Vênus em Libra ♎

Vênus está transitando por Libra, onde tem domicílio. Aliás, essa região do zodíaco é uma região de extremos pra Vênus. Ela acaba de deixar sua queda, em Virgem. Ingressou no seu domicílio sendo completamente insuflada de poder, pra logo depois, ao sair de Libra ingressar em Escorpião e novamente perder seu poder. O que queremos dizer ao afirmar que uma Vênus tem poder? A Vênus poderosa é aquela que goza e tem prazer em grande quantidade, e a que tem grande poder de atração. Em Libra isso acontece principalmente porque este é o signo que se volta para o outro, que entroniza e usa o outro como parâmetro principal. O princípio básico de Vênus em libra é tratar a todos muito bem, tratar a todos com muito mais consideração do que eles de fato merecem, e assim receber em troca o mesmo movimento. Simples assim. Quem nasce com Vênus em libra movimenta ondas de prazer e bem-estar com maestria, procurando ser agradável e assim conseguir a simpatia de todos. É a Vênus que deseja ser bela não para si, mas para o deleite alheio. Aliás, seu prazer até certo ponto depende do prazer do outro, não causar prazer ou incomodar, ferir ou agredir, mesmo que involuntariamente, causa profundo mal-estar nesta Vênus.

Então este movimento, esta epidemia de gentilezas é o que mais se observa numa época de Vênus em Libra.   De repente passa a não fazer mais sentido que exijamos do outro, é uma mudança severa de estratégia, já que a Vênus em Virgem, a antecessora, tem seu perfil pré-definido e eventualmente trava e paralisa diante da negativa, não goza caso não obtenha aquele tipo particular de prazer que ela espera. Quando a Vênus entra em Libra é porque ela se cansou de esperar por “aquele” prazer, ela sai espargindo beleza e gentileza por todas as direções, inebriando a todos com sua aura adocicada e voluptuosa. Vênus em Libra se sente feliz ao fazer o papel de Gênio da lâmpada, aquele que atende a todos os desejos. Ver o outro tremer em gozo e saber que foi ele quem causou aquilo é o suficiente. É a Vênus que não espera que lhe agradem, vai lá e toma a iniciativa. Invariavelmente o que ela recebe em troca é prazer em dobro, vindo de todas as direções. É  uma Vênus permissiva, tolerante, que não exige tanto. Não é a toa que Peixes e Libra são reflexo um do outro.

Então uma época de Vênus em Libra beneficia imensamente o romance, porque de modo geral a tendência é que exista pouco egoísmo, ou que pelo menos este diminua consideravelmente, já que todos tendem a entrar nesta onda involuntariamente, a onda cor de rosa, a onda da gentileza. Assim esse é um momento interessante pra conhecer gente nova, criar novas amizades, namorar e até mesmo firmar acordos, porque Vênus preside a todas as uniões, todas as relações. Elos são beneficiados. Não se trata de uma promessa de que o elo vai durar eternamente, mas de que o elo será feito e de que será bom enquanto durar. Depois, quando a Vênus entrar em Escorpião é que a gente pensa se o elo é pra valer ou não; pra que se estressar com isso agora? Vênus em Libra é uma Vênus consumidora, hedonista, que não deixa o prazer de hoje pra amanhã. Ela pode até adiar o trabalho e tudo o que possa ser cansativo, doloroso ou incômodo, mas o prazer, esse nunca. O prazer é agora, depois ele perde o sentido.  É também a Vênus da estética, da simetria, do equilíbrio visual. Beneficia imensamente a todos os que trabalham com isso em algum nível. Quer embelezar, enfeitar alguma coisa? Aproveite, vai ficar tudo divino. Quer criar uma coisa bonita e harmoniosa? Tente agora. Essa Vênus beneficia a todos os criativos.

Vênus ingressa em Libra: 28/10/2012 as 11:04 (fuso -2)

Vênus deixa Libra e ingressa em Escorpião: 21/11/2012 as 23:19 (fuso -2)  

O Zodíaco e a mitologia Greco-Romana, por Manilus

Quanto mais longe se vai no estudo da Astrologia Tradicional, quando mais se avança no passado e se entra em contato com outras formas de se pensar a Astrologia, mais percebemos o quanto cada conceito é mutável e é contaminado pela ideologia cultural que predomina em cada momento. Hoje a visão da astrologia é permeada intensamente com conceitos da moderna psicologia e também das correntes espiritualistas. Mas em outras épocas, para outras culturas a Astrologia recebia outros ingredientes em sua composição de significados e interpretações.

Por exemplo, os antigos Romanos misturavam de uma maneira bastante flagrante sua religião com conceitos astrológicos, tanto que até hoje o nome dos planetas é uma referência ao que se utilizava em Roma a quase 2000 anos atrás. Não somente os Planetas recebiam esta carga de influência religiosa, víamos isso também nos signos do zodíaco.

Manilus, um dos mais importantes astrólogos do antigo império Romano nos fornece uma lista daquilo que ele chamou de ‘guardiões’ de cada um dos signos do zodíaco. Aquilo que entendemos hoje em dia sobre os mitos romanos pode diferir ligeiramente daquilo que eles entendiam ao formular tais conceitos, mas é evidente que o sumo da questão se mantém ao longo do tempo. Creio que podemos tirar desta lista então novos pontos de vista: podemos pensar cada um dos signos de uma maneira diferente, ao comparar o que o signo realmente representa com o que representava antigamente cada um dos seus guardiões.

Áries – Palas (Atena dos gregos)

Palas- Atena era a deusa da guerra e das batalhas justas e personificava a justiça, a estratégia e a sabedoria. Nasceu da cabeça do próprio Zeus e foi uma de suas filhas preferidas: é como a mais brilhante de todas as idéias que Zeus já teve. Nunca se casou, se interessava mais pelas vitórias e os assuntos dos homens do que com o amor ou o casamento. Era a protetora dos guerreiros que perseguiam a justiça e governava as guerras que eram feitas de forma limpa. Era muito cultuada especialmente em épocas de guerra e estava associada também ao cumprimento das leis.

Touro – Vênus (Afrodite dos gregos)

Vênus foi a deusa da beleza, do amor e da fertilidade. Representava o prazer e a alegria, mas era uma deusa caprichosa, ciumenta e exigia muitos sacrifícios dos seus adoradores. Era muito luxuriosa, mas quis o destino que ela se casasse justamente com o mais feio dos deuses, porém um dos que mais a amou, Vulcano, deus do fogo, da forja e do trabalho. Isso não impediu que ela se tornasse uma das mais célebres adúlteras da mitologia, sendo seu amante preferido o asqueroso Ares, deus da guerra e da violência.

