Astrologia é determinista?

Será que somos realmente como folhinhas caídas de uma árvore voando sem vontade ao sabor dos ventos? será que temos vontade própria, decidimos exatamente tudo o que acontece conosco, será que não estamos sujeitos a algumas leis naturais? o que acontece se eu me atirar da janela do vigésimo andar de um prédio? Fazendo uso do livre-arbítrio será que eu consigo sair voando pelos céus e evitar de me espatifar no chão? Dificilmente. Notamos aí a existência de algo determinista: nem tudo o que eu quero eu posso fazer. Ao mesmo tempo, sou livre pra escolher o que é melhor pra mim (dentro de alguas poucas alternativas …pré-determinadas?) Não posso escolher entre nascer em uma mansão na Suíça ou numa cabana em Burkina Fasso. Mas, teoricamente, sou livre pra deixar a Suíça e iniciar uma brilhante carreira como pescador no rio Nilo e caçador nas florestas do Tanzânia, ou então sair da minha cabana na Burkina e iniciar minha brilhante carreira como empresário de sucesso em alguma multinacional. Afinal, não existe pré-determinação, somos todos livres. Bem, assim algumas pessoas querem que acreditemos que são as coisas, este é um lindo e utópico pensamento surgindo no século 18, o que não vem muito ao caso agora, essa questão absoluta entre a existência ou não da liberdade . Pra mim ela é a maior das quimeras, mas existem seus ferrenhos defensores. A questão aqui é, a astrologia, ela determina alguma coisa?

Bem, vou colocar a minha visão pessoal, entre o caráter determinista (ou não) da previsão astrológica, devido a algumas questões suscitadas nos comentários da minha última postagem, sobre Amy Winehouse e seus trânsitos e a maneira como a cantora vivenciava seus trânsitos. O céu de fato não determina absolutamente nada, verdades pessoais são construções individuais. Não está no mapa quem a pessoa há de se tornar. Milhares de pessoas nasceram no mesmo dia que Amy Winehuse, mas somente Amy Winehouse é Amy Winehouse.

A pessoa que Amy Winehouse é nos dias de hoje é uma criação dela e do meio de onde ela surgiu. Uma das possíveis manifestações de todo o potencial contido naquele 14 de Setembro de 1983. Impossível que todas as pessoas nascidas nesta data tenham as mesmas oportunidades e passem pelos mesmos locais, convivam com as mesmas pessoas:

Mas é impossível deixar de notar que existe algo de essencial no caráter individual, algo de inexplicavelmente original e independente do meio ou das condições genéticas. Esse impulso que leva determinadas pessoas a terem uma propensão maior a categorizar coisas, ou uma propensão maior a desestruturar coisas…. Aquilo que leva um indivíduo a ser mais determinado ou mais flexível, o que torna uma pessoa mais ativa ou mais reativa…

Para astrologia as pessoas nascem no momento em que tem que nascer, porque a astrologia estuda a qualidade do tempo e para a astrologia o indivíduo ou o que quer que surja em determinado tempo não terá surgido naquele tempo específico a toa, o indivíduo terá as características essenciais daquele momento (que são mostradas através do estudo astrológico) e será a manifestação viva daquele momento. Tanto que um céu astrológico jamais se repete, cada momento é absoluto e único.

Então uma pessoa que nasce com as qualidades de determinado tempo, com o passar dos anos, a medida em que se desenvolve irá interagir não só com outras pessoas, outros locais (o ambiente, família e etc) mas também com novas qualidades de tempo. É basicamente nisso que se alicerça a previsão astrológica. Porque o tempo , para a astrologia é composto por uma séria de qualidades diferentes entre si que se organizam na forma de um ciclo de infinita criação e destruição mútua. Um fator particular por exemplo, como o sol com a qualidade do mutável de terra, quando exposto a um período onde determinado fator (saturno por exemplo) terá a qualidade do mutável de fogo experimentará um momento onde uma qualidade muito diferente da sua natureza permeará as circunstâncias.

O indivíduo então vivenciará o choque entre o que ele é e o que existe em determinada circunstância. O que ele fará a partir disso vai depender exclusivamente das suas escolhas.Nesse sentido eu acho interessante uma comparação entre a previsão astrológica e a previsão meteorológica, por exemplo.

A meteorologia por exemplo lança mão de uma série de dados colhidos no agora e no passado pra tecer previsões futuras. Esta ciência sabe que cada momento é único e que por mais que o passado tenha a tendência a se repetir, novos fatores sempre podem fazer diferenças. Assim as previsões meteorológicas não prevêem com absoluta precisão justamente porque o fator do novo, do ainda não computado pode gerar diferentes variáveis. Ela prevê, por exemplo, que uma frente fria vai se formar e vai passar por cima de cidade de Florianópolis, o que é indício, mas não a garantia de chuva. A frente fria pode ser desviada para o mar ou para o continente devido a ação do vento e a chuva ser levada para uma região vizinha.

Não é muito diferente a previsão astrológica. O astrólogo pode olhar para o seu sol em Libra e para o plutão em Capricórnio que se aproxima da quadratura com este seu sol mas é incapaz de precisar a natureza absoluta dos eventos que te acontecerão. Ele se limita a te descrever todo o peso do tempo que se aproxima, de que forma este momento diverge da sua natureza e o tipo de circunstâncias que (baseado na bagagem do astrólogo) podem te ocorrer.

