As conjunções entre júpiter e Saturno nos signos de Água

Nem Saturno e nem Júpiter regem a triplicidade da água, mas este último tem em signos de água tanto seu domicílio noturno quanto sua exaltação. Então essa é uma fase mais jupteriana. O significado principal dessas épocas é o da dissolução e da fartura. O fim dos apegos e uma tendência vertiginosamente expansiva que culminará ainda nas conjunções de fogo.
04° Escorpião
04° Câncer
20° Aquário
08° Escorpião
16° Câncer
dec 146 ac
15° Câncer R
mai 145 ac
12° Câncer
01° Peixes
19° Escorpião
25° Câncer
08° Peixes
24° Escorpião
03° Leão
20°Peixes
out 7 ac
17° Peixes R
dez 7 ac
15° Peixes
04° Sagitário
16° Leão
28° Peixes
Esta fase marca o início da expansão dos Romanos e o auge do período republicano, o surgimento dos césares e a expansão em direção a Ásia e o fim definitivo dos impérios mesopotâmicos da antiguidade.
ago 571
03° Escorpião
jul 590
02° Câncer
abr 510
24° Aquário
nov 630
13° Escorpião
jun 650
10° Câncer
jan 670
29° Aquário
set 690
18° Escorpião
set 709
22° Câncer
fev 710
19° Câncer R
mar 710
18° Câncer
abr 729
10° Peixes
dez 749
28° Escorpião
jul 769
00° Leão
fev 789
16° Peixes
out 809
03° Sagitário
jun 829
08° Leão
mai 848
28° Peixes
Este período marca o início da expansão dos Mouros, a fundação de Bagdá, o surgimento do Islamismo bem como o estabelecimento do feudalismo como nova realidade na Europa. O cristianismo por sua vez se prolifera e transforma-se no novo paradigma do continente europeu.
dez 1305
00° Escorpião
abr 1306
28° Libra R
jul 1306
26° Libra
jun 1325
17° Gêmeos
mar 1345
19° Aquário
out 1365
07° Escorpião
abr 1385
25° Gêmeos
jan 1405
23° Aquário
fev 1425
17° Escorpião
mar 1425
16° Escorpião R
ago 1425
12° Escorpião
jul 1444
08° Câncer
abr 1464
04° Peixes
nov 1484
23° Escorpião
mai 1504
16° Câncer
jan 1524
09° Peixes
set 1544
28° Escorpião
ago 1563
29° Câncer
mai 1583
20° Peixes
dez 1603
08° Sagitário
jul 1623
06° Leão
fev 1643
25° Peixes
Este é o período do renascimento da Europa, marcado pela renovação na economia, agora pautada mais no comércio e na expansão marítima. O renascimento cultural e científico marcam o sentimento de florescimento e abundância dessa época. Após as crises do século 14, depois de tantas mortes os salários aumentaram, os preços das coisas diminuíram e já não havia mais distinção entre pobres e ricos, porque os senhores feudais faliam sem servos pra cuidar de suas produções e os sobreviventes poderiam escolher a dedo quem lhes pagasse mais. Essa foi também a época das reformas religiosas e a queda do império bizantino.  

