no arremesso de disco. O disco de Perseu terminou atingindo e matando Acrísio , com a profecia se cumprindo.

Anatomia da constelação de Perseu

A constelação de Perseu não é conhecida pelo seu formato, nem por ter estrelas necessariamente brilhantes ou que se destaquem. É uma área do céu que fica entre outras constelações mais definidas, como Cassiopeia e Touro, e é a partir da identificação de uma dessas duas que você tem uma noção de onde olhar para encontrar Perseu.

Outras culturas associavam outras formas humanas a esta constelação: Os egípcios projetavam ali Khem, uma divindade da fertilidade e principio da masculinidade e virilidade. Os persas viam ali Mithra, a suprema divindade do Zoroastrismo, o princípio do bem e de tudo o que é positivo. Os chineses viam ali 4 asterismos diferentes, com o principal formado pela Alfa e Beta Persei sendo a representação de um general , yīng xiān zuò . Outras culturas imaginavam pouco naquela região, com as estrelas de Perseu frequentemente integrando outras constelações ou sendo ignoradas.

Se localiza no hemisfério norte celeste, sendo visível em todo o Brasil. Se estiver no hemisfério norte, procure pelo W formado pela constelação de Cassiopeia. A constelação de Perseu estará um pouco mais ao sul. Como Cassiopeia não é fácil de encontrar no Brasil, se estiver aqui procure pelo Y da constelação de Touro , Perseu estará mais ao norte, mais ou menos na mesma reta que o eixo desse Y. Isso significa que geralmente Perseu estará próxima ao solo, na direção norte. A melhor época pra observar é nos meses que vão de Setembro a janeiro. Veja abaixo as principais estrelas de Perseu:

Capulus 24°29′ de Touro
Algol beta (β)26°27′ de Touro
Misan kappa (κ)27°59′ de Touro
Miran Eta (η)28°59′ de Touro
Atiks Omicron (ο)01°26′ de Gêmeos
Mirfak Alpha (α)02°22′ de Gêmeos
Menkib Xi (ξ)05°15′ de Gêmeos

Capulus é um aglomerado estelar que se localiza no punho que segura a espada de Perseu, formado por mais de 60 estrelas , que pode ser melhor observado com um telescópio.

Algol , ou Caput Algol, a beta (β) Persei, é um sistema composto por 3 estrelas, que se localiza na cabeça da Medusa. Na antiguidade esse não era um fato conhecido, mas coincidentemente, a Medusa era uma das Górgonas, um grupo de 3 irmãs. Duas dessas estrelas são mais brilhantes , com uma sendo mais turva, e quando essa mais turva eclipsa uma das outras duas, isso produz um efeito de variação no brilho dessa estrela. Hiparco na antiguidade colocava Algol em uma constelação diferente, Caput Medusae, a cabeça da Medusa, mas a maioria dos autores sempre a consideraram como parte da Constelação de Perseu.

Em diversas culturas, a reputação dessa estrela era negativa . Mesmo na longínqua China, essa estrela era chamada de Cadáver, Tseih She. Na astrologia ocidental tradicional é considerada a mais maléfica dentre as estrelas. Seu nome vem do árabe Ra’s al Ghul, o demônio.

Misan, Kappa (κ) persei, é uma estrela que se localiza no braço esquerdo de Perseu, o que segura a cabeça da Medusa.

Miran, Eta (η) persei, é uma estrela que se localiza no braço direito de Perseu, o que segura a espada.

Atiks, Omicron (ο) persei, é uma estrela que se localiza na sandália esquerda de Perseu, uma sandália mágica que lhe permitia voar, dada por Hermes.

Mirfak, Alpha (α) persei, é a estrela mais brilhante de Perseu, ainda que não seja a mais importante astrologicamente , nem se comparando com Algol nesse quesito. Simboliza a costela direita de Perseu na lateral de seu abdomen. Tem vários nomes alternativos, o principal deles sendo Algenib.

Menkib, Xi (ξ) persei, se localiza na panturrilha esquerda de Perseu.