Gêmeos – Phoebo (Apolo dos gregos)

Apolo foi o deus da beleza, da arte, da música, da razão e era personificado pelo Sol. Em contraste com Ares, que representava o que existia de pior no universo masculino, Apolo representava o que existia de melhor, mais belo e mais perfeito no universo dos homens. Era irmão gêmeo de Ártemis, sua contraparte feminina deusa da lua, da caça e da liberdade. Foi um dos deuses mais cultuados, eram famosos seus oráculos e era um dos mais homenageados pelos filósofos antigos. Era bissexual, seus amores foram múltiplos mas em geral é um dos deuses com a mais trágica das vidas amorosas.

Câncer – Mercúrio (Hermes dos gregos)

Mercúrio era o braço direito de Júpiter, e era o deus mensageiro, que governava o comércio, a palavra escrita e a inteligência. A esperteza e a velocidade, assim como a eterna juventude eram seus maiores atributos. Ele era também um Deus dos viajantes, sendo as encruzilhadas locais que lhe são associados. A rapidez e a troca são suas principais características.

Leão – Júpiter (Zeus dos gregos) 

Júpiter era o Deus dos Deuses e de todos os mortais. Governava o céu e era o soberano supremo a governar o olimpo. Seus símbolos eram a águia e os raios. As tempestades também lhe são atribuídas e são sinais de sua fúria ou de seus caprichos, especialmente quando acompanhadas de seus icônicos raios. Enquanto que sua esposa era uma personificação das mulheres e da fertilidade, Zeus era uma personificação da fertilidade masculina. Seus mitos são recheados de aventuras sexuais e seus descendentes são muitos, filhos das mais diversas mães, dentre mortais e imortais.

Virgem – Ceres (Deméter dos gregos)

Ceres ou Deméter era a deusa da agricultura e da maternidade, ela presidia o plantio e a colheita e governava as estações do ano. Seu culto era obviamente muito difundido, já que a agricultura sempre foi o principal meio de sobrevivência da humanidade. Na verdade foi Ceres quem criou as estações do ano; Muito ligada a sua filha Perséfone, que foi raptada e vive nos Infernos como a esposa de Hades, Temos Primavera e verão durante a parte do ano em que Perséfone vive com sua mãe, e temos o outono e o inverno que representam a depressão de Deméter pelo fato de sua filha ter de voltar para o inferno junto de seu marido.

Libra – Vulcano (Hefesto dos gregos)

Vulcano era um Deus dos homens, era  representado por um ferreiro e personificava o trabalho. O fogo e a forja eram seus atributos e ele foi o grande engenheiro divino, fabricando tudo o que deuses precisavam. Uma de suas principais criações foi a mulher: Pandora, forjada em sua oficina, foi a primeira de todas as mulheres, até então o mundo era povoado somente por homens. Era muito feio, mas apesar disso era casado justamente com Vênus, deusa da beleza e do amor.

Escorpião – Marte (Ares dos gregos)

Marte ou Ares era outro deus das guerras, mas diferente de Atena ele governava a violência, os crimes e a carnificina. Na guerra de Tróia, Ares se posicionou a favor dos Troianos, enquanto que Atena protegeu os gregos, que receberam a vitória. Assim foi a representação de que a inteligência se sobrepõe a violência. Quem queria lançar o mal ou destruir a vida de algum inimigo, seja na guerra ou mesmo no cotidiano, lançava mão de sacrifícios para Ares. Ele era detestado por todos os outros deuses, com excessão de Afrodite, que o tinha como seu amante preferido.

Sagitário – Diana (Ártemis dos gregos)

Diana era a deusa da caça e era personificada pela lua, regia a luz e a magia associada a este astro. Era representada por uma jovem extraordinariamente bela, mas intocável por qualquer homem, mortal ou imortal e representava também a liberdade da vida selvagem. Era irmã gêmea de Apolo, e da mesma forma que seu irmão representava aquilo que existe de feminino nos homens, ela representava o que existe de masculino nas mulheres, porque era independente e auto-suficiente.

Capricórnio – Vesta (Héstia dos gregos)

Apesar de o nome de Vesta ter chegado aos dias de hoje com menos ‘glamour’ do que os nomes de outros deuses como Apolo ou Afrodite, por exemplo, Vesta foi sem dúvida uma das deusas mais cultuadas, talvez tanto quanto o próprio Zeus. Ela era uma deusa do povo, governava os lares e as cidades e se orava a ela pra pedir pela felicidade e estabilidade da família. Cada casa tinha um pequeno altar, que ficava próximo das lareiras, em homenagem a Vesta. Representa a pureza feminina, o serviço doméstico e toda forma de discipulado, ou seja, aquela  humildade que se tem ao se curvar diante de um mestre. Ela era a filha primogênita de Saturno e é uma representação das mulheres solteironas e da castidade.

Aquário – Juno (Hera dos gregos)

Juno era a esposa de Zeus e era a deusa dos homens. Ela personificava muitas das viscitudes tipicamente humanas e protegia as cidades, o desenvolvimento urbano e estava associada a política de modo geral. Era também uma deusa do casamento, pilar da manutenção de uma sociedade contínua. Era uma representação masculinizada das mulheres, tanto que em alguns mitos gregos ela era tida como hermafrodita. Era a portadora da Romã, e simbolizada pela vaca e pelo pavão, todos símbolos máximos da fertilidade.  

Peixes – Netuno (Poseidon dos gregos)

Netuno era o deus das águas e dos mares. Todos os outros sub-deuses associados as águas como os deuses dos rios e das chuvas eram subordinados a ele. Ele governa portanto aquilo que existia de mais misterioso na natureza, e mais essencial, a profundeza dos oceanos a as águas que nutrem e destroem o mundo. Era também o deus dos cavalos, e portanto era o deus dos viajantes, já que as viagens naquele tempo se faziam somente a cavalo ou de navio, através dos mares. Era também um deus do inesperado e da tragédia: os terremotos eram associados a ele.

Para nós, algumas dessas associações entre signo e guardião não são tão óbvias, mas como eu disse, em outros tempos a lógica funcionava de maneira bem diferente. Por exemplo, no caso do Deus Mercúrio sendo associado ao signo de Câncer, devemos lembrar que os significados de Câncer estavam muito mais associados ao fato de este signo ser o domicílio da Lua, planeta mais rápido, que representa o movimento e as coisas transitórias. Neste caso faz sentido o guardião do domícílio lunar ser um deus cujas caracteristicas estão muito mais próximas da lua, já que antes de falar de sentimentos ou da mamãe, a lua representa essencialmente o movimento e a rapidez. Não significa que para os romanos, o planeta Mercúrio tinha qualquer domicílio ou poder no signo de Câncer, longe disso.