As conjunções entre Júpiter e Saturno em Signos de Ar

Aqui ambos estão fortificados, mas Saturno se sobressai porque em nenhum elemento este planeta tem mais poder. Normalmente aqui assistimos o auge e a queda das dinastias, impérios e culturas dominantes. É um momento de renovação, onde a liberdade do pensamento contesta os paradigmas vigentes de forma ousada e destrutiva. A própria vida ou natureza (enfim) parece conspirar para a derrocada daquilo que estava estabelecido, por maior que seja o império ou sistema vigente. Vejamos como foram as épocas marcadas por essas conjunções.
nov 332
05° Libra
abr 333
02° Libra R
jun 333
00° Libra
mai 352
20° Touro
mar 372
24° Capricórnio
out 392
11° Libra
ago 411
04° Gêmeos
nov 411
02° Gêmeos R
mar 412
29° Touro
dec 431
28° Capricórnio
jan 452
22° Libra
mar 452
21° Libra R
ago 452
17° Libra
jun 471
12° Gêmeos
mar 491
09° Aquário
out 511
28° Libra
abr 531
20° Gêmeos
jan 551
14° Aquário
ago 571
03° Escorpião
jul 590
02° Câncer
abr 510
24° Aquário
nov 630
13° Escorpião
jun 650
10° Câncer
jan 670
29° Aquário
As faixas cinzas mostram os momentos de transição entre  elementos. Na transição entre o elemento terra e ar deste período o Império Romano chegou ao seu ápice, ostentando uma população gigantesca para os padrões da época sendo então dividido, o que marcou o início da sua corrupção. Entre 452 e 551 o período foi marcado somente pelas conjunções em Ar. Aqui sucessivas invasões Bárbaras foram responsáveis pelo fim definitivo do império Romano que falia e caía sobre si mesmo. A primeira grande pandemia de peste negra ocorreu neste período a partir do ano de 541 estendendo-se por décadas; ¼ da população do oriente médio foi ceifada, e até o fim da pandemia no fim do século VI estima-se que 60 % da população atingida (toda a área que compreendia o Império Romano incluindo Oriente Médio) tenha morrido, algo em torno de 100 milhões de pessoas.  O que esta pandemia fez foi eliminar todos os resquícios humanos  da antiga realidade. Os sobreviventes, acuados, migraram para o interior, dando início ao feudalismo na Europa, na época da transição entre ar e água.
nov 1186
12° Libra
abr 1206
24° Touro
mar 1226
02° Aquário
set 1246
19° Libra
jul 1265
09° Gêmeos
dez 1285
08° Aquário
dez 1305
00° Escorpião
abr 1306
28° Libra R
jul 1306
26° Libra
jun 1325
17° Gêmeos
mar 1345
19° Aquário
out 1365
07° Escorpião
abr 1385
25° Gêmeos
jan 1405
23° Aquário
Chegamos aqui ao período histórico conhecido como “Baixa Idade Média”, ao mesmo tempo o auge da era medieval e também a sua ruína. Vemos aqui o processo de substituição do feudalismo pelo combo Monarquia + burguesia, processo que se evidencia na época das conjunções em água. As cruzadas marcaram a primeira parte deste período, abrindo as portas da Europa que desde a queda do Império Romano encontrava-se isolada do oriente, o que fez renascer o comércio e ao mesmo tempo trouxe a ruína para a Europa sob a forma de uma nova pandemia de peste negra. O mundo Árabe via-se cercado por um lado pela bizarra empreitada cristã (cruzadas), por outro pelas invasões de turcos e mongóis responsáveis primeiro pela queda de Bagdá em meados do século XIII e depois, já nas conjunções em água, com a queda de Constantinopla.  No século XIV, século da grande crise da era medieval, uma onda anormal de frio intenso e secas castigou a Europa prejudicando a produção de alimentos e trazendo consigo a fome. França e Inglaterra, monarquias emergentes desse período entram numa guerra que ficou conhecida como a guerra dos 100 anos e que durou até mais do que 100 anos. E a cereja no topo do bolo foi a pandemia de peste bubônica entre os anos de 1347-1351, precedida por uma belíssima conjunção entre Saturno e Júpiter aos 19° de Aquário no ano de 1345. Pelo menos um terço da população Européia pereceu somente durante essa primeira infecção, porque susequentemente vieram outras mais leves. Os números de outras regiões são incertos, mas estima-se que 2 terços da população da China tenha morrido entre as décadas de 30 e 50 do século XIV, e 1 quarto das populações africana e do oriente médio.    