Nesse sentido, na astrologia o determinista é o astrólogo quando se coloca na posição de lhe dizer o que vai acontecer com você, como se não houvesse escolha da sua parte para tal. O Astrólogo pode descrever o tempo, mas não determinar de que maneira exata você vai reagir a este tempo.

Dicas para cálculos envolvendo longitudes zodiacais

Os cálculos na astrologia envolvendo longitudes zodiacais são todos realizados em graus. Assim é interessante ter em mente alguns valores absolutos:

1° = 60’
1’ = 60’’

O circulo tem 360°, e o zodíaco divide este círculo em 12 partes iguais de 30° cada, que correspondem aos signos:

Áries = 00° a 29°59’
Touro = 30° a 59°59’
Gêmeos = 60° a 89°59’
Câncer = 90° a 119°59’
Leão = 120° a 149°59’
Virgem = 150° a 179°59’
Libra = 180° a 209°59’
Escorpião = 210° a 239°59’
Sagitário = 240° a 269°59’
Capricórnio = 270° a 299°59’
Aquário = 300° a 329°59’
Peixes = 330° a 359°59’

Assim, um planeta em 23°54’ de Libra na verdade vai estar, no círculo, na região correspondente ao grau 203°54’. Um planeta em 6°23’ de Aquário vai estar em 306°23’, e assim por diante.

Para descobrir é muito simples, consulte na tabelinha acima qual o valor correspondente ao grau inicial do signo em valor absoluto. Por exemplo, para descobrir qual o valor absoluto de 12°37’ de Escorpião:

00° Escorpião = 210°
Então é só somar 210° + 12°37’ = 222°37’

Encontrar a diferença entre dois pontos é muito simples. Exemplo, no ponto inicial o planeta está em 06°23’ de virgem, no ponto final ele está em 20°44’de Virgem. A diferença é simples, basta fazer 20°44’ – 06°23’, sem necessidade de conversão alguma. O resultado é 14°21’

Vamos supor que você tem um planeta colocado inicialmente em 11°45’ de Sagitário e num segundo momento este planeta está em 23°02’ de Sagitário. Neste caso não se faz necessária a conversão de graus zodiacais para graus absolutos. Como fazer esta conta, então? Transforme 1° do valor maior em minutos e depois faça a conta normalmente:

23°02’ ——-> 22°62’
-11°45’ ——-> -11°45

A diferença será igual a 11°17’

Vamos supor que um determinado planeta estava inicialmente em 22°17’ de Capricórnio e depois estava em 12°47’ de Aquário. Como descobrir a diferença entre essas duas posições? Neste caso você terá de determinar a posição em graus absolutos:

12°47’ Aquário = 300° + 12°47’ = 312°47’
22°17’Capricórnio = 270° + 22°17’ = 292°17’

Basta, portanto fazer a diferença: 312°47’ – 292°17’ = 20°30’

Se tiver alguma dúvida relativa a estes cálculos pode deixar nos comentários ou enviar por e-mail que eu respondo.

Amy Winehouse

Amy Winehouse é sem dúvida a maior revelação musical desta década. É cair no clichê escrever o que quer que seja a respeito dela, e já li algumas interpretações feitas do seu mapa astrológico por alguns blogueiros. Não estou interessado aqui em escrutinizar a personalidade da moça, especialmente porque o horário de nascimento dela é desconhecido e ficaria uma análise muito incompleta, apesar de muita coisa ser reveladora quando se analisa apenas o mapa solar. O que pretendo aqui é tentar entender o atual momento dela e também ensaiar algumas projeções para o ano de 2009, baseado unicamente na data de nascimento dela.

Amy Winehouse nasceu no dia 14 de setembro de 1983. O sol esta em 21°virgem, e ao longo de todo o dia tem orbe de conjunção com a estrela Denébola. A lua está praticamente o dia inteiro em sagitário, mas caso Amy tenha nascido a noite, após as 21:30, sua lua pode ser capricórnio. A probabilidade de ela ter lua em sagitário é muito grande, então vamos supor que ela realmente tem lua em sagitário. Mercúrio está retrogrado em 23° Virgem, conjunto ao sol. Vênus em movimento retrógrado e estacionário está em 23°Leão. Marte está em 20° Leão. Júpiter em 4° Sagitário, e Saturno 1° Escorpião. Urano em 5° sagitário (conjunto a júpiter), Netuno em 26° Sagitário(conjunto a lua) e plutão em 27° Libra.

A carreira de Amy ganhou projeção mundial a partir do final do ano de 2003, com o lançamento do álbum “Frank”. Saturno ingressara em Câncer, afastando-se de gêmeos onde formou quadratura com o sol de Amy e oposição com sua lua. O planeta Urano havia ingressado em Peixes, e Júpiter estava em virgem, levando crescimento e otimismo para a vida da artista. Sem grandes sobressaltos neste momento inicial, com boa recepção da crítica. Mas foi em 2003 que os planetas geracionais começaram a transformar a vida de Amy, começando por plutão que iniciou o trânsito de trígono com marte e quadratura com o sol da cantora.