Temos que entender que o nível de personificação que se dá aos signos hoje em dia não existia antigamente, ao menos não da mesma forma. Um signo era muito mais como um local, um território. O deus como guardião daquele território não precisaria estar associado necessariamente ao planeta que regia o signo, até porque vários deuses não eram corporificados em planetas.

Pra muitos que tentam fazer uma associação entre deuses do panteão olímpico, nada melhor do que analisar as associações que já existiam antigamente, sem a poluição dos viéses atuais, mas coma  visão de alguém que vivia aquela religião e que realmente compreendia o que cada um daqueles deuses realmente representava, além de ter vivido na época em que os pilares daquilo que usamos como Astrologia estavam sendo erguidos.

O Calendário Revolucionário Francês

Todos nós aprendemos na escola sobre a Revolução Francesa, sobre como o “povo” se impôs contra a monarquia e colocou em seu lugar a burguesia, os banqueiros , agiotas e exploradores em geral da economia que passariam a fazer o mesmo que os reis faziam, só que em escala industrial e com requintes de crueldade pelos próximos 220 anos. A revolução francesa foi realmente uma coisa linda. É o evento histórico escolhido pra representar o início da idade contemporânea, a que perdura até hoje. Curiosamente, o período da revolução francesa é justamente o último período das conjunções entre Jupiter e Saturno em signos de Fogo, sendo o início do ciclo de terra no ano de 1802, com a conjunção ocorrendo no primeiro decanato de Virgem (06° Virgem numa escala média, heliocêntrica). A conjunção que estava em vigor na época da Revolução propriamente havia ocorrido, em escala heliocêntrica, aos 29° de Sagitário em 1782. 
Mas aqui eu gostaria de falar sobre uma das coisas mais curiosas que aconteceram durante aquele período turbulento e de tantas mudanças. O movimento que originou a Revolução Francesa bebeu e recebeu muito apoio do movimento cultural que ocorria na Europa durante aquela época, o Iluminismo, movimento que abraçou a ciência contra a irracionalidade da religião e das superstições. Aliás, foi o movimento  responsável pelo declínio da Astrologia. Essa influência foi a responsável pela decisão de se trocar completamente o calendário, substituindo o calendário gregoriano e o relógio em escalas hexadecimais por um calendário baseado nos ciclos naturais e astronômicos, e também um relógio em escalas puramente decimais e centesimais, pra romper de forma definitiva com o antigo padrão. 
Ironia do destino, o calendário da Revolução Francesa de Astronômico não tinha tanto, mas em termos astrológicos seria a perfeição. Primeiro porque a duração dos meses era uniforme como a escala do zodíaco, com cada mês durando 30 dias. Era um calendário totalmente baseado no movimento do sol ao redor do zodíaco, e não ao redor das constelações, que naquela época já possuíam quase o mesmo nível de diferença com relação as posições do zodíaco que observamos hoje. Era principalmente um calendário baseado nas mudanças de Estações. O nome dos meses era sempre uma referência a principal característica que se podia observar no clima (francês) durante aquele período. Os símbolos empregados no calendário oficial tinham todos uma conotação altamente astrológica, mas também com fortes referências às características das estações correspondentes. Com 12 meses de 30 dias, todos os anos tinham 5 dias adicionais que eram feriados onde se comemorava a república e as virtudes iluministas defendidas pela revolução francesa. Cada mês tinha 3 semanas que recebiam o nome de décadas. Cada dia específico ao longo do ano inteiro era dedicado a uma planta ou mineral simbólico. Mas a mudança mais radical envolvia os relógios. Agora os relógios tinham 10 horas com 100 minutos cada hora e 100 segundos cada minuto (e assim sucessivamente). Mas o relógio revolucionário era um tanto impraticável e foi abolido já em 1795. 
Vamos agora conhecer os mêses do calendário da revolução francesa e seus respectivos símbolos. 
Vindemiário