Dez 1980
09° Libra
Mar 1981
08° Libra R
Jul 1981
04° Libra
Mai 2000
22° Touro
Dez 2020
00° Aquário
Out 2040
17° Libra
Abr 2060
00° Gêmeos
Mar 2080
11° Aquário
Set 2100
25° Libra
Chegamos finalmente aos dias atuais. O que será que nos aguarda? A partir de 2020 é que começaremos a fazer idéia do que pode acontecer. Quem sabe a exploração espacial evolua a ponto de nos fazer entrar em contato com coisas que preferiríamos não conhecer? Quem sabe a globalização mostre-se como um verdadeiro tiro no pé? Pelo que vimos, impérios caíram e populações foram ceifadas em nome da renovação. Será esse o destino que nos aguarda? De qualquer forma, os acontecimentos mais fortes tendem a ocorrer na época de transição entre ar e água, e isso ocorre somente no próximo século.  

As conjunções entre Júpiter e Saturno em signos de Terra

Nessas conjunções Saturno tem força total em detrimento de Júpiter. O movimento aqui não é de expansão, esta ocorreu ao longo das conjunções de fogo. Aqui o que ocorre é a estabilização do que foi iniciado na época precedente. Vejamos como foram as épocas marcadas por estas conjunções:
jul 154
03° Virgem
mai 173
20° Áries
nov 193
26° Sagitário
out 213
16° Virgem
mar 233
28° Áries
fev 253
07° Capricórnio
ago 273
23° Virgem
jun 292
12° Touro
dez 312
12° Capricórnio
nov 332
05° Libra
abr 333
02° Libra R
jun 333
00° Libra
mai 352
20° Touro
mar 372
24° Capricórnio
out 392
11° Libra
ago 411
04° Gêmeos
nov 411
02° Gêmeos R
mar 412
29° Touro
dec 431
28° Capricórnio
Este foi o momento do desenvolvimento do Império Romano até seu tamanho máximo. Com o edito de Milão o cristianismo passou a ser tolerado em solo romano e logo o império se dividiu em 2, o Império ocidental (cristão) e o império Oriental (Bizantino), mas já na época de uma conjunção Libriana, em Ar, no ano de 395. Na imagem, uma moeda cunhada na época do império Romano com o signo de capricórnio desenhado. 
nov 1007
13° Virgem
mar 1008
10° Virgem R
jun 1008
08° Virgem
abr 1027
25° Áries
nov 1047
05° Capricórnio
set 1067
21° Virgem
fev 1087
03° Touro
fev 1107
16° Capricórnio
ago 1127
29° Virgem
jun 1146
17° Touro
dez 1166
21° Capricórnio
nov 1186
12° Libra
abr 1206
24° Touro
Aqui vemos o apogeu da Idade Média e o ponto alto do feudalismo. Ao mesmo tempo é aqui que surge a burguesia e têm início as chamadas cruzadas que abrem caminho novamente para o comércio com o oriente. A Europa vive um momento de relativa prosperidade e estabilidade, talvez por isso tenham resolvido “procurar sarna pra se coçar” se metendo a besta com os árabes. As cruzadas foram um fracasso. 
jul 1802
05° Virgem
jun 1821
24° Áries
jan 1842
08° Capricórnio
out 1861
18° Virgem
abr 1881
01° touro
 nov 1901
14° Capricórnio
set 1921   
26° Virgem
ago 1940
14° Touro
out 1940
12° Touro R
fev 1941
09° Touro
fev 1961
25° Capricórnio
dez 1980
09° Libra
mar 1981
08° Libra R
jul 1981
04° Libra
mai 2000
22° Touro
Esse é o momento histórico conhecido como “Idade contemporânea” e vai até os dias de hoje. Depois do movimento expansionista das grandes descobertas (conjunções em água) e do movimento de conquista e colonização dos novos territórios (conjunções de fogo) inicia-se a fase de absorção, com as potências dominantes: Num primeiro momento Inglaterra, França e Alemanha e num segundo momento os Estados Unidos (até hoje na verdade) absorvendo sistematicamente os recursos do “novo mundo”, sobretudo da América do Sul e da África. O extrativismo, o comércio e a exploração dos mais fracos nunca foi tão massivo, talvez porque agora é o primeiro momento em que o mundo se vê em um contexto de globalização. A Roma atual fica na América do Norte e neste exato momento estamos no auge do império americano. O que vêm depois disso tende a ser muito mais interessante. 