Significado Astrológico da Constelação de Perseu

Perseu como um todo é uma constelação percebida como poderosa, mas pouco benéfica. Representa pessoas egoístas e sem escrúpulos ao perseguir seus objetivos, inclinadas a mentira. Entretanto, somente uma estrela em Perseu realmente se destaca: Algol. Todas as outras são eclipsadas pelo mito da Medusa , e Perseu termina seus dias não passando de um coadjuvante, onde ela, a terrível Górgona, reina soberana, mesmo morta.

É interessante lembrar que Perseu da a cabeça da Medusa para a deusa Atena, que a coloca em seu escudo, o Aégis. E que Atena é representada como deusa da sabedoria, especialmente em função do seu papel na cidade de Atenas, onde era a padroeira, mas que no mundo grego ela era adorada como uma Deusa da Guerra. E nesse sentido, ela era uma figura terrível e Impiedosa. Para os Romanos , ela assumiu um aspecto de frieza e distanciamento na forma de Minerva, como deusa a presidir o direito romano, simbolizando a justiça. Atena usava a medusa como um amuleto para aterrorizar seus inimigos na guerra. Não a toa, os gregos confeccionavam amuletos com cabeças de medusa, para protege-los do mal.

A medusa é essa entidade terrível, monstruosa, e ao mesmo tempo infinitamente poderosa. E de certa forma ela e Atena são intimamente conectadas. Dessa forma fica mais fácil entender a natureza de Algol, se lembrarmos que a deusa Atena também está por trás dela.

Na astrologia Clássica, a reputação dessa estrela é maléfica, sendo associada a autoridade, tirania e abuso de poder. Também costuma ser lincada a mortes violentas , por decapitação ou enforcamento, ou outras formas de pena capital.

De certa forma ela simboliza o feminino sob a ótica do masculino amedrontado pela beleza e pela atração que o feminino exerce, apesar de sua fragilidade. E por esse motivo simboliza o ódio ao feminino que vemos expresso no estupro seguido da culpabilização da vítima do estupro, que além de estuprada, é desfigurada e banida. Essa estrela é antes de tudo um símbolo da opressão ao feminino, e de todas as formas de injustiça , todas as formas de abuso, que aqueles investidos de poder exercem contra os mais frágeis.

Quando Algol aparece no ascendente ou ligada a algum planeta por conjunção, a pessoa pode ter rompantes de comportamentos abusivos e tirânicos. Tende a uma postura dominante em todas as esferas da vida. Independente do gênero, sejam homens ou mulheres, vão assumir a impiedosa postura da deusa da guerra, e esmagarão aqueles que julgam seus inimigos. Por conta disso, aliás, essa estrela leva a pessoa a criar muitos inimigos. É particularmente violenta e destrutiva a conjunção de Marte com essa estrela. Se aparece no MC, a pessoa pode ter de conviver com patrões tiranos por exemplo. Se aparece no fundo do céu, essa tirania pode ser vivenciada a partir dos pais, e se aparece na cúspide da casa 7, através de inimigos declarados.

A constelação de Cassiopéia

Cassiopéia , assim como Cepheu, é uma constelação que faz parte do mito de Perseu e Andrômeda, e se localiza próxima a essas constelações no hemisfério norte celeste. É uma constelação circumpolar em latitudes acima dos 35° Norte, isto é, pode ser vista praticamente o ano inteiro, mas em especial durante os meses frios. No hemisfério sul ela pode ser vista em sua totalidade somente nas latitudes que vão até 12° sul, durante a primavera. Ela pode ser vista parcialmente em latitudes que vão de 12° sul até 43° sul, e é invisível em latitudes que ultrapassem isso.

No Brasil, é plenamente visível nas regiões Norte e Nordeste, a parcialmente visível no restante do país. Para encontra-la, o observador precisa estar numa cidade plana , e deve-se voltar-se para o norte, isso durante a primavera do hemisfério sul (Outubro a dezembro), e procurar pelo seu asterismo característico.

Sua característica mais notável é a forma em w do seu asterismo principal, que a torna fácil de ser localizada no céu do hemisfério norte em especial. A figura que representa essa constelação é a de uma mulher sentada em um trono e acorrentada a ele, e virada de ponta a cabeça. Em algumas representações ela segura flores ou ramas de trigo.