Em 2004, Amy recebeu os primeiros prêmios da crítica, que elogiou muito seu trabalho comparando sua voz com cantoras consagradas, e enaltecendo sua indiscutível originalidade. Ao longo de 2004, Júpiter estava em virgem, onde Amy tem o sol, e o planeta saturno, no signo de câncer formava sextil ao sol e a mercúrio da cantora. Urano em quadratura com urano era o arauto de mudanças irreversíveis na postura da cantora diante da vida: Ela definitivamente tornava-se adulta. E plutão atingia pela primeira vez o grau exato de quadratura com o sol e com mercúrio, e o trigono com a conjunção marte Vênus , que se estenderia até 2007.

Em Outubro de 2006 a cantora lança seu segundo álbum, “Back to Black”. Sucesso estrondoso, este foi o álbum mais vendido no ano de 2007 e rendeu diversas premiações para a cantora. O trânsito de plutão em seu auge obrigando a cantora a lidar com o peso e a responsabilidade da fama. Saturno estava em conjunção com Marte e vênus natal da artista, limitando sua espontaneidade, tornando sua rotina rígida e limitada. Ao mesmo tempo O planeta Netuno iniciava a oposição com a mesma conjunção vênus-marte, estava deflagrado o conflito: O peso, a limitação , a confrontação e a necessidade de manter uma postura versus o pânico, a vontade incontrolável de fugir da realidade.

Em 2007 a fama de “Junkie” de Amy Winehouse já estava disseminada, mas enquanto saturno estava em conjunção com os planetas leoninos (o que durou até agosto de 2007) ela conseguia se manter firme, encarando as responsabilidades, trabalhando duro em turnês. Mas netuno já havia se infiltrado de maneira irreversível e as conseqüências disso ficaram ainda mais visíveis quando saturno ingressou em virgem. Vale lembrar que em algum momento desses anos plutão formou conjunção com a lua de Amy Winehouse, o que interpreto como a revogação do direito a intimidade, imposto pela fama. A vida privada de Amy vem sendo desde 2007 até hoje alvo preferencial de diversos tablóides, que exploram os problemas pessoais da cantora com seu marido e com o uso de drogas. É também bem típico da lua em sagitário essa incapacidade de manter a própria privacidade intacta.

Ao longo de 2008 a imagem pública de Amy foi convertida permanentemente de cantora-prodígio-nova-sensação para a alcunha de Junkie número 1, de “Diva-cadente”. O trânsito de netuno estava pleno, em seu auge, o trânsito de plutão estava em fase de conclusão com a saída deste planeta do signo de sagitário (signo predominante no mapa de Amy pela ênfase mutável + fogo), e o Planeta urano iniciava a oposição com o sol e com mercúrio da cantora. Ao escapismo e ausência de controle e foco típicos do trânsito de netuno, é acrescentada as situações anormais, fatos inesperados, o nervosismo, a loucura dos trânsitos tensos de urano.

Perspectivas: Neste ano de 2009 os trânsitos de netuno terminam, assim como os de Urano. Saturno em conjunção ao sol e a mercúrio da cantora promete colocá-la novamente nos eixos. No fim do ano Urano vai estacionar em oposição exata com o ponto médio da conjunção sol mercúrio, e netuno em oposição a vênus, o que promete trazer mais tensão. Entretanto, de acordo com a última reportagem que li sobre Amy, ela afirma o seguinte: “Vi uma foto minha em um jornal e fiquei horrorizada. Disse a mim mesma: ‘garota, você precisa se cuidar ou vai morrer’”, revelou Amy. “Eu estava deprimida, as drogas estavam acabando com a minha vida. Minha casa era um inferno, não tinha escapatória. Havia drogas em toda parte”. Ela tem composto novas músicas e promete um álbum para 2009. Aparentemente, saturno no caso de Amy está promovendo um efeito de verdadeira limpeza. Ficamos na torcida, esperançosos de que essa moça brilhante realmente encontre o seu eixo e continue produzindo e cantando indefinidamente, e que saturno exerça seu poder estruturador, para o bem de Amy.

Água

A água simboliza tudo o que é líquido e não se refere necessariamente à água presente na natureza porque esta pode estar em diferentes estados. Esta água simbólica se refere a tudo o que é ou está líquido, se refere ao que é ao mesmo tempo denso e viscoso, ao que é tocável, mas que não tem forma definida. Todos os tipos de gosmas são do elemento água. Ela está ligada às emoções, às sensações, aos sentimentos de toda a espécie. É pegajosa, aderente e nunca se move ativamente, sempre se permite ser carregada até o seu ponto de equilíbrio.

A água é o mais feminino dentre os elementos. Representa a passividade extrema. É completamente volátil, sua característica úmida lhe concede a plasticidade de, mesmo com toda sua densidade, adaptar-se a qualquer tipo de recipiente. A água também preside todas as manifestações orgânicas, é a facilitadora e promotora da vida, mas em excesso pode sufocar e destruir, alterando as estruturas que a contém, levando ao apodrecimento e ao colapso. É o elemento que irá sempre buscar a simbiose, seja com mais água, seja com o elemento terra, tendo o poder de transformar as substâncias que a tocam, sendo também transformada: o toque da água induz a troca instantânea em busca do equilíbrio entre as densidades.