As conjunções entre Júpiter e Saturno em signos de fogo

Júpiter tem força total durante estes períodos, que são marcados por um forte movimento de reorientação, como se algo muito importante fosse se iniciar e que marcará o ciclo maior até o seu fim. Aproveitando o movimento das conjunções anteriores em água, marcado pela dissolução de impérios e dinastias e pela fartura e expansão características de épocas tipicamente jupterianos, nas conjunções de fogo normalmente novos impérios despontam e ocorrem inícios extremamente importantes.
O início daquilo que em post anterior chamei de “Grande ano” se dá na primeira conjunção entre Júpiter e Saturno em Áries. Mas a “estação” marcada pelas conjunções em fogo nem sempre se inicia com uma conjunção em Áries. Quase sempre ocorrem conjunções em Sagitário e Leão seguidas por uma conjunção em Peixes, para que aja então nova conjunção em Sagitário, depois em leão e então em Áries. O motivo disso já expliquei também no meu primeiro post.
As épocas mais benéficas, teoricamente tendem a ser marcadas pelas conjunções em sagitário, quando ambos Júpiter e saturno estão fortificados.
Veja abaixo as conjunções que ocorreram em fogo nos últimos 2 milênios:
jun 26 ac
03° Leão
jun 7 ac
20°Peixes
out 7 ac
17° Peixes R
dez 7 ac
15° Peixes
dez 0014
04° Sagitário
out 0034
16° Leão
mar 0054
28° Peixes
out 0074
10° Sagitário
ago 0094
25° Leão
jan 114
06° Áries
jan 134
21° Sagitário
jul 154
03° Virgem
mai 173
20° Áries
nov 193
26° Sagitário
out 213
16° Virgem
mar 233
28° Áries
Este período foi marcado pelo estabelecimento do Império Romano logo após a queda do império Persa. Jesus Cristo também nascia nessa época, sob uma conjunção pisciana (muito provavelmente) e o cristianismo se desenvolveu ao longo dos anos subseqüentes. 
jul 769
00° Leão
fev 789
16° Peixes
out 809
03° Sagitário
jun 829
08° Leão
mai 848
28° Peixes
dez 868
13° Sagitário
set 888
21° Leão
mar 908
04° Áries
out 928
18° Sagitário
jul 948
29° Leão
jun 967
17° Áries
out 967
14° Áries R
jan 968
12° Áries
jan 988
29° Sagitário
nov 1007
13° Virgem
mar 1008
10° Virgem R
jun 1008
08° Virgem
abr 1027
25° Áries
Neste período o califado Árabe desponta como força dominante, as monarquias nacionais começam a se formar na Europa feudal e o período histórico conhecido como “Idade Média” tem seu verdadeiro início na realidade européia. Maomé surge neste período, o precursor do islamismo.
dez 1603
08° Sagitário
jul 1623
06° Leão
fev 1643
25° Peixes
out 1663
12° Sagitário
out 1682
19° Leão
fev 1683
16° Leão R
mai 1683
14° Leão
mai 1702
06° Áries
jan 1723
23° Sagitário
ago 1742
27° leão
mar 1762
12° Áries
nov 1782
28° Sagitário
jul 1802
05° Virgem
jun 1821
24° Áries
Este período é marcado pelo início da idade contemporânea, pelo absolutismo na Europa, pelo início do chamado imperialismo especialmente através da Inglaterra que desponta como potência e pela colonização das Américas, e principalmente pela independência dos Estados Unidos que é na verdade a grande potência do grande ano iniciado na conjunção ariana de 1702. Nenhum profeta surge neste período, mas vemos o surgimento da ciência através do Iluminismo que se transformará no novo paradigma que ditará a realidade em substituição do cristianismo, além da revolução Industrial e Burguesa. 

