A constelação de Gemini

Gemini ou Gêmeos é uma das constelações  do zodíaco localizada na porção Norte do
planisfério celeste, por onde passa a linha da eclíptica (o caminho anual
percorrido pelo Sol) e que atualmente marca o solstício de Verão no hemisfério
Norte e o solstício de Inverno no hemisfério sul, correspondendo na realidade,
em grande parte, com o signo de Câncer. 
Atualmente (entre julho de 2013 e junho de 2014) o planeta
Júpiter pode ser visto passando por esta constelação. Muitas mitologias trazem os
gêmeos, figuras que desde tempos remotos intrigam a todas as culturas. Os
gêmeos quase sempre são retratados como jovens guerreiros. Na mitologia
Greco-Romana a constelação de Gemini corresponde aos gêmeos Póllux e Castor,
que por sua vez dão o nome para as principais estrelas da constelação.
Castor e Pollux na mitologia grega são irmãos gêmeos filhos
da mortal leda, porém de país diferentes. Pollux era filho de Zeus (sendo assim
imortal) e Castor era filho de Tíndaro, sendo assim um mortal. Inseparáveis, os
dois irmãos eram chamados as vezes de Dióscorus (filhos de Zeus, apesar de
somente um deles o ser de fato), as vezes de Castores. Etimologicamente seus
nomes estão relacionados diretamente ao animal Castor da natureza, conhecido
pela sua engenhosidade (é aquele animal que constrói represas com gravetos).  
Leda era a rainha de Esparta, esposa de Tíndaro. Era uma
mulher muito bela e íntegra, e por isso chamou atenção de Zeus, que se
metamorfoseou em um Cisne para conquista-la. Zeus apareceu pra Leda na forma de
Cisne quando ela se banhava em um lago. Encantada com a beleza do animal, ela o
colocou no seu colo. Foi o suficiente pra que Zeus conseguisse fecunda-la.
Desse intercurso, nasceram 4 criança colocadas em 2 ovos que continham cada um
deles um casal de irmãos: Pollux e Helena (filhos de Zeus) e Clitemnestra e
Castor (Filhos de Tíndaro). Os filhos de Zeus foram adotados por Tíndaro e
foram todos criados juntos e eram muito unidos. Existe uma constelação no céu
(Cygnus, o Cisne) que representa Zeus metamorfoseado, simbolizando este evento
peculiar. E a constelação de Gemini, representando especificamente Pollux e
Castor por que eles eram figuras populares, considerados protetores dos
navegantes.
Pollux e Castor eram guerreiros muito valentes e um dos seus
maiores feitos foi a expulsão dos piratas da costa da Grécia, onde lutavam
completamente desarmados. Por esse motivo eram tidos como protetores dos
navegadores. Fizeram parte também da comitiva dos Argonautas na busca pelo velo
de ouro. Como Castor era mortal, quando este morreu Pollux implorou por sua
vida a Zeus solicitando que ele também lhe concedesse a imortalidade. Dessa
forma Zeus teria os colocado no céu na constelação conhecida como Gemini.
Na Índia existe uma dupla de Gêmeos que também é associada a
essa constelação. A diferença é que os gêmeos indianos são de sexos diferentes!
Um deles se chama Yama e a outra se chama Yami. A palavra yama significa gêmeo
em sânscrito. Yama na mitologia hindu foi o primeiro homem a morrer, e em
virtude do seu “pioneirismo”, tornou-se regente dos mortos.  
O interessante é que o principal paralelo que
encontramos entre Yama e Yami e a mitologia grega está no mito de Hades e
Perséfone. Dessa forma, Os gêmeos, numa perspectiva hindu seriam os
equivalentes ao que conhecemos por Hades e Perséfone, com a diferença de que
além de Yama e Yami formarem o primeiro casal de todos, eles eram também irmãos
gêmeos. Diante disso é que eu considero cada vez mais curioso o fato de que já
vi astrólogos modernos sugerindo que Plutão tenha sua  “exaltação” no signo de Gêmeos, por
motivos que passam longe dessa história obviamente.
Os Maias e Astecas da América Central também tinham um mito
que envolvia gêmeos. Hun Hunahpu e seu irmão (não gêmeos)  Vucub Hunahpu  adoravam o jogo de bola mesoamericano, e
produziam muito ruído enquanto jogavam, o que irritou aos deuses que viviam nos
subterrâneos da terra; Os deuses os convocaram até sua morada onde os
desafiaram em um jogo mortal do esporte mesoamericano. Como foram derrotados,
os irmãos foram mortos. Ao morrer, entretanto, Hun Hunahpu fecundou uma semente
que daria origem aos irmãos gêmeos heróis da mitologia mesoamericana, Hunahpu e
Ixbalanqué. Os dois irmãos cresceram com a missão de vingar a morte do pai e
tio e por isso se tornaram exímios jogadores do esporte, indo até o submundo
onde viviam os deuses, desafiando-os para uma partida do esporte e conseguindo
inclusive matar alguns desses deuses, saindo de sua jornada com a promessa
feita pelos deuses de que os humanos não seriam mais importunados.  
Esse estranho esporte mesoamericano é uma das coisas mais
interessantes na cultura mesoamericana. Existem vestígios de sua prática a no
mínimo 3600 anos, já era praticado entre os antigos Olmecas, a civilização que
habitou a América Central antes dos Maias e Astecas. Já nessa época eles
conheciam a borracha, extraída do látex da seringueira, e abola usada no
esporte era feita de borracha. Foram encontrados estádios em ruínas desse esporte
desde a porção sul dos Estados Unidos até a Costa Rica e em diversas ilhas do
Caribe, incluindo Cuba. O látex era associado ao sêmen, e por isso a prática
desse esporte era uma espécie de culto à fertilidade, ou uma disputa entre
machos pra se definir o mais fértil dentre eles, já que a bola e a posse dessa
bola simbolizava esse tipo de supremacia. O esporte era muito violento e mortes
eram frequentes. Frequentemente em partidas “oficiais”, o capitão do
time derrotado era sacrificado para os deuses numa alusão a mitologia que
envolvia a história dos gêmeos Hunahpu e Ixbalanqué.          
Voltando a Grécia antiga, uma das representações da
constelação de gêmeos não apresentava os Dióscorus, mas sim uma dupla de deuses
do olimpo, filhos (não gêmeos) de Zeus: Hermes e Apolo. Hermes estava associado
a Pollux e Apolo a Castor. É interessante porque esses dois deuses estão muito
relacionados ao sentido da constelação de Gêmeos mesmo. Hermes por ser o deus associado
ao planeta que rege este signo, e Apolo por ser tido já como o guardião deste
signo entre os romanos. Outra representação indica que os gêmeos seriam na
verdade Apollo (Castor) e Hércules (pollux). A associação de Hércules com
Pollux é interessante porque este era imortal e sua principal habilidade
consistia na força bruta e resistência, enquanto que Castor respondia pela
inteligência e habilidades artísticas.  
Outro mito grego que tem forte relação com o signo de gêmeos
é o mito de Hermafrodito, filho de Afrodite com Hermes. Hermafrodito seria um
garoto com traços perfeitamente masculinos e profundamente bonito, que em um
dado momento se uniu fisicamente a uma Ninfa assumindo o aspecto Andrógino,
mantendo a genitália masculina mas desenvolvendo seios. Essa Ninfa havia se apaixonado
por ele, mas fora rejeitada. Então num momento em que ele estava se banhando em
um lago, a Ninfa o agarra e o beija tocando em seu peito e invocando aos deuses
para que nunca sejam separados, e seu pedido é atendido. Assim Hermafrodito
adquire o aspecto andrógino e todos os que se banham naquele lago são
condenados a passar pela mesma transformação, vindo daí a explicação antiga
para os intersexos.
A constelação de Gêmeos é relativamente fácil de se
localizar e a época em que fica mais visível no céu é a partir do mês de
janeiro quando se ergue no horizonte logo após o por do sol. É composta por 20
estrelas, cuja longitude celeste hoje em dia cai inteiramente sobre o signo
Astrológico de Câncer. As principais estrelas são:
Propus – 03° Câncer
É o pé de Castor localizada mais ao norte na constelação.
Indica proeminência, grande capacidade de discernimento e habilidade pra se
expressar de diversas maneiras.
Alhena – 09° Câncer
É o pé de Pollux, localizada mais ao sul. Indica algumas
habilidades artísticas, mas ao mesmo tempo imprudência que pode levar a muitos
acidentes nos pés. Vale lembrar que Pollux também era visto como Hércules, que
na mitologia da constelação de Câncer aparece pisando o caranguejo enviado por
hera, que por sua vez o morde no calcanhar, numa tentativa de atrapalha-lo em
sua luta contra a Hidra de Lerna.
Wasat – 18° Câncer
Essa estrela se localiza em um ponto da constelação de
Gêmeos em que os braços dos dois gêmeos se unem. É dito que ela tem uma
natureza saturnina, estando conectada com gases venenosos. Foi passando próximo
dessa estrela que o planeta Plutão foi descoberto em 18 de fevereiro de 1930,
no auge da grande depressão. Ela seria um indicativo de preguiça e de
habilidades que existem mas são desperdiçadas.  
Castor – 20° Câncer
Essa é a estrela alfa da constelação de Gêmeos e está
localizada na região onde fica a cabeça de um dos gêmeos, Castor (ou
Apolo).  É uma estrela que prenuncia
muitas viagens, habilidades diversas e inteligência em múltiplas áreas. Tem
natureza de Mercúrio e Júpiter e pode significar o risco de ferimentos em um
dos braços.
Pollux – 23° Câncer
Essa é a estrela Beta da constelação de Gêmeos e está
localizada na região que corresponde a cabeça de Pollux (ou  Hermes, ou ainda Hércules). Sua natureza
profundamente marciana casa com a analogia feita com Hércules. Indica um
comportamento agressivo, força física, resistências, mãos habilidosas o que
seria indício de habilidade para o Boxe. Pode indica sucesso com questões
militares e facilidade em lutas marciais. A pessoa poderia estar muito sujeita
às provocações, se encolerizando com facilidade.

Numa visão geral, todas as estrelas da constelação de Gêmeos
indicariam uma pessoa que procura aproveitar mais a vida, sendo não muito
inclinadas ao labor. por outro lado, seriam habilidosas, dotadas de
inteligência e astúcia e múltiplos talentos. Podem ser descuidadas e por isso
acabariam se ferindo com facilidade 

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