O Calendário da revolução francesa foi estabelecido em 1792 e o primeiro mês da revolução era justamente o mês em que até hoje recomeçam os ciclos de trabalho e estudos na Europa, com o ingresso do Sol em Libra e o início do Outono. E o calendário revolucionário não poderia se iniciar em outro momento, já que Libra e todos os seus simbolismos de “busca pelo equilíbrio dos opostos através do uso da razão” impregnavam todo o movimento do iluminismo, e Netuno estava em libra durante o período mais intenso e radical deste movimento cultural, bem como durante o início da revolução propriamente e durante a implementação deste calendário. 
O nome estava relacionado ao período da colheita, que se dá na Europa geralmente durante este mês. Claro que hoje em dia com a diversificação das culturas agrícolas se tem variadas colheitas em todas as épocas do ano, mas o nome aí faz muito mais uma referência à tradição. Ia dos dias 22 de Setembro a 21 de Outubro no calendário gregoriano. Não estou certo se há uma relação semântica com Vindemiatrix no nome dado ao mês, estrela da constelação de Virgem e presente hoje em dia aos 10° de Libra (na época estava por volta dos 06° de Libra). Não saberia precisar o que a moça da imagem carrega, mas a mim  lembra uma balança de pratos com algumas uvas recém colhidas. 
Brumário
Brumário ou mês das Brumas, das neblinas. E o nome se deve justamente ao fato de, neste período haver uma incidência maior de neblinas e nuvens baixas, típicas da aproximação do inverno naquela região do globo terrestre. Brumário tinha uma correspondência direta com o Signo de Escorpião. Na imagem vê-se nitidamente um escorpião no canto superior esquerdo. A mulher passa em meio a um campo de pastoreio, em uma paisagem sombria e nebulosa, carregando lenha em suas costas. É interessante que mesmo aqui no Brasil essa época do ano costuma ser úmida, mas não necessariamente chuvosa. Pra nós é a época do ano em que a temperatura começa a esquentar, com um tempo insuportavelmente abafado que vai se estabelecendo. 
Este é sem dúvida o mês mais famoso do calendário revolucionário, porque em 18 de Brumário de 1799 ocorreu o golpe de estado na França que colocaria Napoleão Bonaparte no poder. O Golpe ficou conhecido como golpe de 18 de Brumário. Essa data marca o fim do período revolucionário e o início da regência de Napoleão, que por curiosidade, tinha Ascendente em Escorpião. Brumário cobre o período de Sol em escorpião, entre 22 de Outubro e 20 de novembro.   
Frimário
Frimário é o mês em que geralmente o frio oriundo da Sibéria, da Islândia e do Ártico consegue penetrar a Europa ocidental. É quando o inverno vai se estabelecendo com mais consistência. Às vezes neva, as vezes é apenas um tempo seco, mas a característica mais típica é o frio. Na imagem vemos uma arqueira, em alusão absoluta ao signo de Sagitário que rege este mês. Ao fundo se observam árvores já completamente sem folhas, enquanto que cães de caça acompanham a figura da arqueira-caçadora. Frimário vai de 21 de Novembro a 20 de dezembro no calendário gregoriano.   
Nivoso
Nivoso é o mês das nevascas, quando este fenômeno meteorológico é mais comum na Europa; Marca o início definitivo do Inverno Francês e está relacionado diretamente ao signo de Capricórnio. Diferente das outras imagens, a mulher agora está reclusa, num comportamento tipicamente invernal, conservador, de espera pela estação mais quente. Essa figura poderia ser também referência a Vesta, deusa grega que simbolizava a condição de servas domésticas das mulheres e que tinha uma forte relação com Capricórnio. Nivoso ia de 21 de dezembro a 19 de janeiro no calendário gregoriano.    
Em 1 de janeiro de 1806, ainda na primeira década do mês de Nivoso, Napoleão Bonaparte extinguiu o calendário revolucionário e reinstituiu o calendário gregoriano usado em França até hoje. O retorno à realidade não poderia se dar em nenhum outro momento a não ser em época de Sol em Capricórnio. O retorno definitivo a normalidade. Claro que a data foi escolhida para que a transição se desse de forma mais suave para todos.   
Pluvioso
Pluvioso é o mês das altas precipitações, que podem ser de neve mas que são mais frequentemente chuva, isso quando pensamos na realidade francesa, onde este calendário se centra. Mas é curioso que durante este mesmo período costuma chover bastante no Brasil, com frequentes tempestades de verão, apesar do calor. Está associado ao signo de Aquário, simbolizado por um homem que derrama as águas de um vaso. Na figura vemos uma mulher, com os cabelos molhados e que tenta se proteger de uma chuva que não está tão bem representada na imagem. 
Tem haver com o elemento do imprevisto, típico das chuvas que adoram aparecer pra molhar nossas programações e também típico do signo de Aquário. Pluvioso ia de 20 de janeiro a 18 de fevereiro no calendário atual.    
Ventoso
Ventoso, como o nome sugere, é o mês dos ventos; O nome do mês é uma referência aos ventos que vinham secar as poças deixadas pelas chuvas e neve do inverno. De fato, essa época do ano corresponde a um aumento não somente dos ventos, mas da incidência de furacões e tornados no mundo inteiro. Isso se observa principalmente quando o sol está entre Virgem e Libra, e também entre Peixes e Áries, e a França é um local onde a incidência de tornados é comum, assim como na região sul do Brasil. Na imagem vemos muitas alusões ao signo de Peixes, que é o signo do zodíaco por onde o sol transita nesta época. Vemos uma jovem carregando uma cesta repleta de peixes e uma vara de pescar. Ao fundo podemos ver um lago e vegetação pantanosa. 
   
Germinal
Germinal como o nome sugere está relacionado com o período da germinação e semeadura de certas culturas. Época de clima ameno, onde as plantas que tiveram suas folhas caídas no inverno voltam a vicejar. O capim volta a crescer e tudo o que é plantado cresce com vigor e fúria. Era a inauguração da Primavera francesa, correspondendo ao período de passagem do Sol pelo signo de Áries.  Na imagem temos dois pombos, culturalmente símbolos da paz, e aqui a paz retratada é a mesma firmada entre Deus e Noé quando no fim do dilúvio bíblico, após Noé lançar um pombo que lhe traz de volta uma rama de vegetação confirmando a existência de terra e o fim do dilúvio, Deus manda um arco-íris como promessa de que nunca mais voltaria a castigar a terra com tamanho dilúvio. A época de Áries é o fim da época de “dilúvios” e da estação de mais precipitações na França e vem daí o símbolo. A jovem, em posição tranquila e descontraída é totalmente iluminada pelos raios solares. Germinal ia de 21 de Março a 19 de Abril.    
Floreal
Floreal recebe este nome devido ao desabrochar das flores que colorem os campos ao longo deste período, ao menos na França. Floreal é o coração da primavera, época de voluptuosa fertilidade, e está relacionado ao signo de Touro. A imagem que representa este mês é a de uma Jovem cercada por vida, pela vegetação que viceja e por um vaso repleto de flores de diversos tipos. Ela mesma manuseia uma espécie de guirlanda de flores. Uma imagem venusiana por excelência. Floreal ia de 20 de Abril até 19 de maio no calendário gregoriano. 
Pradial
Pradial era um mês que marcava o fim das amenidades primaveris dando início ao período de calor que ia se estabelecendo com a aproximação do verão. Geralmente é uma época em que ciclos de trabalho e estudos vão se aproximando de um desfecho, com um ritmo frenético de corrida contra o tempo se estabelecendo no ar Europeu. Está diretamente relacionado a passagem do Sol pelo signo de Gêmeos. O nome é uma referência as pradarias francesas que atingem o máximo de vida e fertilidade neste período, com o capim completamente crescido, as árvores completamente recuperadas do inverno e os insetos e pássaros abundando em todas as direções.  Ia de 20 de maio a 18 de junho.   
Messidor
Esse é o mês que marca o início do verão na Europa, marcando também o início da estação das férias. É quando o calor se estabelece de forma mais consistente, e quando os frutos de diversas culturas agrícolas começam lentamente a brotar, ainda verdes e mirrados. São embriões, é como se a natureza estivesse grávida. essa época corresponde a passagem do sol pelo signo de Câncer. Vemos na imagem uma donzela descansando preguiçosamente (a preguiça é uma das características mais fortes resultantes do calor) sobre uma lavoura que ainda cresce e amadurece. Fertilidade cerca essa figura por todos os lados, mas vemos ali uma foice de prontidão. Despreocupadamente ela deixa a mostra seus volumosos seios, órgãos regidos pelo signo de Câncer. Messidor ia de 19 de junho a 18 de julho.     
No dia 26 de Messidor era comemorado o dia da Revolução, em referência a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789. 
Termidor
Termidor corresponde a época mais quente e ensolarada do ano na realidade francesa, é o coração do verão, quando o calor é tão intenso que restam poucas alternativas a não ser tentar se refrescar. E essa imagem retrata exatamente isso, uma jovem se banhando em uma fonte, tentando diminuir o calor que está sentindo. Ao lado dela um cisne, a ave considerada como a rainha dentre as aves. Acima vemos um golfinho, representação da realeza francesa (Delfin), e um leão no canto superior esquerdo.  Esse mês corresponde justamente ao signo de Leão, cujo regente é o próprio Sol, o senhor do Verão. Termidor ia de 19 de julho a 17 de Agosto.   
Frutidor
Este era o último mês do calendário revolucionário francês, correspondendo a passagem do sol por Virgem. O nome é uma referência aos frutos de diversas culturas agrícolas, que nesta época atingiam o ápice da maturidade e estavam prontos pra ser colhidos. Era a inauguração das colheitas, que se estendiam até Vindemiário. Ia de 18 de Agosto a 16 de setembro no calendário atual. Este é o momento do ano em que se iniciam as preparações para o reinício do ciclo até hoje na Europa, quando o calor vai diminuindo e Outono se aproximando. 
O espaço de tempo que ia de 17 de setembro 21 de setembro era usado para comemorações, com cada dia correspondendo a uma das virtudes da revolução. Este calendário vigorou entre 22  de setembro de 1792 e 31 de janeiro de 1805.   

