A constelação de Taurus

A constelação de Taurus, a que deu origem ao nome do signo
de Touro é uma das mais importantes desde tempos imemoriais. É também uma das
mais fáceis de se localizar, por conta da presença de 2 aglomerados estelares
que tornam a região dessa constelação especialmente estrelada. Além disso, a
estrela Aldebaran (Alfa desta constelação) é bem fácil de se identificar no
céu, por ser bem brilhante e ter uma tonalidade alaranjada. Por conta disso era
conhecida entre os gregos como Tocha. Caso queira saber rapidamente onde está o
touro, basta procurar pelas três marias (cinturão de orion) , e olhar em linha
reta em direção a esquerda (do ponto de vista do hesmiferio sul) e procurar por
uma estrela laranja bem brilhante. A própria forma da constelação de Touro é
inconfundível, pois tem o formato aproximado de um Y. Na verdade Os dois
chifres do touro correspondem as linhas paralelas superiores deste Y, O
aglomerado das Hiades corresponde a cabeça do touro (estando Aldebaran
localizado onde estaria um dos olhos do Touro) com as Plêiades estando
localizadas na região do corpo deste touro.
Mitologicamente , o Touro referido nesta constelação é o
próprio Zeus, Deus dos deuses, disfarçado neste animal pra seduzir a bela
Europa. Zeus  transformou-se em touro
principalmente pra que sua esposa, Hera, não percebesse mais esta sua pulada de
cerca. Zeus levou Europa, ainda transformado em Touro, até a ilha de creta pelo
mar. Um dos principais atributos de Zeus é a fertilidade, ele foi o grande “reprodutor” do Olimpo tendo incontáveis amantes de todos os sexos e procedências
e tendo gerado muitos filhos. Em Creta, Zeus e Europa tiveram 3 filhos, dentre
eles Minos, o que teria sido o primeiros dos reis de Creta.
O reinado de Minos estava sob disputas e para sair vitorioso
de suas contendas, Minos decidiu fazer um acordo com o Deus Posseidon, pedindo
que este fizesse um Touro emergir do oceano, que seria sacrificado em sua
honra pra assim o deus ajuda-lo com suas disputas políticas. Posseidon aceitou
o acordo e enviou para Minos o Touro mais belo, mais forte, mais robusto e mais
manso que ja existiu. Encantado pela criatura, Minos decidiu trair a confiança
de Posseidon, tentando engana-lo ao colocar o Touro presenteado escondido em
seu estábulo e sacrificando um outro em seu lugar. Como punição, Posseidon fez
com que o Touro enlouquecesse, tornando-se incontrolável. Afrodite também quis
punir a desonestidade de Minos fazendo com que sua esposa, Pasífae,  ficasse perdidamente apaixonada pelo touro.
Para que ninguém soubesse de seu desejo secreto, Pasífae
recebeu ajuda de um famoso inventor ateniense, Dédalo, que estava naquela
altura exilado em Creta devido ao seu envolvimento em um assassinato em Atenas.
Dédado ajudou Pasífae em sua “história de amor” com o Touro criando
para ela uma máquina que possibilitaria a cópula entre ela e o Touro de minos,
em segredo. Era uma vaca de madeira onde ela se esconderia pra receber seu amado.  Pasífae engravidou do Touro e o  filho viria a se tornar a criatura conhecida
como Minotauro. Ela cuidou dele durante a infância mas com o tempo ele cresceu
revelando-se uma fera terrível, incontrolável e canibal. Minos mandou que
Dédalo construísse então um labirinto onde este monstro seria mantido cativo,
até ser morto pelo herói Teseu com ajuda da filha do próprio Minos, Ariadne.
Outro Mito importante relacionado ao Touro vem dos Hebreus.