Conjunções Júpiter Saturno – parte 2 – a natureza essencial de Júpiter e Saturno

Pra entender como funcionam as conjunções entre Júpiter e Saturno em cada elemento, é importante primeiro entender como cada um desses planetas fica separadamente quando em cada elemento, e é o que veremos neste post.
JÚPITER
Tradicionalmente, Júpiter é um planeta quente e úmido, o único a ser desta natureza na verdade. Atualmente alguns autores entendem Júpiter como um planeta quente e seco, mas a secura nada tem haver com sua natureza essencial que é branda, moderada, “fácil”. O seco está ligado a tudo o que impõe resistência, que é duro ou que causa dor. É um planeta diurno, masculino, e apesar de reger noturnamente a sua triplicidade, ele rege uma triplicidade que é masculina por excelência, a do fogo.  
Júpiter rege noturnamente a triplicidade do Fogo, ou seja, os signos de Áries, Leão e Sagitário. Estes são signos secos, porém quentes como Júpiter. A secura moderada dos planetas de fogo confere um mínimo de estrutura a natureza amorfa de Júpiter, enquanto o calor do fogo aumenta seu potencial positivo e benevolente. A fé, a confiança, a coragem e a sorte estão associadas a Júpiter em signos de fogo. Então Júpiter está muito bem em signos de fogo, sobretudo em Sagitário, onde Júpiter tem seu júbilo. Em nenhum signo o potencial jupteriano é expresso de forma mais plena. 
Júpiter rege também a triplicidade participativa do elemento Ar, por afinidade essencial, sendo júpiter quente e úmido, e o ar quente e úmido, estando em signos de ar a natureza essencial de júpiter só tende a ser ampliada. Júpiter não é tão forte em signos de ar quanto o é em signos de fogo, porque nesses signos a natureza benevolente, doce e alegre de Júpiter fica exagerada. No elemento fogo a secura ajuda a “segurar” a expansão jupteriana, tornando ele mais firme, mas no ar não existe controle, a expansão é desenfreada, a alegria converte-se facilmente em deboche e escárnio, a benevolência se transforma numa permissividade exagerada, conta-se demais com a sorte e entrega-se a todo tipo de excesso. Em Libra e Aquário, signos que dão muito poder pra Saturno seja por exaltação, seja por domicílio, o exagero não é tão grande, mas em Gêmeos, signo onde Júpiter tem seu detrimento, o exagero e a permissividade levam a ruína. Júpiter em Gêmeos não é exatamente a pior posição pra Júpiter, mas neste signo sua natureza é tão exagerada que as conseqüências podem ser desastrosas. 
Nos signos de água, Júpiter encontra afinidade com a umidade deste elemento, mas sua natureza é limitada pela frieza da água, que diminui sua fé. O aspecto benevolente, libertário, que facilita as coisas é ampliado, mas a alegria, a fé e a coragem são comprometidas no elemento água. A exaltação de Júpiter é em Câncer, e Júpiter tem ainda domicílio noturno em Peixes. Somente em Escorpião júpiter não está tão bem. Em Câncer e em Peixes, o aspecto que fica mais evidente é o sentimento de proteção, a caridade, a compaixão. São signos de extrema fertilidade, sendo a água o elemento que melhor representa os aspectos orgânicos da natureza. Proliferação pode ser uma palavra chave pra júpiter nestes signos, sobretudo em Câncer. Consequentemente o sentimento de fartura e saciedade que advém disso é imenso. A generosidade é muito forte com júpiter no elemento água, especialmente quando ele está em Peixes.
No elemento Terra, que é frio e seco, a natureza de júpiter é sumariamente negada. O principio expansivo de Júpiter simplesmente não funciona quando ele está em signos de terra. O pessimismo e o medo, características advindas da melancolia típica da terra também não tem relação nenhuma com a natureza clemente e otimista de júpiter. Sendo este um planeta que representa coisas basicamente benéficas, é muito ruim quando ele se encontra assim constrangido. Júpiter tem sua queda no signo que simboliza o controle e a autoridade, capricórnio. A expansão e o crescimento, princípios fundamentais de júpiter, simplesmente não ocorrem quando ele está neste signo. Virgem, signo da frugalidade e da preocupação com minúcias também segura a natureza de Júpiter, especialmente por ser seu detrimento. O sentimento aqui é de escassez.  Em Touro, Júpiter não está tão ruim, especialmente entre os 14° e 20° onde Júpiter tem seus termos. 
SATURNO
A natureza de saturno é hostil a vida: O frio glacial e a secura extrema, a ausência absoluta das condições mínimas da existência da vida. Júpiter é o contrário, formado pela umidade e pelo calor (lua e sol), é o princípio do crescimento e expansão. Já Saturno é contração, limitação, diminuição. O frio está ligado a ausência de movimento, que no caso de saturno é levado aos extremos da paralisia. A secura é a resistência e a rigidez associadas a sua natureza. É um planeta masculino e diurno, não por suas características, mas porque quando ele está diurno, e em signos masculinos, sua natureza melancólica é abrandada. Noturno e em signos negativos converte-se no senhor do terror e da paralisia. 
Saturno rege diurnamente a triplicidade do Ar. Parece um paradoxo, um planeta cuja natureza essencial é justamente a da terra, reger uma triplicidade diametralmente oposta a sua própria natureza. Mas devemos lembrar que ele é o grande maléfico. Não é bom que sua natureza essencial seja estimulada, muito pelo contrário. Assim o ideal é vermos Saturno posicionado num signo quente e úmido, onde seu frio é diminuído e sua rigidez é abrandada. Assim ele funciona da melhor maneira possível, abordando os problemas que são inerentes a si mesmo de forma clara, inteligente, direta, sem se entregar ao terror. Em ar, Saturno fica mais ágil, mais humano, menos severo. Ele tem ainda domicílio em Aquário, signo do seu júbilo. Em nenhum signo Saturno tem mais poder, ele tem sua ação absolutamente otimizada, especialmente nos últimos graus de Aquário. Um outro signo onde Saturno tem muita força é Libra, onde se exalta. Nesses dois signos e também em Gêmeos o princípio da disciplina Saturnina coíbe a natureza por demais permissiva que é inerente ao ar, e ao mesmo tempo o ar humaniza a natureza monstruosa de Saturno.
Saturno é também regente da triplicidade participativa do fogo. Ter Saturno num signo de fogo não é exatamente a posição ideal porque o fogo carece de flexibilidade, fator essencial quando queremos lidar com problemas, mas é melhor do que quando ele está entregue ao frio do elemento terra e água. Em signos de fogo, que são quentes, o calor torna a ação saturnina mais vívida, a abordagem dos problemas inerentes a sua natureza é feita de forma mais otimista. O grande problema reside no reforço que o elemento fogo faz a natureza seca de Saturno, tornando-o excessivamente rígido, autoritário, tirânico e violento. Na verdade o único signo de fogo onde Saturno fica razoavelmente bem é Sagitário; nos demais ele tem algum tipo de debilidade. Em Áries, signo da queda de Saturno, que representa as iniciativas e os impulsos iniciais, a ação de saturno fica comprometida porque os assuntos que lhe são inerentes exigem tempo, paciência e disciplina e essas características são completamente perdidas quando Saturno está em Áries; Em Leão, detrimento saturnino, o autoritarismo extremo é o grande empecilho. Existe muito medo da derrota, do fracasso e uma postura extremamente teimosa, que leva facilmente a tirania e a ruína nos próprios projetos pela dificuldade em mudar naquilo que exige mais flexibilidade.
Quando está no elemento terra, A natureza de saturno está plenamente estimulada, o que não tende a ser algo bom. A rigidez, o pessimismo e as dificuldades crescem quando ele está posicionado especialmente nos signos de Virgem e Touro. Aí ele é considerado peregrino, já que sua natureza limitativa vem a tona com força total. Em Touro através de bloqueios e sanções, em virgem através da escassez. O que fica valorizado é a disciplina e a industriosidade que são típicas de Saturno, mas ao mesmo tempo o medo e a inação ficam muito elevados, exceto com Saturno em capricórnio, onde ele tem domicílio. Neste caso em particular Saturno assume o posto que lhe é mais natural, agindo como força que regula a ordem e impõe a disciplina como lei, apesar de mesmo assim as coisas não serem particularmente fáceis.
O pior elemento para Saturno é o elemento água. A água é fria, o que aumenta as naturais características saturninas que induzem ao pessimismo, a inação e ao medo. Ao mesmo tempo, neste caso em específico o amolecimento das estruturas promovidas pela umidade da água não é favorável, induzindo que o medo e o terror saturnino fujam ao controle. Isso se verifica sobretudo no signo de Câncer, onde Saturno tem detrimento, e com menor intensidade em Peixes e Escorpião.
  