Marte em Sagitário ♐

Marte está passando pelo signo de Sagitário, signo de fogo que concorda com sua natureza quente e seca, mas ainda assim Marte não possui dignidades neste signo. O único signo de fogo onde Marte tem dignidade é Áries, seu domicílio diurno e menos forte por não haver a triplicidade, coisa que ocorre em Escorpião e Capricórnio, outro domicílio e exaltação respectivamente. Pra quem está acostumado com a Astrologia Moderna é estranho que um planeta de fogo seja considerado fraco em signos de fogo. Mas é que Marte é um planeta maléfico, no sentido de representar certos aspectos da vida que são considerados mais sofridos ou penosos. Marte rege todos os esforços, a força de trabalho, força braçal, e não as recompensas advindas dessas coisas. Rege a violência, o crime, a guerra e o ódio. É aquilo que existe em nós que nos ajuda em momentos de crise, quando precisamos escapar do perigo, aguentar situações difíceis e resolver problemas. Ele sempre estará associado a dor. Por todos esses motivos, é muito melhor quando marte aparece equilibrado por um signo feminino. É bem isso: Marte simboliza tudo de horrível que existe no universo masculino, e funciona melhor justamente quando em signos femininos. Óbvio que isso pode ter vários desdobramentos e manifestações, mas a base é essa. Então Marte em Sagitário está peregrino e isso basicamente indica um marte fora do controle.

A energia marciana acaba sendo mal empregada em sagitário, porque neste signo marte acaba obedecendo a impulsos, se deixando contaminar pela empolgação ou pelo fanatismo com muita facilidade. Sendo assim, a disciplina para o trabalho pode ser prejudicada porque as energias da pessoa são muito facilmente direcionadas em  objetivos destrutivos ou que dão pouco ou nenhum retorno. Não se trata por exemplo, de um marte preguiçoso, ao contrário. O que acontece é que existe muita energia, mas muita dificuldade para controlar e manejar essa energia. É como um carro hiper-veloz, nas mãos de um barbeiro. Ele pode ir muito rápido, mas acaba precisando contar muito com a sorte, porque a irrestrição sagitariana dificulta na hora de se obedecer regras básicas. Quem nasce com este posicionamento tem que constantemente exercitar a paciência e a disciplina, e cuidar com a tendência a se inflamar muito facilmente contra os outros, assumindo posturas fanáticas, proferindo críticas ou lições de moral as vezes em situações em que não tem domínio nenhum sobre o que está sendo discutido.

Numa época de Marte em Sagitário acaba sendo muito fácil, pra todos nós, entrarmos na ilusão de que podemos fazer tudo, de que podemos ser e fazer qualquer coisas, bastando unicamente a vontade pra isso. Sem disciplina e compreensão do que está acontecendo a energia marciana facilmente perde os freios e acaba sendo desastrosamente empregada e colocando as pessoas em situações ridículas, onde sua temeridade é denunciada, ou mesmo em situações de risco, por pura irresponsabilidade. O problema deste Marte  é o de nos levar a avançar muito rápido e tentar aprender as coisas na tentativa e erro. As vezes damos sorte, mas essa nem sempre nos acompanha. Nessa época portanto esforce-se em cultivar a disciplina e manter aceso o foco. Siga os protocolos, não tente dar um passo maior do que a sua perna, porque o risco de tropeçar e cair é alto.

Marte entrou em Sagitário: 07/10/2012  00:21 (fuso -3)

Marte deixa Sagitário para ingressar em Capricórnio: 17/11/2012 00:36 (fuso -2)

Vênus em Virgem ♍

Vênus está em Virgem, signo onde está localizada sua queda. Vênus se sente muito desconfortável neste signo, apesar de ter triplicidade nele. Isso se reflete na manifestação mais básica dessa Vênus: Geralmente indica beleza e pessoas atraentes (triplicidade) mas indica uma dificuldade muito grande em atingir o prazer, porque a pessoa acaba estipulando regras ou desenvolvendo gostos muito específicos que se tornam difíceis, as vezes quase impossíveis de atender. Não existe incapacidade de viver o prazer: é que o indivíduo recusa o prazer vulgar, o prazer que ele almeja é muito particular, ou está num patamar de excelência altíssimo, mais difícil de se alcançar do que o corriqueiro. Como é uma Vênus racional, que não se permite iludir ou manipular, também é muito difícil de se deixar seduzir. Essa é a Vênus do requinte e do bom gosto, é a Vênus pura e limpa e que não admite profanações em seus objetos de prazer.

Vênus em queda como um período de tempo prejudica a formação de novos romances, mas não os impossibilita. Mas é possível que o que começar num período como este já inicie envolto a muitos obstáculos desnecessários. Relacionamentos em curso podem resfriar, e uma tendência geral a crítica no meio social cria mal-estar que pode levar a distanciamentos. As vezes o foco exagerado numa determinada característica faz com que as experiências sejam muito mal aproveitadas em épocas de Vênus em Virgem. É como quando pagamos pra ir a um festival com o objetivo de prestigiar a um único artista, todo o resto acaba não sendo bem aproveitado porque está mentalmente estipulado que o gozo só é atingido quando aquele artista entrar em palco.      