Os mitos da constelação de Cassiopeia

O principal mito dessa constelação se refere a Cassiopeia da mitologia grega, esposa de Cepheus e mãe de Andrômeda, e rainha da Etiópia. Ela e sua filha eram muito belas , e Cassiopeia era particularmente orgulhosa deste fato, inclusive se gabando para quem quisesse ouvir que ela era mais bela do que as nereidas, divindades protegidas de Posseidon.

Posseidon era particularmente fácil de se ofender e ao descobrir o que Cassiopeia dizia, decidiu punir o reino da Etiópia como um todo. Em algumas fontes ele ameaçou o país com tempestades e maremotos que iriam inundá-lo por inteiro. Em outras fontes ele decide enviar um monstro gigantesco , simbolizado pela constelação de Cetus. Para evitar a destruição prometida porém, a princesa Andrômeda deveria ser entregue em sacrifício. Cepheu decide poupar seu reino e envia Andrômeda em sacrifício, mas ela é salva pelo herói Perseu, com quem termina se casando.

Ainda ultrajado, Posseidon decide que Cassiopeia deveria ser punida de qualquer forma, e a transforma em constelação, com o detalhe de que ela deveria ficar de cabeça para baixo, eternamente.

Razões para o ressentimento de Poisseidon na forma como ele é retratado na mitologia grega são inúmeras. Começa pela fato de ele ter recebido o reino subaquático durante a divisão do mundo, com o mundo subterrâneo ficando para Hades, e o mundo humano e celeste ficando sob responsabilidade de Zeus. Depois ele foi preterido pela deusa Atena que se transformou em patrona da cidade de Atenas ao invés dele. As reações desse deus são sempre desproporcionais e dramáticas, em alusão ao comportamento do mar que as vezes se torna imprevisível e monstruoso. Esse deus também governava os terremotos.

Cassiopeia é representada como uma mulher sentada em um trono, com os seios expostos , acorrentada a este trona e virada de ponta a cabeça. Entretanto, outras culturas viam coisas diferentes nessa constelação. Os egípcios por exemplo viam apenas um trono adornado com pedras preciosas, enquanto que os fenícios viam uma plantação de trigo com um agricultor cultivando o campo. Os chineses viam algo similar ao que os gregos viam ali. O nome do asterismo em forma de w na astronomia chinesa, xiān hòu zuò, equivale a “Constelação da Rainha imortal” em português. Os persas antigos viam nessa constelação um camelo bactriano, com suas duas corcovas.

Ainda na mitologia grega, a titã Theia também era associada a essa constelação . Ela governava a visão e tudo o que é brilhante, bem como o céu azul de dias sem nuvens. Era casada com o titã Hyperion , que governava a luz. Ela era também associada ao ouro, a prata e todas as joias preciosas. Era a mãe de Helios (o sol), Selene (a lua) e Eos (o anoitecer).

Anatomia da constelação de Cassiopeia

Cassiopeia ocupa uma area bem grande no céu, especialmente após o redesenho das constelações realizado entre os séculos XVII e XVIII. Entretanto, as estrelas mais brilhantes se localizam no asterismo em forma de w. Astrologicamente, a longitude de Cassiopeia se estende ao longo de todo o signo de Touro . Veja abaixo a lista das principais estrelas:

Caph Beta (β)05°24′ de Touro
Schedir Alpha (α)08°04′ de Touro
Achird Eta (η)10°32′ de Touro
Cih Gamma (γ)14°13′ de Touro
Rucha Delta (δ)18°13′ de Touro
Segin Epsilon (ε)25°03′ de Touro

Caph, Beta (β) Cassiopeia, é uma estrela branca que se localiza no encosto do trono onde Cassiopeia está sentada. Era o traseiro do camelo da constelação persa. Em árabe, esse nome significa “mão”.

Schedir, Alpha (α) Cassiopeia, é uma estrela que se localiza nos seios expostos da rainha Cassiopeia (ou em uma das corcovas do camelo dos Persas). Essa palavra vem do árabe Al Sadr, que significa Seio. O formato em w da constelação é sugestivo em relação a essa parte da anatomia feminina.