Durante a passagem do êxodo dos israelenses que saíam de anos de escravidão no
Egito retornando para a Judéia sob liderança de Moisés, em dado momento o povo
firmou um acampamento no meio do deserto de Sinai, enquanto Moisés se retirou
durante vários dias para conversar com Deus, que lhe entregava as tábuas dos 10
mandamentos e lhe passava as instruções pra construção do templo de sua
adoração. Como Moisés demorava, sem ele o povo construiu um Bezerro feito de
Ouro ao qual adoravam em meio a danças, orgias e bebedeiras. O bezerro de ouro
é uma figura icônica e faz referência ao culto ao prazer  e a matéria e também ao antigo culto ao deus
Moloch, que levou a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra pela fúria
divina. Este bezerro pode ser também influenciado pelo culto egípcio ao touro
Ápis.  
Moloch era exatamente igual às representações artísticas do
Minotauro: tinha corpo de homem e cabeça de Touro, com longos chifres. Vem dele
a associação que os judeus e cristão fizeram entre chifres e demônios, que
perdura até hoje. O culto a Moloch envolvia o sacrifício de bebês recém
nacidos. Eram construídas grandes estátuas de Moloch em seus altares que
apresentavam uma cavidade. Dentro da estátua funcionava uma fornalha e os recém
nascidos eram colocados vivos para serem queimados ali. Cronos (o saturno
romano) foi sincretizado pelos gregos a partir da figura de Moloch, o devorador
de crianças, mas teve um mito muito mais elaborado e uma aparência mais
humanisada. Os cultos a Moloch também eram regados a orgias.
O Touro Ápis dos egípcios é uma personificação da própria
Terra. Era uma deidade relacionada a agricultura e o trabalho. Era adorado
principalmente na cidade de Mênfis. Era tanto uma encarnação do Deus Ptah
(patrono de Mênfis) quanto do grande deus Ossiris. Sendo assim a constelação de
Touro era fortemente associada a esse deus e também a sua esposa, Isis. Etimologicamente,
a palavre Touro em suas origens tem parentesco com a palavra terra. Terra é a
palavra latina para Géia, ou Gaia, a deusa terra, mãe de toda criação, sendo o
próprio planeta. A constelação de Touro pode ter relação portanto com esta
deusa tão fundamental.   
Dado tudo o que vimos sobre a adoração dos Touros, não é a
toa que em frente a bolsa de nova York nos dias de hoje encontramos a escultura
de um touro. O Touro é o simbolo da segurança material pelo seu simbolismo de
fertilidade. Está também relacionado a entrega aos prazeres carnais. E é também
o símbolo do otimismo na bolsa de valores, símbolos dos investimentos
crescentes e de uma economia fértil. Seu “culto” nos dias de hoje só
perde para o culto direto as notas de dolar, que são “regidas” por
ele.
A constelação de Touro apresenta dois aglomerados estelares:
As Plêiades e as Híades.
As plêiades são chamadas também de “setestrelo”, é
um aglomerado composto por 7 estrelas, das quais somente 6 são visíveis a olho
nu. Se localizam na região do corpo do Touro. Elas são filhas do titã Atlas,
exatamente aquele que segura a abóboda celeste em suas costas, com Pleione,
filha de um outro titã, Oceano.  São
elas:
Electra
Maia, mãe de Hermes com Zeus
Taigete
Alcíone
Celeno
Asterope
Mérope
As plêiades são 7, mas a olho nu só se consegue identificar
6 estrelas no aglomerado. A justificativa mitológica reside no fato de que
Mérope teria se casado com um mortal, por isso estava no setestrelo, mas não
podia brilhar. Séculos mais tarde, Galileu apontou o telescópio para a direção
das plêiades e constatou a existência de 7 estrelas, e não 6.    
Além das Pleiades, um pouco fora do Aglomerado estão duas
estrelas, uma correspondendo a Atlas e outra a Pleione.
Já as Híades São outro Aglomerado, este localizado na região
da cabeça do Touro. Na mitologia, as Híades são filhas de Atlas com uma ninfa.
São elas:
Ambrosia
Eudora
Ésile
Corônis
Dione
Prólixo
Féio
Serviam ao deus Dionísio, e eram perseguidas por Hera por
sua beleza. Foram homenageadas por Zeus e transformadas em constelação em
agradecimento aos cuidados que estas prestaram ao deus Dionísio. Aldebaran fica
na mesma direção das Híades mas não é considerada como fazendo parte do
aglomerado.
A constelação de Touro é composta pelas seguinte estrelas de
importância astrológica, com suas respectivas longitudes zodiacais: 
– Plêiades : 29° de touro  a 00°de Gêmeos. Geralmente se considera a
longitude de Alcyone, a líder das plêiades, como ponto de referência, e ela
fica exatamente em 00°10′ de Gêmeos nos dias de hoje.   
  
-Atlas: 00°31′ de Gêmeos
-Pleione: 00°33′ de Gêmeos
Assim podemos considerar 
a região que vão de 28°35′ de Touro até 01°33′ de Gêmeos como
influenciada pelas Plêiades. Há quem considere orbes maiores ou menores.
– As Híades, incluindo Aldebaran, ficam entre 05°Gêmeos e
10° de Gêmeos nos dias de hoje. As híades se centralizam na estrela Prima
Hyadum, localizada hoje aos 05°58′ de Gêmeos.
– Aldebaran se localiza hoje em dia exatamente aos 10°00′ de
Gêmeos (Entrou no segundo decanato de gêmeos neste ano).
– Al Hecka é um dos chifres do Touro e se localiza hoje em
dia aos 24°57′ de Gêmeos
– El Nath é o outro chifre do Touro e se localiza hoje em
dia aos 22°45′ de Gêmeos
Estrela Alfa: Aldebaran
Estrela Beta: El Nath
Estrela Gama: Prima Hyadum
Estrela delta: Hyadum II
Estrela Eta: Alcyone
Todas as estrelas das Plêiades e todas as estrelas da híades
são associadas por diversas culturas com chuvas, a idéia básica que acompanha a
chuva é a fertilidade. A  palavra Híade
vem do grego e corresponde ao termo usado pra chuva naquela língua. A
associação genérica que se faz a constelação de Touro está relacionada a
fertilidade e a intensa sexualidade, por ser a constelação que marca
tradicionalmente o coração da Primavera, quando se celebrava o festival de
Beltane. Especificamente a região desses aglomerados é apontada como indicador
de uma sensualidade e uma sexualidade muito intenso. Alguns autores apontam
como indício inclusive de comportamentos promíscuos, infidelidade no casamento
e bissexualidade ou homossexualidade. Isso se deve ao elemento da fertilidade
presente no simbolismo do Touro, animal forte, potente e que não pode ser
contido. 
Essas estrelas podem indicar por exemplo popularidade, e podem
despertar o sentimento de posse em amigos ou atrair pessoas dominadoras.  De modo geral, a literatura não descreve as
plêiades e as Híades com muita generosidade, associando elas com desgraças e
vergonha. Isso pode estar relacionado ao fato de que antigamente imperava uma
visão mais moralista ou cristã em relação ao sexo, e como essas estrelas falam
fundamentalmente da luxúria, talvez venha daí esse significado. Nos dias de
hoje não precisamos encarar o aparecimento de um desses aglomerados em evidência
em um mapa como indicador de qualquer tragédia, apenas alertar a pessoa da
possibilidade um comportamento mais promíscuo, luxurioso ou errôneo em seus
relacionamentos afetivos pode levar a escândalos ou mesmo a problemas mais
sérios. Outra interpretação importante está relacionada ao elemento de confusão
e de névoa que paira nessa região do zodíaco, como é comum a todos os
aglomerados estelares. Assim elas podem sugerir problemas de visão, dificuldade
de enxergar os fatos reais, ou tendência a esconder coisas ou mesmo inventar
mentiras para os outros. A natureza atribuída a elas é de Vênus com Saturno,
juntando prazer com o elemento da “desgraça” ou “vergonha”
quando exagerado.
Sobre Aldebaran eu já escrevi um post específico,  leia:  

Por fim, sobre as estrelas localizadas nos chifres (El Nath
e Al hecka), elas tem uma natureza mais marciana, o que seria de se esperar, já
que essas são as armas do animal touro. Mesmo sendo marcianas elas são
benéficas, indicam uma pessoa impetuosa, cheia de vigor e iniciativa, de
temperamento ativo, talvez precipitado e agressivo ou excessivamente mordaz.  
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