Num período como esse, higiene, asseio e bons modos falam mais alto do que o carisma, a sensualidade ou mesmo a personalidade de alguém. A beleza é julgada não pelo que existe, mas pela forma como ela é lapidada e maquiada. Há pouco espaço para o que entendemos como “beleza natural”: Se o outro não se incomodou de trabalhar sua aparência, é porque muito provavelmente ele pouco se importa comigo – esse acaba sendo um raciocínio frequente nessas épocas.  A forma tem que estar bem trabalhada, e através da higiene e do asseio se estabelece um código de respeito mútuo entre as pessoas. Geralmente quem nasce com este posicionamento pode facilmente ser levado a colocar como requisito para as suas relações a questão da forma material, antes mesmo de investigar as reais afinidades ou o caráter de seus pares.

Vênus entrou em Virgem: 03/10/2012 as 03:59 (fuso +3)
Vênus deixa Virgem pra ingressar em Libra: 28/10/2012 11:04 (fuso +2)

Na verdade a Vênus já está no fim de Virgem e nem valeria tanto a pena um post “preventivo” sobre o momento. Esse Post vai mais para aqueles que acompanham o blog desde que comecei a postar textos sobre as mudanças de signos, já que este é o penúltimo signo de Vênus que faltou pra mim escrever. O último inédito é o texto sobre a Vênus em Libra.

Saturno em Escorpião ♏

A algumas semanas aconteceu uma importante mudança no céu. O
planeta Saturno deixou o signo de Libra, por onde permaneceu por quase 3 anos,
desde o final de 2009, e ingressou no signo de Escorpião, e hoje está formando
pela primeira vez uma conjunção com o Sol após seu ingresso, aos 02° de
Escorpião. Saturno é um dos planetas mais importantes a se analisar quando se
deseja perceber as qualidades de um período de tempo, porque ele representa uma
espécie de consciência coletiva relacionada a normas momentâneas, relacionadas
a cada signo por onde Saturno vai passando. É como se fosse mais sensato,
normal e coerente agir de acordo com aquilo que Saturno sugere em cada época. É
como se Saturno tocasse uma música com coreografia pré-definida. Não somos
obrigados a seguir essa coreografia a risca, mas quem resolve contrariá-la
sofre as consequências. 
A ação saturnina tem mais peso sobre os mais jovens. Na
medida em que os anos vão passando todos vão compreendendo melhor o fluxo do
tempo e vão se adequando as diferentes nuances de cada época. Os jovens ainda
estão aprendendo, estão conhecendo o tempo e cada passagem de saturno pra eles
é inédita. Assim os erros são invariavelmente mais frequentes. Cada ano a mais,
é um aprendizado a mais, e assim, depois de determinada soma de anos (que varia
muito de pessoa pra pessoa)  a maturidade
ajuda a evitar a grande maioria dos erros. Aos 29 anos de idade  o ser humano já passou por todas as
experiências possíveis e imagináveis simbolizadas por saturno, e nas próximas
provavelmente estará muito melhor preparado pra lidar com a situação. Diferente
por exemplo de Urano, Netuno e Plutão cuja ação jamais é dominável no espaço de
tempo de uma vida humana média.
O trânsito recente por Libra:


Enquanto Saturno passou por Libra ele certamente gerou
muitos impasses, tornou as decisões mais difíceis e fez com que o buscar apoio
nos outros se tornasse um movimento óbvio. Em Libra todos se escoram uns nos
outros, as decisões precisam ser pesquisadas ou tomadas em conjunto e existe
muito medo relacionado ao julgamento alheio. Um medo silencioso, que ninguém
confessa. A compulsão por se comprometer com o outro apenas para agrada-lo (sem
que aja necessariamente qualquer forma de intenção ou sentimento verdadeiro)
pode ter sido um problema. Podemos ter assumido posturas e opiniões que não eram
nossas em prol de grupos, relacionamentos frágeis, superficiais e falsos, em
nome exclusivamente das aparências.
Todos querem parecer “integrados”  numa época libriana, ser uma voz que destoa na
multidão causa medo e acaba sendo evitado pelos “sensatos”. Mas ao mesmo tempo,
durante essa passagem específica Júpiter e Urano formaram oposição com Saturno,
então muitos viveram o dilema e o conflito de se assumir como único numa época
em que todos são tão cópias mal feitas uns dos outros.

O lado bom de Libra certamente foi a supervalorização do bom
senso e do intelecto. Também o elemento gregário  de libra, que ajuda e facilita na aproximação
entre as pessoas. Foi uma época de harmonia, ou ao menos de busca constante por
essa, onde a maioria buscava evitar o confronto e tolerava até mesmo o
intolerável na medida do possível, eventualmente na base do auto sacrifício
(Peixes e Libra não formam antiscion à toa). E foi uma época em que a beleza se
entronizou, porque libra aprecia sobretudo a boa aparência , a estrutura
impecável, simétrica e agradável, desprezando tudo o mais que esteja sob a
superfície das coisas. Pode não ser exatamente algo muito virtuoso, mas
certamente contribuiu para o embelezamento das pessoas e do mundo a sua
volta.       
Saturno em Escorpião


É necessário, agora que Saturno está em Escorpião, que
observemos com muita cautela em que áreas da nossa vida assumimos posturas,
opiniões e responsabilidades que não nos pertencem, que não tem relação com
nossa essência; É chegado o momento de cada um entrar em contato com a sua
verdade interior, e ser fiel a si mesmo. Cada elemento alienígena que agregamos
apenas para agradar aos outros, apenas para nos adequarmos ao momento, a
situação, deve ser impiedosamente eliminado, porque tudo o que contraria nossa
essência causa obstrução ao desenvolvimento da nossa verdade pessoal.  Devemos agora redirecionar nossa energia e
buscar somente as alianças que vão de encontro com o que somos, sem medo de
eventualmente soarmos antipáticos. Essa é portanto uma fase de depuração e de
despedidas, que podem ser libertadoras ou dolorosas, mas em todos os casos,
necessárias. E aqui não nos despedimos somente de relacionamentos ruins, mas de
todo e qualquer elemento da nossa vida que gera obstrução ao nosso
desenvolvimento como ser humano, ao nosso progresso como indivíduos, seja isso
em nível material, coletivo, emocional ou mesmo espiritual.
Escorpião rege um estágio no desenvolvimento coletivo que
simboliza a necessidade de eliminação de todos os elementos parasitários que
eventualmente se agregam a nossa existência enquanto vamos passando pela vida.
Esses elementos podem ser relacionamentos que causam atrasos, hábitos ruins e
autodestrutivos, apegos doentios ou convicções negativas e destrutivas. Cada um
desses elementos age como uma erva daninha, definhando nosso ser e impedindo
que cheguemos ao estágio da expansão dos limites, representado em Sagitário. Em
libra vivemos o necessário estágio das trocas, dos relacionamentos e das
comparações, e é onde temos a oportunidade de enriquecer nossa bagagem através
do aprendizado direto com o outro. Mas é também neste estágio em que mais nos
expomos as entidades, energias, coisas e situações daninhas, que eventualmente
se agregam a nossa vida, misturadas a tudo de bom que coletamos de toda a
mistura coletiva proporcionada por libra.
Em escorpião precisamos reconhecer aquilo que permitimos que
se alojasse em nosso interior em um momento em que não tivemos tempo de
analisar se aquilo que absorvemos era realmente bom ou não.  A torrente de informações que acabamos
absorvendo em épocas marcadas pelo elemento ar frequentemente só tem a
oportunidade de ser depurada em épocas do elemento água. Temos então que
interceptar o que faz mal, e no processo tomar muito cuidado pra não jogar fora
o bebê junto com a água da bacia. O Radicalismo escorpiano pode nos levar a
eliminar tudo, sendo que o correto aqui é a depuração, não as amputações
indiscriminadas. O processo em todos os casos em que for necessário, tem que
ser feito com calma e consciência. O que adquirimos em determinado momento,
seja em termos de relacionamento, conquista material ou o que for, pode nunca mais
estar disponível novamente, e se vamos realmente eliminar algo temos de estar
completamente cientes do potencial destrutivo que tal coisa possa ter em nosso
desenvolvimento depois.
Numa época de Saturno em Escorpião, a tendência é que os
ânimos se acirrem, porque este signo tende a inclinar sempre a posições mais
radicais (aliás, como qualquer signo fixo, incluindo aí o “libertário” Aquário).
É aquela coisa de reconhecer e identificar a própria essência – feito isso,
corre-se o risco de se mergulhar em uma espiral de obsessões e radicalismo, o
que é perigoso e nem um pouco bem-vindo devido ao potencial destrutivo desse
tipo de comportamento.    
Outro aspecto de Escorpião, é que como qualquer signo
negativo (feminino), existe uma tendência maior ao conservadorismo, que no caso
de Escorpião vai se manifestar em diversas formas de comportamentos defensivos.
Começa pela singela desconfiança mas corre-se o risco nessas épocas de se mergulhar
em verdadeiras paranoias. A polícia, bombeiros e forças armadas em geral são
regidos pelo signo de Escorpião. Diferente de Áries, a outra manifestação de
Marte, onde “a melhor defesa é um bom ataque”, em Escorpião se enxerga que uma
defesa rígida, robusta e bem feita pode excluir a necessidade de qualquer
ataque, intervenção ou reação. É um signo que atua de forma muito preventiva,
onde o exagero nas defesas pode causar vários problemas, porque isso impede a
possibilidade de exploração do novo. Uma época escorpiana pode diminuir
drasticamente as possibilidades de inovação e experimentação. Não se deseja
pagar para ver, e arriscar com o novo: A ordem do dia e voltar-se pro que já se
tem e promover a reforma, a depuração, purificação e melhoria daquilo.    
Os relacionamentos de modo geral adquirem um caráter
relativamente mais denso se comparado com o que ocorria nos últimos anos,
principalmente enquanto Saturno transitava por Libra; O radicalismo pode se
vestir de intolerância e sua faceta mais destrutiva pode se manifestar através
de tensão dentro daqueles relacionamentos que são mais frágeis. Na verdade, o
que vai ficar claro é que relacionamentos com pessoas que nada tem a
acrescentar em nossa vida, e que nada tem em comum conosco não tem espaço pra
continuar existindo em uma época de Escorpião. Mas se as circunstâncias da vida
obrigarem ao convívio com pessoas que nitidamente nada tem a nos acrescentar e
que nada tem a ver conosco, a coisa pode ficar bastante tensa; É necessário o
cuidado pra não se invadir a privacidade do outro, pecado mortal em uma época
regida pelo Escorpião. E principalmente, cultivar o respeito pelo outro, que
não deve ser abandonado apesar das eventuais diferenças.
Relacionamentos românticos também se intensificam nessa
época, Escorpião é o signo que simboliza a intimidade, é o signo que vai aos
patamares mais profundos das relações humanas onde o amor e o ódio se confundem.
E em nenhuma época esses dois polos sentimentais tem maior potencial de se
inverter subitamente. Escorpião não exerce tanto  a sua faceta possessiva no âmbito material
como o seu oposto, Touro: A possessividade em Escorpião é mais largamente
aplicada no âmbito dos relacionamentos. Materialmente, escorpião é o signo da
partilha. Mas emocionalmente esse signo tem tanto ou mais dificuldade de abrir
mão das coisas do que o seu oposto. Sendo assim, numa época de escorpião o ciúme
e o sentimento de posse são pragas que assolarão as relações, desde as amizades
e relações familiares, mas principalmente os relacionamentos românticos. Somada
a tendência natural de escorpião para a desconfiança eis a receita para o
inferno dentro de qualquer relacionamento íntimo. Então é necessário que se
fique atento a essa tendência que pode se fortalecer nos próximos meses, porque
como neste caso temos Saturno passando por Escorpião, exibições incontidas de
insegurança dentro dos seus relacionamentos afetivos podem ser punidas com
cortes prematuros. A ideia aqui é reestruturar a intimidade, e onde os
sentimentos estagnados surgirem certamente a foice saturnina irá cantar, sem
piedade.
Mas a ideia de amor verdadeiro, amor visceral, amor pra vida
inteira, enfim, esse tipo de ideia tem mais chance de florescer agora.
Escorpião preside as grandes alianças, inclusive as românticas, os casamentos
que são pra vida inteira e contem sentimentos verdadeiros. Mas preside igualmente
ódios que não abrem espaço para o perdão, inimizades mortais e aparentemente
inconciliáveis. Esses dois tipos de relação tem mais chance de brotarem agora
do que em outras circunstâncias celestes. Certamente muitas relações desse tipo
surgiram entre os anos de 1984 e 1995 (não que não tenha surgido também em
outros momentos) quando Plutão passou por escorpião, mas como é a primeira vez
que saturno vai passar por Escorpião desde 1985, ativando pela primeira vez o
trânsito de Plutão realizado em alguns casos a mais de 20 anos atrás, tem muita
coisa dessa época que talvez venha a tona justamente agora ou nos próximos
meses. Amores que não terminaram bem mas que deixaram marcas e que são
cultivados até hoje precisam de reestruturação, reestruturação interna,
sentimental. Eventualmente você pode ter vivido uma história de amor linda
nessa época, intensa, como nenhuma outra. Mas talvez essa história possa ter
sido interrompida de forma brusca (no maior estilo plutoniano) e talvez você esteja
preso até hoje a sentimentos antigos. Mesmo que o seu problema (deste nível)
tenha surgido em alguma outra época, é agora, com saturno em Escorpião que você
vai finalmente ter a chance de passar a limpo o seu emocional. O mesmo vale
para as inimizades e as mágoas antigas, quer tenham surgido nessa época que eu
citei ou em outros momentos. É o momento de revisar essas coisas e quem sabe
entrar em acordo com o passado, ou colocar, finalmente, uma pedra sobre ele.          
Não foi a toa que mencionei Plutão, como muitos de vocês
sabem Plutão e Escorpião tem uma relação especial, e esse é o signo que tem
mais relação com a natureza com este longínquo planeta. Pra quem não sabe, a
ultima conjunção entre Saturno e Plutão ocorreu justamente com Plutão na
transição entre Libra e Escorpião, bem no final de Libra; Logo em seguida
Plutão entrou em Escorpião, e esse signo não recebeu a visita de Saturno desde
então (apesar de Plutão ter entrado em Escorpião depois que Saturno já estava no
meio do mesmo signo, no fim de 1983. E as vezes a passagem de Saturno pelo
ângulo em que se encontrava Plutão em um trânsito antigo tem o efeito de
verdadeiro fechamento para a situação iniciada naquela época. É por isso que
mencionei situações (principalmente de natureza emocional) que tenham se iniciado
durante o trânsito de Plutão em Escorpião. Saturno estará revivendo aquele
momento em particular que foi de 1984 a 1995.
Além disso, vale levarmos em consideração a relação atual
entre Saturno e Plutão. Neste momento, ambos estão formando aquilo que alguns
astrólogos chamam de “recepção mútua”. Aqui vale uma correção: Plutão não rege
Escorpião. Urano, Netuno e Plutão não regem nenhum signo. No máximo, podemos
dizer que eles tem íntima associação com certos signos e elementos, mas eles
não substituem os regentes tradicionais. Mas, como Plutão atualmente transita
um signo de Saturno, e Saturno transita o signo que mais relação tem com
Plutão, fica impossível discordar da particularidade deste momento. Aliás,
todas as passagens de Saturno daqui pra frente, ao longo desta década terão uma
forte relação com Plutão. Se neste momento acontece uma recepção mútua manca, Saturno
em Sagitário estará no antíscion de Plutão em Capricórnio, e Saturno em
Capricórnio, bem, estará em Capricórnio. Em conjunção, e nada é mais importante
do que esse singelo aspecto, porque é ele quem realmente começa e termina os
ciclos.      
Mas desta atual relação entre Plutão em Capricórnio e
Saturno em Escorpião podemos tirar uma ideia de harmonização, processos que
costumeiramente são mais sofridos (as famosas “grandes transformações” de
Plutão) recebem o apoio disciplinador de Saturno que passa pelo signo que
melhor entende de crises e transformações; Assim as coisas são encaradas com
mais determinação e firmeza, ninguém pestaneja mais quando diante de um
problema e os males assim vão sendo todos cortados pela raiz. Enquanto existia
aversão às transformações enquanto saturno passava por Libra, já que a imagem
de uma ferida aberta não é, nem de longe, uma das visões mais belas que
existem, agora com Saturno em Escorpião não observaremos esse tipo de “frescura”.
Não precisamos mais esconder, envergonhados, as nossas feridas: temos que, isso
sim, expô-las e buscar ajuda pra curá-las de forma definitiva. E isso não é tão
difícil de se conseguir numa época de Saturno em Escorpião. Basta se despir das
vergonhas, do medo do julgamento alheio, e óbvio, procurar diretamente aqueles
que podem nos ajudar.  
Efemérides de Saturno em Escorpião


Saturno ingressou em Escorpião no dia  5 de Outubro de 2012 as 17:34
No dia 25 de Outubro de 2012, às 6:31 (horário de verão),
Sol e Saturno formam a primeira conjunção exata, aos 02°20’ de Escorpião.
No dia 18 de fevereiro de 2013, as 14:03, Saturno estaciona
aos 11°31’ de Escorpião e entra em movimento retrógrado.  
No dia 8 de Julho de 2013, as 2:12, Saturno estaciona aos
04°49’ de Escorpião e entra novamente em movimento direto.
No dia 6 de Novembro de 2013, as 10:01(horário de verão),
Saturno forma conjunção com o Sol novamente, dessa vez aos 14°14’ de Escorpião,
bem no meio do signo.
No dia 2 de Março de 2014, as 13:19, Saturno estaciona aos
23°19’ de Escorpião pra entrar novamente em movimento retrógrado.
No dia 20 de julho de 2014, as 17:35, saturno estaciona aos
16°38’ de Escorpião pra voltar ao movimento direto.
No dia 18 de Novembro de 2014, as 6:50 (horário de verão)
ocorre a última conjunção de Saturno com o Sol neste signo, aos 25°55’ de
Escorpião.
No dia 23 de dezembro de 2014, as 14:34 (horário de verão)
Saturno deixa o signo de Escorpião e ingressa pela primeira vez em Sagitário.
No dia 14 de Março de 2015, as 12:03, saturno estaciona aos
04°55’ de Sagitário, e entra em movimento retrógrado em direção novamente a
Escorpião.
No dia 14 de junho de 2015, as 21:36, Saturno ainda
retrógrado deixa Sagitário e retorna para Escorpião.
No dia 2 de Agosto de 2015, as 2:53, Saturno estaciona aos
28°16’ de Escorpião e retoma o movimento direto.
No dia 17 de setembro de 2015, as 23:49, Saturno deixa
definitivamente o signo de Escorpião pra ingressar em Sagitário.
Nota: A informação referente ao estacionamento do planeta Saturno
na verdade se refere ao tempo médio, porque não tem como determinar um momento
preciso em que o estacionamento começa. Sendo assim, se considera o planeta
estacionário 24 horas antes e 24 horas depois do momento informado. O
estacionamento e a conjunção com o Sol são os momentos mais críticos do
trânsito de Saturno.