Cassiopéia , assim como Cepheu, é uma constelação que faz parte do mito de Perseu e Andrômeda, e se localiza próxima a essas constelações no hemisfério norte celeste. É uma constelação circumpolar em latitudes acima dos 35° Norte, isto é, pode ser vista praticamente o ano inteiro, mas em especial durante os meses frios. No hemisfério sul ela pode ser vista em sua totalidade somente nas latitudes que vão até 12° sul, durante a primavera. Ela pode ser vista parcialmente em latitudes que vão de 12° sul até 43° sul, e é invisível em latitudes que ultrapassem isso.

No Brasil, é plenamente visível nas regiões Norte e Nordeste, a parcialmente visível no restante do país. Para encontra-la, o observador precisa estar numa cidade plana , e deve-se voltar-se para o norte, isso durante a primavera do hemisfério sul (Outubro a dezembro), e procurar pelo seu asterismo característico.

Sua característica mais notável é a forma em w do seu asterismo principal, que a torna fácil de ser localizada no céu do hemisfério norte em especial. A figura que representa essa constelação é a de uma mulher sentada em um trono e acorrentada a ele, e virada de ponta a cabeça. Em algumas representações ela segura flores ou ramas de trigo.

Os mitos da constelação de Cassiopeia

O principal mito dessa constelação se refere a Cassiopeia da mitologia grega, esposa de Cepheus e mãe de Andrômeda, e rainha da Etiópia. Ela e sua filha eram muito belas , e Cassiopeia era particularmente orgulhosa deste fato, inclusive se gabando para quem quisesse ouvir que ela era mais bela do que as nereidas, divindades protegidas de Posseidon.

Posseidon era particularmente fácil de se ofender e ao descobrir o que Cassiopeia dizia, decidiu punir o reino da Etiópia como um todo. Em algumas fontes ele ameaçou o país com tempestades e maremotos que iriam inundá-lo por inteiro. Em outras fontes ele decide enviar um monstro gigantesco , simbolizado pela constelação de Cetus. Para evitar a destruição prometida porém, a princesa Andrômeda deveria ser entregue em sacrifício. Cepheu decide poupar seu reino e envia Andrômeda em sacrifício, mas ela é salva pelo herói Perseu, com quem termina se casando.

Ainda ultrajado, Posseidon decide que Cassiopeia deveria ser punida de qualquer forma, e a transforma em constelação, com o detalhe de que ela deveria ficar de cabeça para baixo, eternamente.

Razões para o ressentimento de Poisseidon na forma como ele é retratado na mitologia grega são inúmeras. Começa pela fato de ele ter recebido o reino subaquático durante a divisão do mundo, com o mundo subterrâneo ficando para Hades, e o mundo humano e celeste ficando sob responsabilidade de Zeus. Depois ele foi preterido pela deusa Atena que se transformou em patrona da cidade de Atenas ao invés dele. As reações desse deus são sempre desproporcionais e dramáticas, em alusão ao comportamento do mar que as vezes se torna imprevisível e monstruoso. Esse deus também governava os terremotos.

Cassiopeia é representada como uma mulher sentada em um trono, com os seios expostos , acorrentada a este trona e virada de ponta a cabeça. Entretanto, outras culturas viam coisas diferentes nessa constelação. Os egípcios por exemplo viam apenas um trono adornado com pedras preciosas, enquanto que os fenícios viam uma plantação de trigo com um agricultor cultivando o campo. Os chineses viam algo similar ao que os gregos viam ali. O nome do asterismo em forma de w na astronomia chinesa, xiān hòu zuò, equivale a “Constelação da Rainha imortal” em português. Os persas antigos viam nessa constelação um camelo bactriano, com suas duas corcovas.

Ainda na mitologia grega, a titã Theia também era associada a essa constelação . Ela governava a visão e tudo o que é brilhante, bem como o céu azul de dias sem nuvens. Era casada com o titã Hyperion , que governava a luz. Ela era também associada ao ouro, a prata e todas as joias preciosas. Era a mãe de Helios (o sol), Selene (a lua) e Eos (o anoitecer).

Anatomia da constelação de Cassiopeia

Cassiopeia ocupa uma area bem grande no céu, especialmente após o redesenho das constelações realizado entre os séculos XVII e XVIII. Entretanto, as estrelas mais brilhantes se localizam no asterismo em forma de w. Astrologicamente, a longitude de Cassiopeia se estende ao longo de todo o signo de Touro . Veja abaixo a lista das principais estrelas:

Caph Beta (β)05°24′ de Touro
Schedir Alpha (α)08°04′ de Touro
Achird Eta (η)10°32′ de Touro
Cih Gamma (γ)14°13′ de Touro
Rucha Delta (δ)18°13′ de Touro
Segin Epsilon (ε)25°03′ de Touro

Caph, Beta (β) Cassiopeia, é uma estrela branca que se localiza no encosto do trono onde Cassiopeia está sentada. Era o traseiro do camelo da constelação persa. Em árabe, esse nome significa “mão”.

Schedir, Alpha (α) Cassiopeia, é uma estrela que se localiza nos seios expostos da rainha Cassiopeia (ou em uma das corcovas do camelo dos Persas). Essa palavra vem do árabe Al Sadr, que significa Seio. O formato em w da constelação é sugestivo em relação a essa parte da anatomia feminina.

Achird, Eta (η) Cassiopeia, é uma estrela localizada no cinto de Cassiopeia. Essa estrela tem brilho mais discreto e nem sempre está visível.

Cih, Gamma (γ) Cassiopeia, é uma estrela localizada no assento do trono onde Cassiopeia está sentada. Os chineses chamavam essa estrela de Tsih, que significa chicote.

Rucha, Delta (δ)  Cassiopeia, é uma estrela localizada no joelho de Cassiopeia , ou na corcova dianteira do camelo persa. É chamada também de Ruchbah, que deriva do árabe al Rukbah, que significa joelho.

Segin, Epsilon (ε) Cassiopeia, é uma estrela localizada no tornozelo esquerdo de Cassiopeia. Um nome alternativo para ela é “Navi”, e ela representa a cabeça do camelo persa.

Significado astrológico de Cassiopeia

Cassiopeia está relacionada a vaidade essencialmente. Especialmente quando uma de suas estrelas mais brilhantes aparece no ascendente, vai falar de pessoas vaidosas, que cuidam, se orgulham e gostam de exibir o próprio corpo, e que gostam de se ornamentar com joias, tatuagens , maquiagens e roupas bonitas. Manilus diz que essa constelação costuma estar em evidência em mapas de fabricantes de joias. Poderíamos ir além e modernamente associar ela a pessoas que trabalham com o embelezamento dos outros, como cirurgiões plásticos, dentistas, maquiadores e cabeleireiros.

Na tradição ela é vista como maléfica, já que representa uma mulher autoconfiante, o que antigamente era um escândalo e motivo de vergonha. Ptolomeu dava a ela a natureza de Saturno e Vênus. Hoje em dia , ela pode muito bem ter uma acepção benéfica, especialmente para a cultura ocidental, simbolizando mulheres fortes, e uma relação positiva com o próprio corpo. Também está relacionada ao hedonismo e ao erotismo e a sedução através do corpo.