As grandes conjunções entre Júpiter e Saturno

Na imagem o símbolo usado pelo Sopor Aeternus, conhecido como Symbol of Jusa, Ju-Sa, Jupiter-Saturn 
Os antigos davam uma importância imensa para as chamadas grandes conjunções, que eram as conjunções formadas pelos mais lentos dentre os planetas visíveis, Júpiter e Saturno. Até hoje nenhum ciclo é mais importante pra astrologia mundial do que o formado por estes dois planetas. O interessante neste ciclo está num padrão de repetições nos elementos dos signos onde ocorrem os encontros, tanto as conjunções quanto as oposições obedecem ao mesmo padrão elemental. Desde os persas, passando pela cultura helênica, árabe, e a medieval-renascentistas, os astrólogos previam a ascensão e o declínio dos seus impérios e dinastias baseados neste ciclo.
Durando aproximadamente 20 anos, um ciclo júpiter saturno sempre começa numa conjunção em determinado elemento, culmina numa oposição onde Saturno quase sempre está no mesmo elemento onde ocorreu a conjunção precedente, e termina numa conjunção, provavelmente no mesmo elemento. Assim o ciclo começa com a conjunção num determinado signo de alguma triplicidade. A oposição ocorrerá então com saturno no segundo signo desta triplicidade, e o fim do ciclo com a nova conjunção dando-se no terceiro signo da triplicidade quando então o ciclo se reinicia. Veja os exemplos abaixo:
Num momento “normal” (ou seja, enquanto não há uma transição de um elemento para o outro), a conjunção entre júpiter e Saturno ocorre em Janeiro de 1901 em 14° de Capricórnio. Entre 1910 e 1911 ocorre a oposição entre júpiter e saturno, com saturno em touro, o segundo signo da triplicidade de terra e Júpiter obviamente em Escorpião. Após 10 anos uma nova conjunção entre júpiter e saturno ocorre, em 1921 no Signo de Virgem, finalizando o ciclo iniciado pela conjunção de 1901 no terceiro signo da triplicidade de Capricórnio, e iniciando ali um novo ciclo.
Já a conjunção do ano 2000 ocorreu em 22° Touro, mas aqui estamos num momento “anormal”, de transição, particularmente na transição entre o elemento terra e o elemento ar. 10 anos depois, entre 2010 e 2011 vemos que a oposição entre Júpiter e saturno ocorre primeiro com Saturno em 27° Virgem, depois com saturno em 02° de libra e mais uma vez com Saturno em 14° Libra no início de 2011. Heliocentricamente, a oposição ocorre na verdade com Saturno em 12° Libra bem no início de 2011. Por fim, este atual ciclo que começou em terra fecha com uma conjunção em signo de ar, no ano de 2020, aos 00° de Aquário.  
 O diagrama mostra uma versão idealizada do ciclo de 800 anos entre Júpiter e Saturno como se ele fosse uniforme, coisa que veremos que ele não é. 
Nem toda conjunção entre júpiter e Saturno é importante. A mais importante é a que ocorre no primeiro decanato de Áries, sendo essa a conjunção que da reinicio ao grande ano formado pelo ciclo como um todo, que tem uma duração total de aproximadamente 800 anos. Neste grande ano temos algo que poderíamos chamar de “4 grandes estações”, que são quatro períodos de aproximadamente 200 anos onde as conjunções ocorrem quase sempre no mesmo elemento. Diferente do que faria supor a  lógica, o que dá a característica da “estação” não é propriamente o elemento onde ocorre a conjunção, mas sim o grau de poder que Júpiter e Saturno terão ao estarem conjuntos naquele elemento. Nas estações marcadas pelos elementos fogo e ar, ambos Júpiter e saturno tem poder, mas um deles acaba se sobressaindo mais, júpiter durante as conjunções de fogo e saturno nas conjunções de ar. Nas estações marcadas pelos elementos terra e água, ambos júpiter e saturno não tem força, mas como júpiter fica especialmente afligido sob o elemento terra, saturno predomina nessas épocas, enquanto que saturno que fica especialmente afligido no elemento água  acaba sendo superado por júpiter que tem domicílio em Peixes e Exaltação em câncer. Isso será explicado melhor mais adiante. 
A primeira conjunção entre júpiter e Saturno em cada uma das triplicidades dá início a uma “nova estação”, o que não significa que a estação anterior seja finalizada por este motivo. Atualmente vivenciamos um exemplo disso. A primeira conjunção júpiter Saturno no elemento Ar dentro deste atual ciclo ocorreu em 1981 no primeiro decanato de Libra. 20 anos depois a conjunção júpiter saturno não se repetiu no elemento ar, ocorreu no elemento Terra, aos 22° Touro. Daqui a 10 anos teremos uma nova conjunção, dessa vez será novamente no elemento ar, em 00° Aquário. Daí em diante todas as conjunções pelo menos até o fim deste século e início do próximo serão todas no elemento ar.
Por que o ciclo não é perfeitinho, bonitinho como nossas mentes adoraria que fosse? O que ocorre é que Tanto júpiter quanto saturno têm órbitas elípticas. Isso significa que existem momento onde eles estão mais rápidos, e momentos onde estão mais lentos. A diferença nas velocidades é pouca, mas é ela que dá os aparentes “erros” no ciclo, que de errados não tem nada. No caso de Saturno, o momento onde ele está mais lento é nos primeiros graus de Capricórnio. Nem sempre isso é assim. Saturno, como todos os planetas tem um Periélio localizado em alguma região do zodíaco e que indica o momento onde ele está mais próximo do Sol e consequentemente mais rápido, e um Afélio quando ele está mais distante do sol  e consequentemente mais lento. O Afélio de Saturno a cerca de 2000 anos atrás estava posicionado entre os 20° e 25° de Sagitário. Atualmente este afélio se encontra em algum lugar entre 00° e 05° Capricórnio. Isso significa dizer que saturno ao passar nos signos de Escorpião, Sagitário, Capricórnio e Aquário está especialmente lento. Quando ele passa pelos signos de Touro, Gêmeos, Câncer e Leão ele está particularmente rápido. Daqui a milhares e milhares de anos a situação pode ser inclusive inversa, mas no momento é basicamente isso que temos.
Consultando uma efeméride heliocêntrica (que acaba fornecendo na verdade uma posição média dos planetas a partir de marte em diante, já que exclui as retrogradações), podemos ver com a clareza dos números essa diferença no ciclo de saturno. Heliocentricamente, Saturno ingressou em escorpião no dia 18 de março de 1983. Deixou Aquário em 24 de novembro de 1993. Aproximadamente 10 anos e 8 meses. Saturno ingressou em Touro no dia 19 de outubro de 1998, e deixou o signo de leão em 2 de Outubro de 2007. 8 anos, 11 meses e 20 dias de diferença. Essa diferença toda é que acaba gerando a inexatidão dentro do ciclo júpiter e saturno, especialmente quando levamos em consideração que júpiter também tem isso no seu ciclo. Não vou me alongar muito nesta questão.
Existem autores tradicionais que na verdade propõe que se use uma média nos ciclos júpiter saturno. O astrólogo Rodolfo Veronese falou sobre isso em seu blog. Particularmente, eu acho que é até interessante a tentativa de se encontrar essa média, mas ela precisa ser atualizada para o momento atual. Se usarmos a média de 1000 anos atrás a diferença no nosso ciclo entre a média e o ciclo real é grande demais e isso não faz o menor sentido. 
Em um próximo post veremos como são as épocas marcadas pelas conjunções entre júpiter e saturno em cada um dos quatro elementos. Como eu não sou historiador, quem vai me ajudar a contextualizar historicamente os momentos marcados por cada um dos elementos será a wikipédia.  

Astrologia Moderna e Astrologia Clássica – Algumas Diferenças Essenciais

Uma das principais diferenças que eu vejo entre “Astrologia Moderna” e a “Astrologia Clássica” é a forma de se operacionalizar a interpretação dos mapas natais. A astrologia Natal, vedete da astrologia moderna, praticamente o pilar da astrologia nos dias de hoje, com uma abordagem psicológica, em alguns casos pendendo para o misticismo e para o ‘cármico’, aborda o mapa astrológico de uma maneira totalmente nova. O que era feito ao longo de dezenas de séculos na interpretação dos mapas dá lugar a uma abordagem “inovadora” e eu acho muito interessante então fazer um paralelo para que as pessoas vejam por si mesmas as principais diferenças.
ASTROLOGIA MODERNA WAY OF LIFE


Primeiro vamos ver como os mapas são lidos hoje usando a abordagem moderna. Pra ser justo, é necessário abrir uns parênteses e dizer que não existe apenas um único método de leitura, mas estruturalmente todos são muito parecidos.  Na maioria dos sites que vendem a interpretação do mapa, por exemplo, o mapa é interpretado da seguinte maneira, vou colocar na forma de tópicos:
– Sol : uma análise do signo solar, da casa onde esta o sol, eventualmente considerando-se seu regente, bem como os aspectos que faz. É o seu “Eu” consciente. Mostra sua relação com seu pai.
-Lua: da mesma forma que o sol. Aqui se analisa tudo o que é inconsciente e emocional. Mostra sua relação com sua mãe.
– Ascendente: Sua personalidade exterior, apenas uma “máscara” que você usa pra viver em sociedade. Eventualmente se considerada o regente, o signo e a casa.
– Mercúrio: como você se comunica?
– Vênus: se você for mulher, seu “jeitinho” de amar. Se você for homem as mulheres que lhe atraem. Em ambos os casos mostra sua forma de expressar afeto.
– Marte: se você for homem, mostra seu “jeitinho” de amar. Se for mulher, o tipo de homem que lhe atrai; em ambos os casos, mostra como você age quando está bravo e mostra sua energia pra agir.
– Júpiter: Mostra uma área onde você quer se expandir, onde você pode eventualmente ter sorte, mas onde em geral você é considerado como alguém presunçoso e arrogante, precisa evitar exageros.
– Saturno: Mostra uma área onde você precisa ser mais disciplinado, mostra os limites que você precisa superar. Nada será fácil nos assuntos regidos pelo signo e pela casa onde você tem saturno. Porém é área da sua vida onde você precisa investir mais.
– Urano: Mostra uma área onde você vai querer fazer as coisas de uma forma totalmente nova.
– Netuno: mostra uma área onde você tenderá a ser mais idealista, escapista ou espiritual.
– Plutão: Mostra uma área onde você viverá “transformações profundas”.
EVENTUALMENTE Você recebe uma análise casa a casa, com indicações de como você vive os assuntos representados pelas casa.
O que predomina é uma abordagem sistemática. O astrólogo  olha seu saturno e de cara começa a falar várias coisas, depois parte pra um outro planeta e assim vai indo. Se você tiver uma casa vazia ela  praticamente não é mencionada. Ele pega o desenho e dali vai tirando informações, a pessoa recebe praticamente uma aula de astrologia tendo seu mapa como exemplo, porque aprende que o planeta x em tal signo representa não sei o quê, e que o planeta x em tal casa representa não sei o quê e assim vai.
Na consulta ao vivo com um astrólogo de abordagem moderna, em geral o que a pessoa recebe não é exatamente uma aula de astrologia, porque normalmente se espera do astrólogo um mínimo de capacidade de síntese. Mas de modo geral, ele vai seguir o protocolo, explicando pra você o que o seu mapa significa, quais as implicações psicológicas , quais suas principais aptidões, etc.
ASTROLOGIA CLÁSSICA WAY OF LIFE


Antigamente as coisas não eram feitas dessa maneira. Em primeiro lugar, não existia consulta de “mapa astral”. Você ia ao astrólogo porque tinha algum problema definido. Por exemplo, a moça solteirona que já passou dos 30 e vai se consultar com o astrólogo porque quer saber se algum dia vai se casar, ou se terá filhos. O investidor que quer esclarecimentos sobre seus negócios. O jovem que está na idade de se casar e está interessado em uma donzela, ele pode inquirir o astrólogo sobre a felicidade ou possibilidade do casamento com alguém do seu interesse, dentre várias outras coisas. Pode perguntar sobre saúde, viagens, trabalho, amores enfim. Pra isso o astrólogo lançaria mão do que estivesse ao seu alcance. Se fossem conhecidos os dados de nascimento da pessoa, calcularia seu mapa, veria o que está indicado no mapa natal e olharia suas direções, revoluções, etc. Caso contrário ele abriria um mapa horário e responderia as questões do querente por ali. Ou se o cliente quisesse uma informação sobre um bom momento pra iniciar alguma coisa, o astrólogo lhe faria uma eletiva
As pessoas não iam ao astrólogo como quem entra em uma loja apenas pra olhar preços, elas geralmente iam com uma questão definida em suas mentes, e não perdiam tempo, iam direto ao ponto. Hoje em dia as pessoas que procuram um cartomante agem como agiam os antigos clientes dos astrólogos. Como normalmente o astrólogo nos dias de hoje faz atendimentos fechados, do tipo “consulta de mapa natal”, “consulta de previsões”, “consulta de revolução solar”, etc, as pessoas guardam suas perguntas para o cartomante. Acontece que elas podem procurar o astrólogo para solucionar suas dúvidas. Qualquer tipo de dúvida ou angústia tem potencial para ser respondida com a astrologia, especialmente com a astrologia horária, de forma objetiva, sem rodeios. O grande problema é que as técnicas usadas atualmente não permitem que as coisas sejam respondidas com objetividade, é sempre de forma vaga.  
Mas vamos supor que o cliente quisesse , a 400 anos atrás, fazer uma consulta de “mapa astral”. A primeira coisa que o astrólogo faria seria analisar o geral do mapa, as predominâncias e principalmente, iria calcular o Temperamento, que é a chave pra se compreender a personalidade de uma pessoa. Depois partiria por setores. Vou usar uma linguagem contemporânea pra facilitar as coisas. O primeiro quesito possivelmente seria a Personalidade da pessoa (que era entendida antigamente como a natureza da mente e o caráter do nativo). Atualmente a consulta de Mapa Astral gira em torno deste tema na concepção moderna. Vejamos um possível protocolo que o astrólogo seguiria pra falar sobre a personalidade da pessoa.
– Temperamento: seria o pilar fundamental da análise
– Signo Ascendente
– Todos os planetas que tem dignidade no grau ascendente, vindo em ordem de importância aqueles que tem as dignidades maiores.
-Todos os planetas posicionados na casa 1
– A lua, signo, casa, aspectos, casa que rege.
– Mercúrio, signo, casa aspetcos, casa que rege.
-Almuten figuris
– Alguma parte árabe associada a este assunto (os árabes tinha uma parte árabe pra praticamente qualquer assunto)
O astrólogo então iria pesar na balança (que existe em sua mente) todos os testemunhos levantados, ou seja, todos os fatores considerados e formularia seu julgamento levando em consideração esse todo. Se o Sol não tocasse um dos significadores considerados, ele nem se quer seria considerado, e atualmente (na astrologia moderna) ele é encarado como significador principal deste tema.
Os assuntos são vários, existindo casas com mais de um assunto. A casa 1 é um exemplo, porque também fala sobre o corpo físico e  a vitalidade da pessoa. Da casa 7 o querente poderia inquerir sobre o casamento, seus inimigos, associados e clientes, tudo isso visto em separado, em conjunto com outros fatores. A consulta de mapa astral poderia conter todos esses itens:
– Personalidade
– Corpo físico/vitalidade
– Caráter
– Patrimônio
– Viagens curtas
– Irmãos e outros parentes
– família
– o pai
– o lar, vida doméstica
– patrimônio da família
– diversão, prazeres
– sexo
– filhos
– doenças
– subalternos
– animais de pequeno porte (pets)
– casamento
– inimigos
– clientes
– patrimônio da esposa
– morte
– heranças
– viagens longas
– estudos
– netos
– religião/ espiritualidade positiva
-a mãe
– carreira/ profissão
– imagem pública
– ganhos
– amizades
– inimigos ocultos
– espiritualidade negativa
Cada um desses itens teria uma série de significadores a ser analisados. Então na abordagem clássica não adiantava você pegar o saturno e interpretar o saturno da pessoa. Visto assim saturno não significa NADA. Ele pode estar numa casa excelente, todo dignificado, cheio de trígonos. Isso, se não for colocado dentro de um tema, não significa nada. A análise de todos os fatores, numa única consulta, é tarefa hercúlea. Praticamente impossível. Daí a necessidade de o cliente trazer um tema pra ser abordado. Não existe uma forma de abordar o mapa de maneira superficial, usando-se a abordagem clássica. Cada um dos temas citados acima poderia levar meia hora ou mais pra ser satisfatoriamente analisado, porque a análise é feita em um nível muito profundo.
Em geral se critica a Astrologia tradicional usando-se como argumento por exemplo os chamados “aforismas”, que tinham uma função principalmente didática. Se um aforisma dissesse algo como “se o nativo tiver a lua no signo x em quadratura com saturno, então o nativo morrerá asfixiado” os astrólogos não aplicariam o aforisma automaticamente em qualquer mapa. Se a lua fosse a significadora da morte de alguém e estivesse nas condições citadas, tudo bem. Mas o que a astrologia moderna faz é algo muito parecido. Qual a diferença entre um aforisma medieval e a indicação dada em um livrinho daqueles estilo receita de bolo sobre o posicionamento da lua em determinado signo, por exemplo? A diferença entre os dois está na linguagem empregada. Mas o essencial é o fato de que o astrólogo medieval não aplicaria o aforisma literalmente da forma como ele aparece escrito no livro. Enquanto que alguns “astrólogos” hoje em dia simplesmente repetem aquilo que está escrito no livrinho de 120 páginas que ele comprou da editora pensamento sobre a lua, e com isso supõe estar “descrevendo toda a natureza emocional e inconsciente do nativo”. Astrólogos que fazem isso não podem ser chamados de astrólogos, é necessário colocar o termo entre aspas. E infelizmente, a maioria dos que trabalham com astrologia no Brasil nos dias de hoje fazem exatamente isso.