Água e terra têm em comum a mesma polaridade, a feminina (negativa, fria, passiva). Com o ar, a água tem em comum o aspecto úmido. Água e fogo são os elementos mais instintivos, sendo que um age por impulso e o outro age de acordo com sentimentos, emoções, desejos. Os signos dos elementos água e fogo são regidos pelos luminares, por marte e por júpiter. Para a astrologia tradicional, a água é associada ao temperamento fleumático e ao humor conhecido como “fleuma” ou “muco”.

Câncer é o signo que representa a manifestação cardinal do elemento água. É o signo que representa o matriarcado, a liderança passiva da mãe. É também o signo associado à gestação, a nutrição e ao cuidado. A chuva que cai nutrindo o solo, ou um curso d’água que flui passivamente para uma única direção, são analogias bem precisas pra se falar neste signo.

Escorpião é a manifestação fixa da água. Uma das principais características deste signo é o desejo intenso e o magnetismo, além da profundidade das emoções que levam a desconfiança e a paranóia. Um lago profundo e de águas paradas, ou um pântano de águas paradas e de conteúdo fétido são boas metáforas para este signo.

Peixes é o signo mutável do elemento água. A confusão é sua principal característica, mas também a generosidade e o altruísmo. Preside o sofrimento humano e principalmente a dor de não se saber a verdade sobre a existência. O oceano, uma rede de águas que não tem início nem fim, onde as águas fluem hora para uma direção, hora pra outra, sem rumo, sem delimitação, um imenso infinito, é a metáfora ideal pra representar peixes.

Ar

O ar é o elemento do etéreo, do intocável. Está relacionado com as manifestações gasosas da matéria. É o mais leve, mais rápido e mais refinado dentre os elementos. É associado ao pensamento e a comunicação, além dos relacionamentos. No ar o que impera é a lógica e o poder imparcial da razão.
Nenhum elemento representa melhor a liberdade, em sua absoluta leveza e impossibilidade de ser tocável ou mensurável, e sua plasticidade e inconstância.

É um elemento positivo (quente), assim como o fogo, mas é um elemento úmido. Significa dizer que o caráter violento do fogo não esta presente no ar. Ele é adaptável ao meio, afável, brando. Os elementos úmidos (ar e água) buscam o acordo e por este motivo não tem forma definida e não procuram agir pela imposição. 

Mas apesar de não agir como o fogo, o pensamento figurado pelo elemento ar é tão ou mais penetrante do que este, e agirá de forma dissimulada, mas mesmo assim ativa: Ele não vai impor uma posição, mas tentará convencer a que se adote a sua posição. Por este motivo o ar representa tudo o que é belo e agradável.

O ar e o fogo guardam em comum o fato de serem elementos quentes (positivos, diurnos, masculinos, etc.). Com a água, o ar tem em comum a umidade. E com a terra, o elo de ligação é racionalidade, oriunda do compartilhamento das regências sobres os planetas Mercúrio, Vênus e Saturno. Para a astrologia tradicional, o ar está relacionado ao temperamento sanguíneo e ao humor conhecido como “sangue”. 

O ar em sua manifestação cardinal está representado pelo signo de Libra, signo da busca pela equanimidade nos relacionamentos. O vento que sopra em uma direção definida, procurando dirigir o ar para uma determinada direção, penetrando em todos os obstáculos e arrastando consigo tudo o que não tiver peso o suficiente me parece ser a metáfora perfeita para Libra. 
A manifestação fixa do elemento ar é Aquário, signo que simboliza a anulação do ego e a supremacia da Liberdade. O vento que vem de diferentes direções e se concentra em um único ponto é a figura do tornado, metáfora ideal pra se representar Aquário. As manifestações outrora cardinais tornam-se um movimento fixo e centrípeto da espiral que caracteriza os tornados na natureza.
Gêmeos é o elemento ar em sua manifestação mutável. É o primeiro signo a figurar no zodíaco do elemento ar, é, portanto a mais essencial e fidedigna manifestação deste elemento. Gêmeos, em essência é a comunicação, o intercâmbio e a experimentação. O signo de Gêmeos vai além de Aquário, é liberdade total, é uma liberdade que apenas é, que não se impõe, que não precisa ser construída nem alicerçada por nada. O ar sem movimento, “ao léu”, sem um direcionamento, a atmosfera que circunda a tudo e a todos é a metáfora perfeita pra se falar de gêmeos. Esta em todos os lugares, mas aparentemente não está em lugar nenhum.

Terra

O elemento terra representa absolutamente tudo o que é sólido na natureza. Representa forma definida, cristalizada, palpável. É o que melhor define o conceito abstrato de “certeza”, tudo o que é manuseável, estável e permanente é atribuído a terra. Para algumas tradições esotéricas a terra seria o mais secundário dos elementos, sendo resultado final da ação prévia de todos os outros. Mas o conceito de terra na astrologia a coloca num patamar de igualdade com todos os elementos. Dentro de um ciclo, os estágios associados a este elemento têm o papel de manutenção, de promoção da continuidade.

A terra é da polaridade negativa. Enquanto que os elementos da polaridade positiva estão ligados às manifestações mais etéreas da energia, Terra e água, os signos negativos são a manifestação densa e consistente da energia, são os elementos que tem peso, que são tocáveis. Não é absurdo afirmar que a terra seria uma energia negativa, mas com nuances mais positivas. Digo isso porque a terra além de ser fria (negativa) é também seca, característica que indica a aspereza deste elemento. A terra simplesmente é e não está disposta a se adaptar, todos os elementos secos tem essa peculiaridade, mas a terra difere do fogo porque este é uma manifestação ativa, a terra é estática, passiva, mas ela resiste e impõe sua forma, diferente da água que se adapta ao recipiente.

Com a água a terra compartilha a polaridade, é negativa. Com o fogo, a terra compartilha o aspecto seco. E com o ar, compartilha a racionalidade e a precisão, advinda da regência dos planetas Vênus, Mercúrio e Saturno. Para a astrologia tradicional, a terra é associada ao temperamento melancólico a ao humor conhecido como “bile negra”.

Capricórnio é a manifestação cardinal da terra. Uma montanha representa bem a cardinalidade mesclada ao fator estático e sólido do elemento terra. A montanha é o resultado do encontro de duas placas tectônicas (terra que se move em uma direção definida) e das conseqüências deste encontro ao longo de milhares de anos.

Touro é a manifestação fixa da terra, e também a primeira a aparecer no ciclo zodiacal, sendo, portanto a manifestação mais primária deste elemento. Uma rocha representa bem a característica de absoluta permanência representada por este signo.

Virgem é a manifestação mutável do elemento terra, a areia representa essa manifestação dispersa da terra na forma de grãos que podem ser facilmente movidos. Fica interessante observar isto em seqüência, a areia mutável, sem uma direção definida pode transformar-se numa montanha formada por bilhões de grãos de areia, manifestação cardinal da terra, e por fim a concentração de terra gera a rocha, a manifestação mais densa deste elemento.

Fogo

O fogo seria mais associável ao conceito de estado plasmático da matéria, de energia pura. Eletricidade, magnetismo, radiação, calor e luz servem para exemplificar bem este elemento. Muitas tradições o colocam como o mais essencial dos elementos, junto com a água. De fato, pra astrologia o fogo tem essa característica de ser a energia vital e iniciadora, mas a título de esclarecimento, não é verdadeiro quando se afirma que o fogo seria o elemento mais importante, ou que o fogo seria um elemento superior, apesar de o fogo simbolizar justamente este sentimento de ser superior, de ser imprescindível.

É o princípio masculino fundamental. Podemos afirmar que, dentre os elementos positivos, o fogo seria o duplamente positivo, enquanto que o ar seria uma energia positiva, mas com traços mais negativos, já que o ar é quente (positivo), mas ao mesmo tempo é úmido, sendo a umidade o caráter da plasticidade e da adaptabilidade. O fogo seria, portanto a energia quente e seca e representa a agressividade, o otimismo, a imposição, a criatividade e a assertividade. É árido e áspero, mas ao mesmo tempo é a energia essencial para a existência da vida, seria o chamado “sopro vital”. Em excesso é a mais destrutiva dentre as manifestações energéticas.

Com o ar o fogo tem em comum a energia positiva e masculina. Com a terra, tem em comum o aspecto seco, áspero. Com a água o fogo tem em comum o caráter instintivo e passional, proveniente do fato destes dois elementos compartilharem as regências de Marte e Júpiter, além de serem regentes dos luminares: Sol (leão) e a Lua (câncer). Para a astrologia tradicional, o fogo está associado ao temperamento colérico e ao humor conhecido como “bile amarela”.

Áries é a manifestação cardinal do fogo, é a sua manifestação mais essencial e agressiva. É o grande iniciador do zodíaco, juntando a energia positiva, criativa e agressiva do fogo com a cardinalidade, que consiste em dar uma direção ao que é disperso, é a energia da liderança. Um vulcão em erupção ou uma descarga elétrica que cai dos céus são perfeitos pra simbolizar o fogo em sua manifestação Cardeal.

Leão é a manifestação fixa do elemento fogo, é a concentração da energia positiva, agressiva, criativa em algo denso e contínuo. A luz, que sempre parte de alguma fonte de energia concentrada, é a conseqüência direta do fogo fixo, é a metáfora perfeita para simbolizar o signo de Leão.

Sagitário representa o fogo em sua manifestação dispersa, a combinação do fogo com a mutabilidade. Uma bomba que explode liberando energia destrutiva em todas as direções, ou o fogo oriundo da combustão que consome indefinidamente até esgotar o combustível. Sagitário tem essa característica do exagero, do consumo indefinido até a extinção dos recursos.

Afélios e Periélios, e observações sobre o zodíaco visto heliocentricamente

Plutão se demora mais em touro, e em escorpião anda bem mais rápido. Isso acontece porque o afélio de plutão atualmente está em touro. Na época de Jesus Cristo, por exemplo, o signo onde plutão se demorava mais era Áries, a 2000 anos antes de cristo isso acontecia em peixes. A mais de 12000 anos atrás a situação que nós tínhamos era plutão se demorando mais tempo no signo de escorpião e passando rapidamente por touro, exatamente o oposto do que acontece hoje. E daqui a mais de 12000 anos isso acontecerá, escorpião novamente será o signo aonde plutão irá se demorar mais em seus trânsitos.

Já netuno tem um afélio que oscila bastante, diferente de plutão que oscila em poucos gruas, a oscilação do afélio netuniano é de signos inteiros. Mas ele também tem um movimento contínuo, a conjunção de netuno com seu afélio, nos últimos 2000 anos têm acontecido em escorpião, a conjunção com o periélio tem ocorrido em touro. Isso significa que netuno é sutilmente mais lento quando passa por escorpião e sutilmente mais rápido quando passa por touro. Daqui a uns 400 anos (ou menos) isso acontecerá no eixo gêmeos-sagitário.