Achird, Eta (η) Cassiopeia, é uma estrela localizada no cinto de Cassiopeia. Essa estrela tem brilho mais discreto e nem sempre está visível.

Cih, Gamma (γ) Cassiopeia, é uma estrela localizada no assento do trono onde Cassiopeia está sentada. Os chineses chamavam essa estrela de Tsih, que significa chicote.

Rucha, Delta (δ)  Cassiopeia, é uma estrela localizada no joelho de Cassiopeia , ou na corcova dianteira do camelo persa. É chamada também de Ruchbah, que deriva do árabe al Rukbah, que significa joelho.

Segin, Epsilon (ε) Cassiopeia, é uma estrela localizada no tornozelo esquerdo de Cassiopeia. Um nome alternativo para ela é “Navi”, e ela representa a cabeça do camelo persa.

Significado astrológico de Cassiopeia

Cassiopeia está relacionada a vaidade essencialmente. Especialmente quando uma de suas estrelas mais brilhantes aparece no ascendente, vai falar de pessoas vaidosas, que cuidam, se orgulham e gostam de exibir o próprio corpo, e que gostam de se ornamentar com joias, tatuagens , maquiagens e roupas bonitas. Manilus diz que essa constelação costuma estar em evidência em mapas de fabricantes de joias. Poderíamos ir além e modernamente associar ela a pessoas que trabalham com o embelezamento dos outros, como cirurgiões plásticos, dentistas, maquiadores e cabeleireiros.

Na tradição ela é vista como maléfica, já que representa uma mulher autoconfiante, o que antigamente era um escândalo e motivo de vergonha. Ptolomeu dava a ela a natureza de Saturno e Vênus. Hoje em dia , ela pode muito bem ter uma acepção benéfica, especialmente para a cultura ocidental, simbolizando mulheres fortes, e uma relação positiva com o próprio corpo. Também está relacionada ao hedonismo e ao erotismo e a sedução através do corpo.

A Constelação de Cepheus

Cepheus e Cassiopeia fazem parte do ciclo mitológico envolvendo Perseu, Cetus e Andrômeda. Cepheu era o rei da Etiópia, e Cassiopeia sua esposa. Andrômeda era a filha deles. Localizam-se inteiramente no hemisfério norte do céu, sendo Cepheus impossível de se visualizar nas regiões sul e sudeste do Brasil. Cassiopeia é visível somente em regiões bem planas (no sul ou sudeste do brasil) porque suas estrelas aparecem na borda norte do céu numa determinada época do ano. Nas regiões norte e nordeste do Brasil as duas constelações são visíveis, especialmente Cassiopeia. No hemisfério norte ambas as constelações são plenamente visíveis e passam boa parte do tempo visualizáveis no céu de outono e inverno. Nas zonas próximas ao circulo polar ártico, Cepheus é visível o ano inteiro, com sua alfa já tendo sido a estrela polar a alguns milhares de anos atrás.

A importância astrológica dessas duas constelações, bem como de todas as localizadas nas regiões polares do céu é totalmente questionável, devido a distância que elas tem da eclíptica. Ainda assim elas possuem longitudes traçadas nos mapas celestes de forma que elas coincidem com certas regiões da eclíptica zodiacal. Assim, as estrelas de Cepheus se estendem (atualmente) entre os signos de Áries e Touro. Antigamente era entre Peixes e Áries, e de fato Cepheus fica paralelo a essas constelações, só que no extremo norte do céu.

Os mitos da constelação de Cepheus

Cepheus representa um rei entronizado e coroado, particularmente o rei da Etiópia, que devido a arrogância de sua esposa quase viu seu reino arruinado e foi forçado a entregar sua filha, Andrômeda em sacrifício para aplacar a fúria do deus Posseidon. Por esse motivo, o sentido astrológico dessa constelação é bom e ruim ao mesmo tempo. De um lado está associada a Júpiter, indicando a realeza e o poder, a autoridade, etc. Mas compartilha também de uma natureza saturnina, representando o Rei que precisa administrar uma crise em seu reino. O mito de Dámocles cai bem pra se falar a respeito de Cepheus:

“Dâmocles era um cortesão bastante bajulador na corte do tirano Dionísio, de Siracusa. Ele dizia que, como um grande homem de poder e autoridade, Dionísio era verdadeiramente afortunado.Dionísio ofereceu-se para trocar de lugar com ele por um dia, para que ele também pudesse sentir o gosto de toda esta sorte, sendo servido em ouro e prata, atendido por garotas de extraordinária beleza, e servido com as melhores comidas. No meio de todo o luxo, Dionísio ordenou que uma espada fosse pendurada sobre o pescoço de Dâmocles, presa apenas por um fio de rabo de cavalo. Ao ver a espada afiada suspensa diretamente sobre sua cabeça, perdeu o interesse pela excelente comida e pelas belas garotas e abdicou de seu posto, dizendo que não queria mais ser tão afortunado.

A espada de Dâmocles é uma alusão freqüentemente usada para remeter a este conto, representando a insegurança daqueles com grande poder, devido à possibilidade deste poder lhes ser tomado de repente ou, mais genericamente, a qualquer sentimento de danação iminente.”

Outra característica de Cepheus está relacionada a encenação. Isso pode estar relacionado ao fato de que em tempos mais antigos, quando essa constelação continha o polo norte celeste, ela era associada a um deus macaco egípcio conhecido como Kapi, um antecessor de Set. Macacos são conhecidos pelas “macaquices” e em inglês o verbo to ape significa encenar, imitar, o que chamamos em português macaquear. Uma das estrelas de Cepheus, Kurda, significa literalmente isso

Anatomia da Constelação de Cepheus

Cepheus é uma constelação circumpolar para o hemisfério norte sendo visível durante o ano inteiro , especialmente nas latitudes acima do trópico de câncer. No Brasil, abaixo da latitude 10° sul ela se torna invisível , e ao redor do equador é visível a depender da época do ano.

As principais estrelas de Cepheus são:

Nome da EstrelaLongitude zodiacal (01/01/2021)
Erakis (μ mu)09°59′ Áries
Alderamin (α alfa)13°03′ Áries
Kurdah (ξ xi)24°30′ Áries
Alphirk (β beta)05°50′ Touro
Alrai (γ gama)00°23′ Gêmeos

Erakis , chamada modernamente de “The garnet star”, ou em português “a estrela brinco”, fica na orelha direita de Cepheu. É chamada de Mu (μ) Cepheus Esse nome se deve a sua coloração que varia do rubi ao laranja, destoando da palidez das demais estrelas da constelação.

Alderamin, a estrela alfa da constelação alfa (α) Cepheus fica localizada no ombro direito de Cepheu. Chamava-se antigamente Al Dhira al Yamin, que significa o braço direito literalmente. A 20.000 anos atrás essa estrela foi a estrela polar, e a partir do longínquo ano de 7500 voltará a ser estrela polar.

Kurdah, xi (ξ) cepheus, fica localizada no peito de Cepheu. Um significado para o seu nome é “o macaco”.

Alphirk , beta (β) Cepheus, fica localizada no cinto de Cepheu. Antigamente, essa estrela e Alderamin em conjunto recebiam a alcunha de “o rebanho”. Alphirk é uma palavra árabe e significa literalmente o rebanho, mas aqui se referindo a um rebanho de animais selvagens, como antílopes por exemplo. Talvez “manada” seja a palavra mais apropriada.

Alrai, gama (γ) Cepheus, é uma estrela amarela localizada no joelho esquerdo de Cepheus. Vem do termo árabe alrai, que significa o pastor, de onde vem também o nome de outra constelação, Auriga, o pastor.

Deve-se notar que apesar das estrelas se estenderem por uma faixa zodiacal considerável (3 signos), trata-se de uma constelação relativamente pequena. Isso ocorre com outras constelações de regiões polares também. O significado de Cepheu é uma mistura de Júpiter e Saturno. Significa uma pessoa justa, mas que pode ser sujeita a julgamentos severos ao longo da vida. As estrelas que devem ser notadas são Alderamin e Alphirk principalmente, Alfa e Beta.

Page 2 of 2

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén