Mapa Astral: Laerte Coutinho

Laerte Coutinho é uma das cartunistas mais importantes do
nosso país e recentemente emerge como personalidade símbolo das lutas LGBT assumindo
sua Homossexualidade e transgeneridade publicamente em meio a um contexto
mundial e nacional de crise generalizada em diversos setores e repleto de
discussões relacionadas as questões de gênero. Vivemos um momento de quebra de
paradigmas, ou ao menos de luta intensa nesse sentido, como nunca se viu antes.
Certamente, fruto da grande configuração que marcou o período de 2008 até hoje,
a chamada cruz cardinal resumida na quadratura entre Urano e Plutão que termina
em 2015. Já escrevi sobre isso nesse artigo e em outros:
Não se trata de uma época de novidades (aliás vivemos um
momento em que parece que o “novo” se tornou  obsoleto), mas do despertar furioso de velhas reivindicações,
velhas dores e velhas injustiças e das batalhas relacionadas a elas, que sempre
estiverem aí, mas que não recebiam a luz devida, não eram vistas, ouvidas ou
sentidas propriamente.
Aqui neste artigo vamos entender um pouco, através da astrologia,
quem é Laerte e o que ela representa neste momento, já que as grandes mudanças
que ela vivenciou em nível pessoal acabam sendo reflexo de mudanças coletivas
também, já que todo o processo dela foi (e ainda é) marcado pelo trânsito de Urano
pela casa 1 (2001-2008) e agora principalmente, quando isso emerge na mídia, Netuno
pela casa 1, que começou pra ela em 2008-9, mesmo ano em que ela viveu seu segundo
retorno de Saturno e que vai até o fim dessa década.  Vamos entender o que tudo isso quer dizer mais
adiante.
Laerte Coutinho nasceu em 10 de junho de 1951, às 22:10 na
cidade de São Paulo. Encontrei os dados no site constelar, divulgados pela
astróloga Bárbara Abramo, mas tomei a liberdade de perguntar diretamente ao
próprio Laerte que me confirmou as informações.  Tem Sol em Gêmeos, Ascendente em Aquário e Lua em Leão. Descendente de portugueses, estudou na USP
música e jornalismo mas não chegou a concluir nenhum dos cursos. Começou a
trabalhar como cartunista no início da década de 70 e ao longo de sua extensa trajetória
profissional atuou também como redator e roteirista, quase sempre com projetos
relacionados a comédia/humor. Através de seu trabalho atuou realizando críticas
aos costumes, a sociedade e a política vigente sempre de uma maneira sutil e
bem humorada. Abaixo podemos ver o mapa dela:
O cálculo que eu fiz do temperamento dá empate entre
Melancólico e Sanguíneo. Isso é a cara do Ascendente em Aquário, signo
sanguíneo,  mas regido por planeta
melancólico, e acaba sendo atestado por outros posicionamentos também: Sol em
signo sanguíneo (gêmeos) mas em estação melancólica (outono), lua em fase
sanguínea (nova) mas regida por planeta melancólico (o sol de outono) e por aí
vai. Sanguíneo e Melancólico compõe uma dicotomia. Um é regido por Júpiter, “grande
benéfico” e planeta da alegria e prosperidade, enquanto o outro é regido por
Saturno, “grande maléfico” e planeta associado a tristeza e as limitações. A
base dessa dicotomia vai ser matizada por um conflito interno entre um lado da
pessoa, marcado por um comportamento que tende a ser organizado, meticuloso,
crítico e extremamente exigente consigo mesmo e com os outros além de pender
para a solidão, versus um outro lado marcado por hedonismo, senso de humor,
espírito gregário e dificuldade de lidar com as responsabilidades capitais. São
dois temperamentos completamente opostos, mas a convivência deles é possível
sim, mas nunca em simultâneo, acaba havendo alternância. Às vezes então a vida
é vivida com mais leveza e despreocupação, às vezes a vida é encarada com
seriedade e gravidade. Todos nós vivemos variações de humor, mas a pessoa que
nasce com essa combinação no temperamento vai viver isso de maneira um pouco
mais intensa. O Sanguíneo é o temperamento do riso e da festa, mas o
melancólico é o temperamento da autocrítica que leva a pessoa a, encarar a vida
com lentes um pouco mais cinzentas em alguns momentos. Como há uma leve
predominância de elementos “quentes” no mapa, o temperamento que predomina no
final das contas é o sanguíneo. O que podemos tirar como síntese desse
temperamento é a criatividade, inteligência e a baixa agressividade.
Mas a própria quadratura natal de Saturno com o Sol mostra
que o lado melancólico pode emergir facilmente se alimentado. Por outro lado, a
lua em Leão fala de elementos da personalidade muito voltados para a construção
da autoestima. A pessoa que tem lua em Leão é confiante, gosta de
reconhecimento e até de um pouco de atenção, mas pode ter dificuldade de
expressar isso. Especialmente no caso de Laerte, que tem ascendente no signo
oposto, Aquário:  às vezes o
comportamento externado da uma impressão de falta de confiança, ou então uma
impressão de completo desinteresse pela opinião alheia; Emocionalmente, entretanto,
a Lua em leão fala que há sim necessidade de reconhecimento e respeito pelas
suas qualidades e características inerentes: A pessoa não se contenta em ser e “impor”
esse ser sobre o mundo (a atitude do ascendente em aquário), ela precisa ser
reconhecida. Não se trata de busca por aprovação (em alguns casos pode ser até
isso), mas essencialmente é uma necessidade de ser reconhecido e respeitado
incondicionalmente. Isso se estende a todas as esferas: pública e privada. A
questão da necessidade emocional de  respeito, típica da lua em leão, pode levar
tempo até ser totalmente compreendida pela pessoa mas é essencial e vai variar
bastante de indivíduo pra indivíduo a depender do seu contexto de origem.
Laerte tem três planetas no signo de Gêmeos, que simboliza a
dualidade e a negação das verdades absolutas. Gêmeos é um signo muito frequente
em mapas de escritores e pessoas que se relacionam com a mídia, principalmente
com o aspecto da comunicação. É um signo inteligente e representa o lado
racional, questionador e sua marca é a eternidade da dúvida, enquanto houver
dúvida, há vida, porque a vida para o geminiano acaba sendo uma eterna busca
pelos porquês, simbolizada no signo oposto, Sagitário. Outra característica de
Gêmeos, é que esse é o signo da experimentação e da descoberta. São pessoas
movidas por muita curiosidade, muita inquietação e necessidade de auto
expressão.
Isso combinado com o signo de Aquário no ascendente indica
uma personalidade voltada para o novo, muito inventiva, original e ousada.
Laerte tem Sol, Marte e Mercúrio em Gêmeos indicando que a sua força motriz é a
palavra. Marte em Gêmeos gera debatedores e pessoas que podem ser inclusive
irritantemente questionadoras, no sentido de se colocarem sempre na posição de
fazer as perguntas centrais que normalmente doem. Também fala do lado crítico
de Laerte, muito visível no seu trabalho e na sua versatilidade e capacidade de
abordar qualquer temática, até as mais espinhosas, de maneira leve, mas sempre certeira;
Mercúrio em gêmeos é a inteligência prática, hábil para resolver pepinos e
encontrar saídas e atalhos, o mercúrio que nasceu para simplificar e resolver.
Normalmente não são grandes eruditos, porque a inteligência geminiana não é das
mais profundas, mas é considerado um dos melhores posicionamentos de mercúrio
justamente pela sua praticidade e fluidez na hora de exercer o papel mercuriano
de falar, resolver e negociar.   Se levarmos em consideração que Gêmeos é a
casa 5 (da criatividade e da criação: tudo o que a pessoa faz, produz, sua
arte, seus escritos, seus filhos) de Laerte, e que além disso ela tem Vênus e
Lua em Leão, outro signo associado a criatividade, percebemos que a fertilidade
mental  acaba sendo a base fundamental
deste mapa, o que é atestado pela trajetória de vida de Laerte.  
Saturno no mapa de todas as pessoas é fundamental porque
fala de aspectos relacionados as limitações, conceitos enrijecidos e a nossa
relação com o conceito de liberdade e prisão num sentido psicológico. O quanto nós
nos permitimos simplesmente “ser” (a lua, o sol, os planetas mais “orgânicos”
digamos assim) versus o quanto nos tolhemos e nos limitamos em nome de
conceitos herdados do extrato social, genético e cultural, uma espécie de
condição que pode ser inerente ou imposta e que as vezes tem um peso de condenação.
Além de ser o regente do Mapa de Laerte, Saturno está em uma relação de tensão
com o Sol em Gêmeos que acaba sendo muito importante.   Tem um
texto aqui mesmo nesse site onde eu falo longamente sobre Saturno em Virgem,
posicionamento de Laerte, veja:
A autocrítica é uma característica óbvia. Todas as vezes que
é chamada de gênio ou quando é dito que Laerte é o maior cartunista do Brasil,
ela sempre corrige seus interlocutores. Trata-se de uma postura de humildade e
de consciência das imperfeições que é muito forte neste caso. O lado negativo
desse Saturno no mapa do Laerte aparece na autocensura e num moralismo
possivelmente internalizado, especialmente porque o signo de gêmeos é
essencialmente imoral. É imoral porque é dual, a dualidade é o transitar por
mundos incongruentes, é a recusa da escolha, é o jogar nos dois, ou em todos os
“times”  que existem se assim for
possível. O princípio da moralidade nos diz que temos que escolher, que temos
que ser coerentes e ainda por cima nossas escolhas não podem em hipótese alguma
afrontar os princípios da maioria ou os princípios vigentes. E a pessoa
fortemente marcada pelo signo de gêmeos não quer escolher e não quer se
sujeitar a fazer o papel de “santa” apenas pra agradar. E dentre as
alternativas existem mundos que se colidem, coisas que são muito divergentes e
flertar com os dois lados vai ser sempre uma profanação. Essa questão pode
valer pra todos os aspectos da existência: a vida da pessoa que nasce com essa
marca nunca vai se afastar desse tipo de conflito.
Mas as casas do mapa onde esses planetas caem revelam um
pouco mais sobre o principal âmbito da existência em que isso é vivido. Saturno
está na casa 8 e os planetas em gêmeos caem na casa 5 de Laerte. Essas são as
duas casas que falam sobre a sexualidade sob diferentes aspectos. A casa 5 está
relacionada a sexualidade no sentido do prazer pura e simplesmente. É a casa
relacionado ao namoro  e a diversão. A
casa 8 já é uma casa mais espinhosa e fala sobre o aspecto mais denso da
sexualidade, as questões psicológicas que estão implicadas, os tabus, as
vergonhas e a experiência da intimidade num nível realmente profundo.
 Principalmente pela
condição de Saturno na casa 8 vemos a importância e ao mesmo tempo a dificuldade
que existe pra Laerte ao lidar com essas questões: Somente a maturidade traz a
serenidade necessária pra encarar os medos, enrijecimentos e negações
simbolizados por Saturno. Óbvio que a questão poderia ter sido “resolvida” tão
cedo quanto na adolescência, durante o primeiro retorno de Saturno ou mesmo
durante a crise da meia idade. Mas durante anos essa questão permaneceu no
nível de foro íntimo para Laerte, até que um crise (outro tema de casa 8)
acabou trazendo essas questões não só para o nível da experiência imediata (não
mais abstrata). A perda muito precoce do filho de apenas 22 anos levou Laerte a
buscar a análise e a pensar mais profundamente sobre todas as questões,
inclusive e principalmente essas simbolizadas por Saturno no mapa natal. Porque
é diante das crises que normalmente tomamos consciência de como o maior limite
que temos é o tempo e do quanto perdemos tempo evitando o enfrentamento de questões
fundamentais.  Laerte já havia assumido
sua bissexualidade antes da morte desse filho, mas assumir o desejo de ir além,
de praticar o crossdressing e viver plenamente a transgeneridade foi um passo
que ele deu apenas depois desse episódio.
Todos esses eventos estão associados a duas coisas que
aconteceram com o mapa de Laerte entre 2001 e 2008: Os trânsitos de Plutão em
Sagitário, em oposição aos planetas em gêmeos e em quadratura com Saturno em
Virgem, promotores de um processo de destruição da identidade causado por
perdas e transformações no mundo exterior contra as quais a pessoa nada pode fazer.
O trânsito de plutão quase sempre atua nesse nível: toda uma vida marcada por
determinados valores e vivida de determinada maneira simplesmente entra em
colapso, implode e a mudança de postura acaba sendo a única alternativa. São
sempre os trânsitos mais dolorosos (os de plutão) mas eles normalmente
despertam na pessoa uma consciência para o quanto ela é livre e o quanto a sua
vida é cheia de potenciais. Desde que ela tenha coragem de morrer pra permitir
que esses novos potenciais possam emergir e isso nem todo mundo tem coragem de
viver, esse processo de morte em vida, de abandono de valores, a troca de pele.
Mas Laerte deu esse passo.  
Além disso, em 2001 o Planeta Urano em Aquário começou a
fazer conjunção ao ascendente de Laerte e entrou na sua casa 1 onde permaneceu
até 2008. Nesta casa Urano leva a uma reinvenção da identidade, mas normalmente
a pessoa não tem uma noção muito clara desse processo. Simplesmente ela passa a
permitir que a sua verdade essencial comece a aflorar. A pessoa passa a ser ela
mesma de uma maneira muito autêntica. Ocorre um processo de reinvenção onde na
verdade a pessoa começa a abandonar elementos que ela absorveu pra sua
personalidade e pra sua vida como um todo, mas que nada tinham a ver com quem  ela é em essência. Essa individualidade
essencial passa então a emergir como uma força impulsiva, e dependendo do nível
de tensão existente na casa 1, eventos externos de natureza imprevisível podem
acontecer refletindo de forma dramática essa eclosão . De fato, Laerte tem uma
casa 1 tensa, repleta de aspectos desafiadores. Isso significa que a vivência
da identidade é uma questão (uma das). Ela não acontece de maneira fácil porque
entre em choque com outros elementos  que
compõe o que podemos chamar de estrutura da vida. Por exemplo, sempre que
qualquer planeta entra na casa 1 de Laerte ele faz oposição com a lua, quadratura
com mercúrio, quadratura com marte e inicia o processo de quadratura com o sol.
Esses pontos são elementos da vida (carreira, família, vida social) que entram
em choque: por conta disso a pessoa não pode se dar ao luxo de simplesmente
ser, porque tem que levar tudo isso em consideração. Mas urano é o planeta que traz
o caos e através dele o emergir da verdade passa a ser possível, porque
normalmente esse planeta, num sentido figurado, “embaralha  todas as cartas” e permite (na verdade obriga)
a um recomeço.     
Essa questão toda se aprofunda em 2008-09. Nestes anos Urano
e Saturno no céu estão em oposição e formando com o mapa de Laerte uma
quadratura com o Sol, e em meio a isso Laerte vive seu segundo retorno de
Saturno. E aí o grande passo é dado e a questão saturnina é enfrentada.
Passando isso, em 2010 ele decide se vestir integralmente com roupas femininas
e assume de maneira pública sua natureza transgênero. Simplesmente decide
assumir sua dualidade e viver de maneira mais inteira. Isso não foi algo
causado por uma crise, por um retorno planetário, mas todo um processo de vida,
um longo diálogo de foro íntimo que agora emerge para que todos tenham consciência
do que na realidade sempre foi, apenas não havia sido pronunciado.
Nesse contexto entra em cena a influência do planeta Netuno.
Em 2008 Netuno começa a formar conjunção com o ascendente de Laerte, processo
que só se conclui no início de 2010. Essa conjunção está relacionada a um
processo de dissolução. Netuno é o planeta que rompe todas as barreiras, todas
as resistências. Em geral ele mergulha a pessoa num estado profundo de confusão
e indefinição durante o trânsito. É porque ele, de maneira muito mais suave se
comparada com Urano e Plutão, mostra que o modo da pessoa viver determinado
aspecto da sua vida já não faz mais sentido. Por um tempo, provavelmente tudo o
que Laerte sabia é que a antiga forma de ser não fazia mais sentido, mas
durante um tempo é possível que nem mesmo ele soubesse o que viria depois. Ou
na verdade sabia, mas não acreditava antes que aquele limite pudesse ser
transposto.  Netuno acaba com os limites.
Saturno que é símbolo de solidez, treme e derrete diante da atuação solvente de
Netuno. E assim emerge o novo Laerte.
Logo em seguida se inicia uma oposição de Netuno com a Lua
de Laerte, com Netuno ainda na casa 1, entre 2010 e 2011. E  de repente todas aquelas questões que antes
ficavam em foro intimo vem a tona. A oposição de Netuno com a Lua tem um
elemento fortíssimo de “Oversharing”, ou seja, permitimos que tudo sobre nós
transborde. A lua é a vivência da intimidade e um trânsito de Netuno em
oposição com a lua faz com a pessoa passe a compartilhar de maneira muito
aberta questões que em outros momentos ela manteria no nível de fórum íntimo, porque na realidade há uma sensação de perda dos limites no que diz respeito a intimidade. As
emoções entram num nível muito incômodo de indefinição e através da expressão
delas, sem pudor, a pessoa busca uma maneira de reencontrar seu ponto de
equilíbrio. E assim Laerte torna pública sua vivência da transgeneridade e
passa a falar abertamente sobre isso e sobre tudo o mais a seu respeito com a
maior naturalidade. Nem todo mundo encara esse tipo de trânsito com tanta coragem porque a lua trata também de áreas da vida onde somos vulneráveis e a exposição associada a ele as vezes não é das mais fáceis de se administrar. 
Mas se Netuno no nível pessoal pode ser as vezes fonte de
confusões, indefinições  e diluição,
quando pensamos a atuação desse planeta no nível coletivo vemos que ele acaba
simbolizando o que existe de mais real. Netuno é o planeta que fala sobre a
cultura, sobre o que chamamos de inconsciente coletivo. E uma das
possibilidades dos trânsitos de Netuno é a fama, a boa e a ruim, às vezes as
duas simultaneamente. Não se trata daquilo que chamamos de “15 minutos de fama”,
mas por Netuno refletir conteúdos que na realidade estão sendo vividos de
maneira coletiva, a pessoa que atravessa trânsitos importantes de Netuno pode
ficar famosa justamente por ser na realidade um reflexo momentâneo de coisas
que descrevem aquele momento. Laerte já era bem famoso pelo seu trabalho e isso
já desde a década de 70, principalmente a partir dos anos 80. Mas o que
acontece agora é diferente. Esse tipo de fama não tem a ver com reconhecimento,
tem a ver com outro tipo de notoriedade: O que Laerte vive é um processo que
reflete discussões que estão muito em voga nesse momento. Em 2011 Netuno entrou
em Peixes, e uma das coisas que Peixes  simboliza são os extratos da sociedade que
normalmente são excluídos. Laerte através de sua existência nesse momento
específico joga uma luz sobre o que vivem as travestis e na realidade uma séria
de causas ligadas ao movimento LGBT.
No que diz respeito a jornada pessoal de Laerte isso tudo
ainda vai longe porque Netuno está só começando seu trânsito por Peixes e
Laerte vive esse trânsito ainda (netuno pela casa 1) até o final desse década.
Essa análise na realidade fica pra que possamos perceber de que maneira as
vezes um processo pessoal pode ser reflexo de processos coletivos. Na maioria
das vezes é mesmo. É muito frequente por exemplo, justamente no ano que vivemos
o trânsito x, um filme, uma série, uma novela, uma música, enfim, algum
elemento do inconsciente coletivo emerge e fala justamente daquilo que estamos
vivendo durante aquele processo. Na realidade tudo aquilo que pensamos estar
vivendo num âmbito muito pessoal, todos os problemas e todas as questões que
por vaidade julgamos ser exclusividade nossa na realidade são mais públicas do
que imaginamos.