Atualmente, plutão demora mais tempo para destruir e renovar touro , escorpião ele destrói e renova rapidinho . Já Netuno tem se demorado um pouco mais pra dissolver escorpião. mas com touro ele faz isso muito mais rapidamente. o signo onde ocorrerá o afélio não é fixo, progride ciclicamente também. Assim, a velocidade que plutão tem em escorpião hoje em dia será diferente daqui a 1000, 2000, 15000 anos, chegando um determinado momento em que a condição que teremos no trânsito de plutão, é a oposta a que temos hoje.

Pegando como exemplo plutão, um trânsito de plutão pra quem tem planetas em escorpião será mais rápido, o que eu poderia interpretar como “a transformação quando ocorre em escorpião é mais rápida” em oposição ao que ocorre com o trânsito de plutão em touro. Orbes são um tema um tanto polêmicos, eu uso 3° (atualmente) antes e depois mas imaginemos que fulano tenha vênus em 15°escorpião. Plutão passou do grau 12° para o grau 18° do escorpião entre 1988 e 1991. Agora imaginemos um fulaninho que nasceu la por 1840, com Vênus em 15°touro. Plutão passou entre 12°touro e 18°touro entre os anos de 1863 e 1873. 10 anos! Concluo, a partir desta observação, que plutão demora muito mais tempo para “destruir e reformar” touro. Escorpião ele parece fazer isso com maior facilidade. Mas, atualmente ocorre isso, nem sempre foi assim!

Afélio e periélio são termos astronômicos relativamente negligenciados pela astrologia. Eles definem, dizendo isso de maneira bem simplista, a velocidade que cada planeta vai adquirir em cada signo. Astronomicamente, afélio é o ponto de maior distanciamento de um determinado planeta em relação ao sol. Periélio é o ponto de maior aproximação do mesmo planeta em relação ao sol. No ponto de maior distanciamento, o planeta parecerá andar mais vagarosamente, no ponto de maior aproximação o planeta dará a impressão de andar muito mais rápido. No ciclo de plutão isto é muito visível, e diria que no trânsito de marte isto também fica bem evidente, mas o fato é que todos os corpos celestes possuem um ponto de afélio e um ponto de periélio, inclusive a terra.

Baste pegar uma efemérides e se verificará diferenças no tempo em que os planetas transitam em determinados signos. Saturno é sempre muito lento quando passa pelos signos de escorpião, sagitário, capricórnio e aquário, não raro retrogredindo 3 vezes dentro de cada um desses signos, enquanto que nos signos opostos é comum que ele retrogrida menos vezes. Quando não está retrógrado, ele avança menos graus nos signos citados, e avança mais graus nos signos opostos aos que eu citei.

A partir do século 1 antes de cristo o afélio de saturno passou pra sagitário (ficou alguns anos entre sagitário e escorpião, mas la pelo século 4 depois de cristo ja estava inserido em sagitário definitivamente. sagitário é o signo que fala , dentre outras coisas, da religião, do clero, etc. A partir do século 17 o afélio de saturno começou a oscilar entre sagitário e capricórnio, e atualmente o afélio de saturno está totalmente em capricórnio. não acham que algumas coisas mudaram, em termos de quem dita leis, limites, quem diz o que é certo ou errado e etc? Antigamente a religião dominava totalmente. Agora a coisa mudou de figura, o cetro de quem manda na verdade parece ter mudado de mãos, a verdade agora é ditada pela ciência e pela TV. Pessoas que tem planetas entre os signos de escorpião , sagitário, capricórnio e aquário, experimentarão ao longo de suas vidas , mais contatos exatos de saturno enquanto este está retrogrado, se compararmos com pessoas que tem planetas entre os signos de touro, gêmeos, câncer e leão. Isso da o que pensar, especialmente porque está relacionado exclusivamente com um momento histórico.

Num dado momento eu resolvi olhar os afélios do ponto de vista heliocêntrico, para comparar com o que eu observei geocentricamente. Olhando do ponto de vista heliocêntrico, o que acontecia era a correção nas variações nesses afélios, dando posições médias, sem aquelas oscilações gigantescas. Se você olhar o zodíaco heliocêntrico você verá apenas um zodíaco que exclui as retrogradações, ou seja, um zodíaco médio. Experimente calcular as posições, por exemplo, para saturno em virgem ao longo deste ano. o que você vai ver é uma média entre a posição da conjunção exata entre sol e saturno do ano passado e deste ano, mas ele está em virgem. e a conjunção exata sol saturno, assim como a oposição entre eles ocorre no mesmíssimo lugar. Olhar o zodíaco heliocêntrico não é olhar outro zodíaco, é olhar a mesmíssima coisa de outro ângulo. O nome pode parecer pomposo, e alguns adoram enfeitar discursos usando todas essas terminologias, mas elas podem ser coisas mais simples e práticas, ferramentas úteis pra visualização, etc

Uma coisa curiosa: dia 26 de fevereiro de 2009, em 21°peixes45, urano estará em conjunção ao seu afélio. é o ano onde urano estará andando em velocidade mínima, comparado com a velocidade que ele adquirem em virgem.

A lua não poderia deixar de ter um afélio e um periélio, so que pra ser mais exato, o que ela tem é um apogeu e um perigeo, momentos de maior e menor proximidade com a Terra. Este é inclusive explorado por alguns astrólogos, não sei dizer se da maneira mais correta, também não sei qual seria a maneira mais correta. O apogeu da lua é chamado de lilith, o perigeo é conhecido, como príapo.

Obs: Essa postagem é a transcrição de coisas ditas por mim em um fórum sobre astrologia.

Os quatro elementos

As qualidades dos signos falam do tipo de impulso, na forma da ação, na postura do signo num sentido mais dinâmico. Os elementos já falam de um impulso mais característico da essência do signo, da sua natureza constituinte por assim dizer, num sentido mais estático. Os quatro elementos são simbolicamente as quatro formas essenciais de manifestação da matéria, com o fogo relacionado ao conceito de energia ou radiação, a terra ao que é sólido, o ar ao estado gasoso e a água correspondendo ao estado líquido. Vemos, portanto que o termo “elementos”, empregado aqui, passa longe do conceito de elemento químico, não tendo relação alguma com os elementos da tabela periódica. É uma conceituação muito mais simbólica e antiga.

Por outro lado, Stephen Arroyo, em seu livro “Astrologia, Psicologia e os quatro elementos” afirma que os quatro elementos não são simplesmente símbolos ou “conceitos abstratos”, mas sim que se referem às forças vitais que compõe toda a criação que pode ser percebida pelos sentidos físicos. Os elementos são não somente a base da astrologia e de todas as ciências ocultas, mas abrangem tudo o que normalmente percebemos e experimentamos. Não deixa de ser verdadeiro o conceito de Arroyo, mas eu diria que os elementos são sim simbólicos, apesar de serem símbolos representativos daquilo que existe de mais primordial na natureza, ou seja, as formas de manifestação essenciais do universo como um todo.

Martin Schulman, em “a harmonia celestial” apresenta um esquema pra explicar resumidamente a natureza dos signos: “Todo nascimento (o princípio das coisas) emana da Água, Ela é o solvente universal. Quando o elemento Terra lhe é adicionado, a vida vegetal torna-se possível. Tanto a Água como a Terra são elementos inconscientes. A água flui, mas não possui consciência disso. As plantas crescem, mas, embora sejam sensíveis a muitas coisas, não possuem autoconsciência. Ao adicionar-se o elemento Fogo, a vida animal torna-se possível. Aqui encontramos o primeiro vislumbre de consciência Um animal é capaz de desviar-se de uma árvore, por possuir consciência do efeito que uma colisão com ela lhe acarretaria. Ele não deseja a experiência e, portanto, contorna a árvore, em vez de chocar-se com ela. Por isso, ele é consciente. Entretanto, ele ainda é selvagem, por carecer de mentalidade desenvolvida. A capacidade de fazer uso de uma mentalidade desenvolvida é característica do elemento Ar, que simboliza o pensamento e é reservado ao homem.”

O conceito de Schulman é interessante porque impede a sacralização de qualquer um dos elementos, impede que qualquer um deles seja visto como “superior” ou “melhor” do que o outro. A água por si mesma, sem o elemento terra é incapaz de produzir qualquer vida que seja, e a terra por si é também ausência de vida. Um é forma, outro é o elemento orgânico. Os dois juntos criam as formas de vida ditas inconscientes. O fogo associado a terra e a água produz a vida consciente e instintiva, é o sopro vital e é algo aparentemente mais nobre , mas sem condições de ser por si mesmo, sem um receptáculo (corpo = terra+água). O ar é o elemento super consciente, é a racionalidade, a inteligência, o comunicar e é aparentemente a mais refinada dentre as manifestações elementais, mas o ar sem o fogo é como um robô, sem vontades, sem emoções, sem impulsos genuínos, e continua a depender do receptáculo pra poder existir. Entramos na conceituação de Aristóteles, na indivisibilidade entre corpo e espírito, sendo o corpo o elemento negativo (terra+água) e o espírito o elemento positivo (ar+fogo), para Aristóteles corpo e espírito são entidades que até podem ser concebidas separadamente, mas que dependem da existência um do outro pra que tenham razão de existir.

Numa visão mais ocultista, segundo o Dr. Raynor Johnson (citado no mesmo livro de Stephen Arroyo que mencionei acima), os elementos também podem ser associáveis aos corpos sutis que são tipos diferentes de consciência e percepção, explicados por ele sob uma ótica parapsicológica: “A água está relacionada com o corpo emocional ou astral, um tipo de consciência dominado por anseios intensos, reações de sentimentos e desejos imperiosos. O elemento ar está relacionado com o corpo mental ou ‘causal’ e representa um tipo de consciência sintonizada com os padrões de pensamento abstratos da mente universal. O elemento terra simboliza o corpo físico e uma afinação com o mundo das formas físicas e materiais. O elemento fogo está relacionado com o corpo etérico ou vital, que atua como um transformador das energias do ar e da água, a fim de ajudar a sustentar as funções do corpo físico.”

No corpo humano podemos associar a terra aos elementos sustentadores do corpo, como ossos, pele, músculos e tecidos conjuntivos de sustentação e preenchimento, além das funções sintetizadoras das células. Podemos associar o fogo ao sistema circulatório, às funções metabólicas e aos tecidos que armazenam energia, além de uma associação com ossos e músculos no que diz respeito á locomoção. Podemos associar o ar ao sistema nervoso e respiratório, e podemos associar a água ao sistema límbico, endócrino-hormonal e também ao sistema imunológico e reprodutor.

Aleister Crowley, em “o Livro de thoth”, sobre o Tarot egípcio associa os quatro elementos aos quatro naipes do tarot e aos quatro tipos de cartas da corte, chamadas por ele de Cavaleiro, Rainha, Príncipe e Princesa. O simbolismo empregado por ele vem da cabala hebraica e corresponde aos dois elementos básicos e criadores, o fogo (princípio masculino) associado às cartas dos cavaleiros e ao naipe de paus, e a água (principio feminino) associada às cartas das rainhas e ao naipe de copas. Fogo e água seriam essenciais e existiriam por si mesmo, são pai e mãe, os princípios geradores, e os demais elementos são conseqüência das interações entre esses dois. Da interação entre pai e mãe surge o filho, o elemento ar, associado às cartas dos príncipes e ao naipe de espadas. É o elemento veiculador dos princípios do fogo e da água, seria a intelectualização daqueles princípios fundamentais. Por fim o elemento terra seria a materialização e estratificação das idéias do ar, precipuamente geradas da interação entre fogo e água. A terra seria a filha, e corresponde às cartas das princesas (ou pajens) e ao naipe de ouros.

Nas palavras de Crowley: “O sistema pagão é circular, auto-gerado, auto-nutrido, auto-renovado. É uma roda sobre cujo aro estão Pai – Mãe – Filho – Filha; eles se movem em torno do eixo imóvel do Zero; eles se unem à vontade; eles se transformam entre si; não há início nem fim para a órbita; nenhum é superior ou inferior ao outro. A equação “nada = muitos = dois = um = tudo = nada” está implícita em todo modo do ser do sistema”. Somos tentados, à primeira vista, a tentar uma hierarquização essencial dos elementos, já que fogo e água seriam as grandes geratrizes, enquanto que ar e terra seriam aparentemente secundários, os gerados, mas o próprio Crowley nos mostra que estes quatro elementos são todos essenciais por si mesmos e são todos princípios equivalentes entre si.

Em breve veremos individualmente cada um dos elementos e seus significados na astrologia.

Qualidades (ou modalidades) no zodíaco

As qualidades ou modalidades de signos representam três posturas essenciais diferentes entre si, ao mesmo tempo complementares. Essas modalidades de ação básicas são a manifestação mais essencial em um ciclo, pois os princípios delas são a postura iniciadora, a postura de manutenção e a postura de mudança, transformadora ou conclusiva, que por sua vez é novamente sucedida pela postura iniciadora. Na astrologia, essas “qualidades” são assim nomeadas:

– Modalidade Cardinal: Representa o impulso unificador, que sai da dispersão e se concentra em um único objetivo, de forma aguda, num movimento unilateral, de dentro pra fora. É a modalidade iniciadora, que busca alterar o que se encontra lá fora e que pretende determinar uma nova direção. A palavra Cardinal significa fundamental, o que é bem condizente com a natureza dos signos cardinais, Áries, Câncer, Libra e Capricórnio, signos que demarcam o início das estações, a manifestação mais simples e básica de uma nova energia.

– Modalidade Fixa: Representa o impulso de manutenção, num movimento centrípeto, concentrado, de forma grave, pesada e insistente. É a garantia da existência do que foi iniciado no estágio cardinal precedente, e é também a energia que impede a manifestação de qualquer outro início. É também um impulso de desenvolvimento, de crescimento, de aquisição e também de estratificação e inércia. Os signos fixos são Touro, Leão, Escorpião e Aquário.

– Modalidade Mutável: Como o próprio nome sugere, representa o impulso de mudança, uma postura multilateral e dispersa, uma movimentação variável, errática e volúvel. Representa ausência de posição e busca por nova direção. É o impulso de sair da estagnação e se expandir de forma etérea e volátil, sem uma direção definida. Este movimento conclui o que fora iniciado na fase cardinal precedente, e abre caminho para uma próxima ação cardinal. Os signos mutáveis são Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes.

Da mesma forma que existe uma sucessão entre signos positivos e negativos no zodíaco, signos cardinais, fixos e mutáveis também se sucedem obedecendo exatamente a esta ordem. Há o que podemos chamar de uma relação “hierárquica” bem explícita entre as três modalidades, baseada na lógica da sucessão.

O cardinal substitui o mutável, portanto não é incoerente afirmar que entre o cardeal e o mutável, haverá vantagem para o cardeal. A existência do cardinal impede a manifestação da mutabilidade, uma vez que o mutável representa a dispersão e o cardinal representa a energia que se concentra em uma direção definida.

O fixo substitui o cardinal, é quem invalida sua existência por concentrar a ação no modo previamente definido. A insistente permanência da energia fixa funciona como barreira para qualquer tipo de investida cardinal.

Finalmente é o mutável quem substitui o fixo, por não insistir em um modo de ação, mas por promover a não-ação e a dispersão das energias, o que anula o sentido da modalidade fixa que luta pela permanência.