A constelação de Cetus

Cetus é uma grande constelação do hemisfério sul do céu
sendo adjacente as constelações de Peixes e Áries. Aliás, durante um dia do ano
(27 de março) o sol, astronomicamente, sai dos limites da constelação de Peixes
e faz uma rápida passagem pela constelação de Cetus. Lady Gaga por exemplo
nasceu num dia em que isso ocorria, e daqui a algumas centenas de anos o ponto
vernal ( o dia do equinócio da primavera) vai coincidir com essa região. Será
que vamos ter uma “Era de Cetus” ?. 
A constelação de Eridanus faz o limite sul de Cetus. Apesar de grande,
Cetus não tem estrelas muito brilhantes, destacando-se somente 4 estrelas. Dessas,
2 de razoável importância pra astrologia: Deneb Kaitos e Menkar.  
A palavra Cetus está diretamente relacionada a palavra
Cetácea, a ordem de mamíferos a qual pertencem as baleias. Cetus é portanto uma
Baleia, e seu nome em outros idiomas faz referência direta a isso. A ideia
original dos gregos é atribuir esta constelação ao terrível monstro marinho que
foi enviado por Posseidon pra destruir a Etiópia, e que exigia em sacrifício a
bela Andrômeda pra que o reino fosse poupado. Esse monstro foi destruído pelo
herói Perseus, cuja constelação fica paralela a cetus, mas no hemisfério norte,
do outro lado da constelação de Áries. Na verdade o casal Perseu e Andrômeda
estão lado a lado na região oposta a de Cetus. O monstro foi morto ao olhar a
cabeça da medusa, portada por Perseu, o que fez com que ele imediatamente se
transformasse em pedra. Por esse e por outros motivos é que a natureza básica
dessa constelação a associa ao planeta saturno.
Em outras culturas esse ideal de monstro marinho teve outras
acepções. Uma das mais importantes é a divindade mesopotâmica, a deusa oceânica
Tiamat, que era representada na forma de um monstro marinho ou dragão. Tiamat
seria responsável pela criação de tudo o que existe, sendo uma entidade
absoluta, doadora de vida. No livro de Jó a descrição feita sobre o leviatã o
faz se assemelhar muito a ideia contida na mitologia grega, do monstro enviado
por Posseidon.
Outra lenda aparece na bíblia e se refere a baleia que
engole o profeta Jonas. A baleia dessa passagem bíblica é um cachalote, o maior
animal carnívoro que existe no mundo, e que na época de Jonas habitava e era
comum na região do Mediterrâneo (hoje não mais). A história não é completamente
absurda, porque se sabe por exemplo que essas baleias carregam seus filhotes
feridos (que mesmo sendo filhotes, são maiores que humanos adultos) na boca. O
espaço na boca dessa espécia seria equivalente ao de um pequeno quarto. Há quem
diga que em tempos recentes uma história similar a de Jonas realmente
aconteceu, mas isso é um pouco improvável e pode não passar de “história
de pescadores”.  
O cachalote também é personagem central de uma lenda
contemporânea, Moby Dick. Curiosamente, a obra foi lançada em 1851. Neste ano
os Planetas Urano e Plutão estavam passando pelo final do signo de Áries e
formaram conjunção ao grau correspondente ao da estrela Mira , uma das mais
importantes da constelação de Cetus, que ficava nesta época aos 29° de Áries.
Saturno por sua vez passava também pelo terceiro decanato de Áries e formava
conjunção com Baten Kaitos, outra estrela bem importante desta constelação.
O leviatã também aparece na bíblia, sobretudo no apocalipse e
foi uma imagem recorrente até pouco tempo atrás, associado pelos pescadores a
monstros marinhos causadores de acidentes e naufrágios. O leviatã é encarado
também como um demônio, um dos príncipes do inferno.
Entre os Vikings e celtas haviam as lendas relacionadas a
criatura conhecida como Kraken, representada não como uma baleia, mas como um
polvo gigantesco. Acredita-se que a lenda do Kraken possa ser verídica a julgar
pelo tamanho de algumas espécias de lulas colossais que ja foram encontradas.
Essas lulas tem como predador natural justamente o cachalote, e diversos
exemplares deste tipo de baleia são encontrados com ferimentos graves advindo
das lutas contra esses gigantes. As lulas colossais podem chegar a
impressionantes 15 metros, e isso porque os estudos sobre a espécie são ainda extremamente
vagos. 
O escritor de ficção H. P. Lovecraft traz uma lenda contemporânea muito
interessante e que pode ser associada diretamente a temática desta constelação:
Cthulhu, uma criatura marinha gigantesca, monstruosa, horrenda e causadora do
mais profundo horror e desespero em quem tem o azar de contemplar sua fealdade.
Na realidade, Cthulhu seria uma entidade alienígena que vivia nas profundezas
oceânicas da terra, adormecida antes mesmo de haver vida no planeta. A ideia do
despertar de Cthulhu seria a ideia do despertar do mal, do fim e da destruição,
e no universo criado por Lovecraft havia inclusive um culto empenhado em trazer
a criatura a vida. Um filme  recente foi
muito inspirado nesta história, O monstro de Cloverfield, de 2008.    

A constelação de Cetus traz as seguintes estrelas de
importância astrológica:
Deneb kaitos, aos 02° de Áries, corresponde a cauda da
criatura, também conhecida como “Difda”. De natureza severamente saturnina, está relacionada a autodestruição
em diversos níveis e a melancolia. As pessoas afetadas por essa estrela podem
se mostrar mais cautelosas e temerosas em relação a vida, podendo apresentar
diversas formas de inibições, a depender do planeta que faz o contato.  
Baten Kaitos, aos 21° de Áries, corresponde ao coração ou
estômago da criatura. Apesar disso, o termo Baten kaitos é árabe e significa “barriga
da baleia”. Numa aparente alusão a história de Jonas que foi engolido e
transportado pela baleia a sua revelia, essa estrela pode sugerir mudanças na
vida que estão completamente fora do controle do nativo, especialmente mudanças
geográficas.  Também tem natureza de
saturno indicando cautela e algumas inibições, mas não tanto quanto a estrela
anterior.
Mira, aos 01° de touro, é o pescoço da criatura e conhecida
como o colar de Cetus. Tem natureza de Jupiter e saturno indicando
perseverança, cautela e capacidade de solucionar grandes problemas com esforço
e industriosidade. A pessoa tende a ser severa e rigoroza e pode ser
autoritária. Por outro lado, pode indicar melancolia e grandes decepções e
fracassos na vida em outro extremo. Hitler tinha o sol em conjunção com essa
estrela.  

Menkar, aos 14° de Touro é a bocarra do monstro.  De natureza saturnina, indica perigo de atrir
inimigos por motivos pequenos, limitações e impedimentos associados ao planeta
que toica a estrela e preocupações ligadas a vivência daqueles temas.  Essa é a estrela mais importante e mais
brilhante da constelação, a estrela alfa. Ela pode sugerir temores, medos
exagerados e um excesso de cautela que limita a pessoa e deve ser combatido. 

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